<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:googleplay="http://www.google.com/schemas/play-podcasts/1.0"><channel><title><![CDATA[Integridade Eleitoral]]></title><description><![CDATA[O Instituto Voto Legal investiga e documenta, com rigor técnico e jurídico, o ecossistema eleitoral brasileiro. A partir de fontes com credibilidade comprovada, desvendamos as dimensões de integridade, governança, segurança e transparência de eleições.]]></description><link>https://voto.legal</link><image><url>https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!zL6u!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6a0d9292-489f-4481-8df2-6d681e3296d4_600x600.png</url><title>Integridade Eleitoral</title><link>https://voto.legal</link></image><generator>Substack</generator><lastBuildDate>Wed, 08 Apr 2026 00:25:18 GMT</lastBuildDate><atom:link href="https://voto.legal/feed" rel="self" type="application/rss+xml"/><copyright><![CDATA[Voto Legal]]></copyright><language><![CDATA[pt-br]]></language><webMaster><![CDATA[votolegal@substack.com]]></webMaster><itunes:owner><itunes:email><![CDATA[votolegal@substack.com]]></itunes:email><itunes:name><![CDATA[Voto Legal]]></itunes:name></itunes:owner><itunes:author><![CDATA[Voto Legal]]></itunes:author><googleplay:owner><![CDATA[votolegal@substack.com]]></googleplay:owner><googleplay:email><![CDATA[votolegal@substack.com]]></googleplay:email><googleplay:author><![CDATA[Voto Legal]]></googleplay:author><itunes:block><![CDATA[Yes]]></itunes:block><item><title><![CDATA[A descentralização da apuração: um princípio universal]]></title><description><![CDATA[Taiwan conta votos em voz alta. Os EUA apuram em mais de 10.000 jurisdi&#231;&#245;es. A Alemanha declarou inconstitucional sistemas n&#227;o verific&#225;veis. O Brasil centralizou a apura&#231;&#227;o.]]></description><link>https://voto.legal/p/a-descentralizacao-da-apuracao-constitui</link><guid isPermaLink="false">https://voto.legal/p/a-descentralizacao-da-apuracao-constitui</guid><dc:creator><![CDATA[Voto Legal]]></dc:creator><pubDate>Sat, 07 Mar 2026 13:44:00 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!zL6u!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6a0d9292-489f-4481-8df2-6d681e3296d4_600x600.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>As Partes <a href="https://voto.legal/p/quem-autorizou-a-centralizacao-da">1</a> e <a href="https://voto.legal/p/a-apuracao-eleitoral-no-brasil-deveria">2</a> desta s&#233;rie estabeleceram dois pontos jur&#237;dicos precisos. O C&#243;digo Eleitoral brasileiro distribui a compet&#234;ncia para apurar os votos em tr&#234;s n&#237;veis institucionais: Juntas Eleitorais, Tribunais Regionais e Tribunal Superior Eleitoral, e o Congresso Nacional nunca aprovou formalmente a centraliza&#231;&#227;o que hoje vigora na pr&#225;tica. A <a href="https://voto.legal/p/a-apuracao-eleitoral-no-brasil-deveria">Parte 2</a> acrescentou que essa mesma legisla&#231;&#227;o descreve a apura&#231;&#227;o como ato p&#250;blico e verific&#225;vel, princ&#237;pio da publicidade que a Constitui&#231;&#227;o Federal consagra no artigo 37 e que a tecnologia n&#227;o tem compet&#234;ncia para revogar.</p>
      <p>
          <a href="https://voto.legal/p/a-descentralizacao-da-apuracao-constitui">
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          </a>
      </p>
   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[A apuração eleitoral deveria ocorrer em ato público?]]></title><description><![CDATA[O C&#243;digo Eleitoral descreve um rito p&#250;blico de contagem de votos. A Constitui&#231;&#227;o exige publicidade dos atos administrativos. A tecnologia mudou o suporte, mas n&#227;o revogou o princ&#237;pio.]]></description><link>https://voto.legal/p/a-apuracao-eleitoral-no-brasil-deveria</link><guid isPermaLink="false">https://voto.legal/p/a-apuracao-eleitoral-no-brasil-deveria</guid><dc:creator><![CDATA[Voto Legal]]></dc:creator><pubDate>Fri, 06 Mar 2026 22:23:41 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!zL6u!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6a0d9292-489f-4481-8df2-6d681e3296d4_600x600.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Este artigo faz parte de uma s&#233;rie. A <a href="https://voto.legal/p/quem-autorizou-a-centralizacao-da">Parte 1</a> examinou quem deveria apurar os votos segundo o C&#243;digo Eleitoral<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-1" href="#footnote-1" target="_self">1</a>. A segunda pergunta &#233; ainda mais reveladora: como essa apura&#231;&#227;o deveria ocorrer? Examinamos a estrutura de compet&#234;ncias prevista no C&#243;digo Eleitoral para a apura&#231;&#227;o das elei&#231;&#245;es no Brasil. A lei distribui a contagem dos votos em tr&#234;s n&#237;veis institucionais, das Juntas Eleitorais ao Tribunal Superior Eleitoral, e o Congresso Nacional nunca aprovou formalmente a centraliza&#231;&#227;o que hoje vigora na pr&#225;tica.</p><p>Mas a quest&#227;o n&#227;o se esgota na distribui&#231;&#227;o de compet&#234;ncias. O C&#243;digo Eleitoral vai al&#233;m de definir quem apura: descreve, com riqueza de detalhes, como a apura&#231;&#227;o deve ocorrer.</p><p>O que emerge da leitura desses dispositivos &#233; mais do que um conjunto de procedimentos administrativos. Trata-se de um verdadeiro rito p&#250;blico de contagem dos votos, concebido para ocorrer de forma presencial e aberta &#224; fiscaliza&#231;&#227;o de partidos, candidatos e observadores, em conson&#226;ncia com o princ&#237;pio da publicidade previsto no art. 37 da Constitui&#231;&#227;o Federal.</p><h3><strong>O procedimento de apura&#231;&#227;o nas Juntas Eleitorais</strong></h3><p>O C&#243;digo Eleitoral brasileiro<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-2" href="#footnote-2" target="_self">2</a> dedica todo um cap&#237;tulo, dos artigos 159 a 196, ao procedimento de apura&#231;&#227;o nas Juntas Eleitorais. Ele define, passo a passo, como a contagem dos votos deve transcorrer: abertura das urnas, verifica&#231;&#227;o das c&#233;dulas, registro das ocorr&#234;ncias em ata, regime de impugna&#231;&#245;es e recursos, expedi&#231;&#227;o de boletins de apura&#231;&#227;o.</p><p>A presen&#231;a de fiscais de partidos, a possibilidade de impugna&#231;&#227;o imediata e a lavratura de atas constituem elementos essenciais desse rito. N&#227;o se trata de mera formalidade administrativa. Trata-se de um procedimento concebido como presencial, aberto ao acompanhamento e verific&#225;vel por fiscais de partidos, candidatos e observadores, desenhado para garantir que a contagem dos votos ocorra em ato p&#250;blico, &#224; vista dos interessados, sob fiscaliza&#231;&#227;o direta e imediata.</p><h3><strong>O voto lido em voz alta: publicidade na origem da contagem</strong></h3><p>Um detalhe particularmente revelador desse desenho institucional aparece no pr&#243;prio procedimento de contagem. O C&#243;digo Eleitoral estabelece que, durante a apura&#231;&#227;o, os votos s&#227;o lidos em voz alta, um a um, antes de qualquer registro na contagem oficial.<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-3" href="#footnote-3" target="_self">3</a></p><p>A leitura p&#250;blica do voto constitui um mecanismo cl&#225;ssico de publicidade do processo eleitoral: todos os presentes podem acompanhar simultaneamente a contagem e verificar se o registro corresponde ao voto efetivamente apurado.</p><p>A import&#226;ncia desse procedimento para a soberania popular transcende fronteiras e contextos tecnol&#243;gicos. Taiwan, um dos maiores polos mundiais de tecnologia, mant&#233;m a contagem manual e p&#250;blica como regra em suas elei&#231;&#245;es, com cada c&#233;dula exibida e anunciada em voz alta diante de observadores de todos os partidos e qualquer cidad&#227;o que deseje acompanhar o processo.<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-4" href="#footnote-4" target="_self">4</a></p><p>Esse mecanismo nada tem de acidental. Ele traduz um princ&#237;pio fundamental do direito eleitoral democr&#225;tico: a apura&#231;&#227;o deve transcorrer em ato p&#250;blico, verific&#225;vel por aqueles que acompanham o processo no momento em que ele se realiza.</p><h3><strong>O registro digital de cada voto e o princ&#237;pio da publicidade</strong></h3><p>A legisla&#231;&#227;o eleitoral posterior n&#227;o rompeu com essa l&#243;gica. Ao autorizar a vota&#231;&#227;o eletr&#244;nica, a Lei n&#186; 9.504/1997<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-5" href="#footnote-5" target="_self">5</a> determinou que a urna eletr&#244;nica disponha de recursos que permitam &#8220;<strong>o registro digital de cada voto</strong>&#8221;, preservado o anonimato do eleitor (art. 59, &#167;4&#186;). Esse dispositivo estabelece que cada voto exista no sistema como um registro digital individual.</p><p>No modelo tradicional, a c&#233;dula f&#237;sica era examinada durante a apura&#231;&#227;o p&#250;blica. No ambiente eletr&#244;nico, o registro digital de cada voto, em documento eletr&#244;nico assinado com certificado digital ICP-Brasil, poderia desempenhar papel equivalente.</p><p>A Lei n&#186; 9.504 de 1997, ao autorizar a utiliza&#231;&#227;o de sistemas eletr&#244;nicos na vota&#231;&#227;o e na totaliza&#231;&#227;o dos votos, manteve a l&#243;gica fundamental de que cada voto corresponde a um registro individual. O sistema eletr&#244;nico registra digitalmente cada voto lan&#231;ado pelo eleitor, preservando seu sigilo, mas mantendo a individualidade do registro.</p><p>Essa caracter&#237;stica revela-se essencial. Um registro individual de voto permite que os resultados permane&#231;am audit&#225;veis e verific&#225;veis no processo de apura&#231;&#227;o. Em outras palavras, a tecnologia substitui o suporte f&#237;sico da c&#233;dula, mas n&#227;o elimina a exist&#234;ncia do voto como unidade individual de contagem.</p><blockquote><p><strong>Tecnologia n&#227;o pode revogar a lei: a apura&#231;&#227;o eleitoral deve permanecer p&#250;blica e verific&#225;vel, conforme o princ&#237;pio da publicidade do art. 37 da Constitui&#231;&#227;o.</strong></p></blockquote><h3><strong>A publicidade como exig&#234;ncia constitucional</strong></h3><p>O artigo 37 da Constitui&#231;&#227;o Federal<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-6" href="#footnote-6" target="_self">6</a> estabelece que a administra&#231;&#227;o p&#250;blica deve obedecer ao princ&#237;pio da publicidade. No contexto eleitoral, esse princ&#237;pio se traduz historicamente na possibilidade de acompanhar e verificar o processo de apura&#231;&#227;o. A leitura p&#250;blica dos votos durante a contagem, prevista no C&#243;digo Eleitoral, constitui uma express&#227;o concreta desse princ&#237;pio.</p><p>Por essa raz&#227;o, n&#227;o existe fundamento jur&#237;dico para que a transi&#231;&#227;o da tecnologia manual para a tecnologia digital elimine um elemento central do procedimento de apura&#231;&#227;o previsto no C&#243;digo Eleitoral: o car&#225;ter p&#250;blico da contagem dos votos. A forma t&#233;cnica de registrar o voto pode evoluir. O princ&#237;pio jur&#237;dico que orienta a apura&#231;&#227;o, entretanto, permanece o mesmo.</p><p>A tecnologia pode acelerar o processo eleitoral. Pode reduzir erros operacionais. Pode aumentar a efici&#234;ncia administrativa. Mas n&#227;o pode suprimir as garantias constitucionais de publicidade que estruturam o procedimento legal de apura&#231;&#227;o.</p><p>Quando a legisla&#231;&#227;o descreve um rito p&#250;blico de contagem e a Constitui&#231;&#227;o exige publicidade dos atos administrativos, a evolu&#231;&#227;o tecnol&#243;gica deve adaptar-se a esses princ&#237;pios, e n&#227;o substitu&#237;-los silenciosamente.</p><blockquote><p><strong>O C&#243;digo Eleitoral determina que os votos sejam apurados em ato p&#250;blico e lidos em voz alta. A Constitui&#231;&#227;o exige publicidade nos atos da administra&#231;&#227;o. Quando ambos s&#227;o lidos juntos, o resultado soa inequ&#237;voco: a apura&#231;&#227;o eleitoral brasileira foi concebida para funcionar como processo publicamente verific&#225;vel no momento em que ocorre.</strong></p></blockquote><h3><strong>A pergunta que permanece</strong></h3><p>Na <a href="https://voto.legal/p/quem-autorizou-a-centralizacao-da">Parte 1</a> deste artigo, demonstramos que o Congresso Nacional nunca aprovou formalmente a centraliza&#231;&#227;o da totaliza&#231;&#227;o eleitoral no TSE. Agora, nesta Parte 2, o quadro se amplia: o C&#243;digo Eleitoral n&#227;o apenas distribui compet&#234;ncias entre inst&#226;ncias distintas, mas exige que a apura&#231;&#227;o ocorra em ato p&#250;blico, presencial e fiscaliz&#225;vel.</p><p>A tecnologia substituiu o suporte do voto, da c&#233;dula de papel ao registro digital. Mas n&#227;o revogou, nem poderia revogar, o princ&#237;pio constitucional da publicidade que sustenta todo o procedimento de apura&#231;&#227;o.</p><blockquote><p><strong>A lei n&#227;o prev&#234; um sistema em que todos os votos do pa&#237;s sejam canalizados para um &#250;nico ponto de totaliza&#231;&#227;o. Prev&#234; o oposto: uma cadeia escalonada de responsabilidades, exercidas em ato p&#250;blico.</strong></p></blockquote><p>Duas perguntas, portanto, aguardam resposta do Congresso Nacional.</p><p>Primeiro: quem autorizou a centraliza&#231;&#227;o da totaliza&#231;&#227;o eleitoral?</p><p>Segundo: como preservar, na era digital, o car&#225;ter p&#250;blico da apura&#231;&#227;o que o C&#243;digo Eleitoral e a Constitui&#231;&#227;o exigem?</p><p>Enquanto o Congresso n&#227;o responder, permanece a dist&#226;ncia silenciosa entre a norma e a pr&#225;tica. E numa democracia constitucional, esse sil&#234;ncio n&#227;o pode durar indefinidamente.</p><p><strong>Cabe agora ao Congresso Nacional decidir se o sistema eleitoral pode continuar praticando um modelo que nunca foi aprovado por lei.</strong></p><div><hr></div><p>Leia, agora, a <a href="https://voto.legal/p/a-descentralizacao-da-apuracao-constitui">Parte 3</a> da s&#233;rie.</p><p><strong>S&#233;rie: Integridade da Apura&#231;&#227;o Eleitoral</strong></p><ul><li><p>Parte 1:  <a href="https://voto.legal/p/quem-autorizou-a-centralizacao-da">Quem autorizou a centraliza&#231;&#227;o da apura&#231;&#227;o eleitoral no Brasil?</a></p></li><li><p>Parte 2:  <a href="https://voto.legal/p/a-apuracao-eleitoral-no-brasil-deveria">A apura&#231;&#227;o eleitoral deveria ocorrer em ato p&#250;blico?</a></p></li><li><p>Parte 3:  <a href="https://voto.legal/p/a-descentralizacao-da-apuracao-constitui">A descentraliza&#231;&#227;o da apura&#231;&#227;o: um princ&#237;pio universal</a></p></li></ul><div><hr></div><h3><strong>Refer&#234;ncias</strong></h3><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-1" href="#footnote-anchor-1" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">1</a><div class="footnote-content"><p>TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL. C&#243;digo Eleitoral, Lei n&#186; 4.737/1965. <a href="https://www.tse.jus.br/legislacao/codigo-eleitoral/codigo-eleitoral-1/codigo-eleitoral-lei-nb0-4.737-de-15-de-julho-de-1965">https://www.tse.jus.br/legislacao/codigo-eleitoral/codigo-eleitoral-1/codigo-eleitoral-lei-nb0-4.737-de-15-de-julho-de-1965</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-2" href="#footnote-anchor-2" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">2</a><div class="footnote-content"><p>BRASIL. Lei n&#186; 4.737, de 15 de julho de 1965. C&#243;digo Eleitoral. Arts. 159 a 196 (Cap&#237;tulo II, T&#237;tulo V): regulamentam o procedimento de apura&#231;&#227;o nas Juntas Eleitorais, abrangendo disposi&#231;&#245;es preliminares (arts. 159-164), abertura da urna (arts. 165-168), impugna&#231;&#245;es e recursos (arts. 169-172), contagem dos votos (arts. 173-187) e contagem dos votos pela mesa receptora (arts. 188-196). <a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l4737compilado.htm">https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l4737compilado.htm</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-3" href="#footnote-anchor-3" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">3</a><div class="footnote-content"><p>BRASIL. Lei n&#186; 4.737, de 15 de julho de 1965. C&#243;digo Eleitoral. Art. 174: "As c&#233;dulas oficiais, &#224; medida em que forem sendo abertas, ser&#227;o examinadas e lidas em voz alta por um dos componentes da junta." <a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l4737compilado.htm">https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l4737compilado.htm</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-4" href="#footnote-anchor-4" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">4</a><div class="footnote-content"><p>SOUTH CHINA MORNING POST. <em>Counting begins after poll closes in Taiwan election</em>. Hong Kong: SCMP, 13 jan. 2024. 1 v&#237;deo (aprox. 2 min). Dispon&#237;vel em: <a href="https://www.scmp.com/video/china/3248328/voting-begins-after-poll-closes-taiwan-election">https://www.scmp.com/video/china/3248328/voting-begins-after-poll-closes-taiwan-election</a>. Acesso em: 6 mar. 2026.</p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-5" href="#footnote-anchor-5" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">5</a><div class="footnote-content"><p>BRASIL. Lei n&#186; 9.504, de 30 de setembro de 1997. Lei das Elei&#231;&#245;es. Art. 59, &#167;4&#186;: determina que a urna eletr&#244;nica disponha de recursos para o registro digital de cada voto, preservado o anonimato do eleitor. <a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9504compilado.htm">https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9504compilado.htm</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-6" href="#footnote-anchor-6" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">6</a><div class="footnote-content"><p>BRASIL. Constitui&#231;&#227;o da Rep&#250;blica Federativa do Brasil de 1988. Art. 37, caput: princ&#237;pio da publicidade, que exige que todo ato da administra&#231;&#227;o p&#250;blica observe a publicidade como requisito de validade. <a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm">https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm</a></p></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Quem autorizou a centralização da apuração eleitoral no Brasil?]]></title><description><![CDATA[A lei diz uma coisa, a pr&#225;tica faz outra, e o Congresso permanece em sil&#234;ncio. Este &#233; o primeiro artigo de uma s&#233;rie sobre a arquitetura jur&#237;dica da apura&#231;&#227;o eleitoral no Brasil.]]></description><link>https://voto.legal/p/quem-autorizou-a-centralizacao-da</link><guid isPermaLink="false">https://voto.legal/p/quem-autorizou-a-centralizacao-da</guid><dc:creator><![CDATA[Voto Legal]]></dc:creator><pubDate>Thu, 05 Mar 2026 23:39:04 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!zL6u!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6a0d9292-489f-4481-8df2-6d681e3296d4_600x600.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Durante grande parte da hist&#243;ria republicana do Brasil, a apura&#231;&#227;o das elei&#231;&#245;es ocorria diante dos olhos de todos. As urnas eram abertas na pr&#243;pria se&#231;&#227;o eleitoral ou em locais p&#250;blicos, e os votos eram contados manualmente na presen&#231;a de fiscais de partidos, candidatos e cidad&#227;os interessados.</p><p>A contagem era lenta, mas tinha uma caracter&#237;stica essencial: era p&#250;blica. Qualquer cidad&#227;o podia compreender onde os votos estavam e como eram contados. A legitimidade do resultado nascia da publicidade do procedimento.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://voto.legal/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Integridade Eleitoral &#233; uma publica&#231;&#227;o apoiada pelos leitores. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se uma assinatura gratuita ou uma assinatura paga.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p>Com a introdu&#231;&#227;o das urnas eletr&#244;nicas, esse cen&#225;rio mudou profundamente. O voto passou a ser registrado digitalmente e os resultados come&#231;aram a ser transmitidos para sistemas centrais de processamento. A contagem deixou de ocorrer voto a voto, nas mesas apuradoras, diante de fiscais e eleitores, passou a ser apurada dentro da urna eletr&#244;nica e totalizada em uma infraestrutura nacional centralizada, operada pela Justi&#231;a Eleitoral.</p><p>Agora imagine que a lei desse pa&#237;s diz, expressamente, que a apura&#231;&#227;o dos votos n&#227;o deveria ocorrer num sistema &#250;nico e centralizado, mas em n&#237;veis distintos e independentes.</p><p>Esse pa&#237;s existe. Chama-se Brasil.</p><p>E a pergunta que deveria ocupar todas as manchetes soa simples: <strong>quando exatamente o Congresso Nacional autorizou essa mudan&#231;a?</strong></p><h3><strong>O que a lei diz, e o que acontece na pr&#225;tica</strong></h3><p>O C&#243;digo Eleitoral brasileiro, institu&#237;do pela Lei n&#186; 4.737 de 1965<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-1" href="#footnote-1" target="_self">1</a>, nada tem de vago. Ele desenha, com precis&#227;o cir&#250;rgica, quem tem compet&#234;ncia para apurar cada elei&#231;&#227;o.</p><p>O artigo 158<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-2" href="#footnote-2" target="_self">2</a> estabelece tr&#234;s n&#237;veis institucionais de apura&#231;&#227;o.</p><p>As Juntas Eleitorais apuram as elei&#231;&#245;es realizadas na zona sob sua jurisdi&#231;&#227;o. Os Tribunais Regionais Eleitorais consolidam os resultados para governador, senador e deputados. E somente ao Tribunal Superior Eleitoral cabe a apura&#231;&#227;o final da elei&#231;&#227;o presidencial, com base nos dados enviados pelos tribunais regionais.</p><p>O desenho obedece a uma l&#243;gica deliberada. A contagem dos votos come&#231;a na base, o mais perto poss&#237;vel de onde o voto se depositou, e sobe, etapa por etapa, at&#233; o topo. Cada n&#237;vel fiscaliza o anterior. Cada inst&#226;ncia responde pela sua parte.</p><p>O C&#243;digo Eleitoral vai al&#233;m da defini&#231;&#227;o de compet&#234;ncias: dedica todo um cap&#237;tulo, dos artigos 159 a 196<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-3" href="#footnote-3" target="_self">3</a> ao procedimento de apura&#231;&#227;o nas Juntas Eleitorais. Detalha desde as disposi&#231;&#245;es preliminares e a abertura das urnas at&#233; a contagem dos votos, passando pelo regime de impugna&#231;&#245;es e recursos. A lei prev&#234; a presen&#231;a de fiscais de partidos, a leitura dos votos em voz alta<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-4" href="#footnote-4" target="_self">4</a>, a lavratura de atas e a expedi&#231;&#227;o de boletins de apura&#231;&#227;o. Trata-se de um rito p&#250;blico, presencial e fiscaliz&#225;vel, concebido para garantir a publicidade do processo na origem do voto.</p><blockquote><p><strong>A lei n&#227;o prev&#234; um sistema em que todos os votos do pa&#237;s sejam canalizados para um &#250;nico ponto de totaliza&#231;&#227;o. Prev&#234; o oposto: uma cadeia escalonada de responsabilidades.</strong></p></blockquote><p>Esse modelo reflete um princ&#237;pio cl&#225;ssico da administra&#231;&#227;o eleitoral: a descentraliza&#231;&#227;o como garantia simult&#226;nea de publicidade, resili&#234;ncia e prote&#231;&#227;o contra interfer&#234;ncia centralizada. Quando m&#250;ltiplas inst&#226;ncias apuram e verificam os resultados, nenhum ponto &#250;nico concentra poder suficiente para comprometer o conjunto.</p><h3><strong>A revolu&#231;&#227;o tecnol&#243;gica que n&#227;o passou pelo Legislativo</strong></h3><p>Na d&#233;cada de 1990, o Brasil adotou as urnas eletr&#244;nicas. A Lei n&#186; 9.504 de 1997<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-5" href="#footnote-5" target="_self">5</a> autorizou que a vota&#231;&#227;o e a totaliza&#231;&#227;o dos votos passassem a ocorrer por sistema eletr&#244;nico. Ningu&#233;m contesta os ganhos de efici&#234;ncia. Os resultados passaram a chegar ao p&#250;blico com velocidade in&#233;dita no mundo. Mas velocidade n&#227;o substitui legalidade.</p><blockquote><p><strong>Tecnologia resolve problemas t&#233;cnicos. Leis resolvem problemas jur&#237;dicos.</strong></p></blockquote><p>A introdu&#231;&#227;o de sistemas eletr&#244;nicos n&#227;o revogou, n&#227;o alterou e n&#227;o substituiu a divis&#227;o de compet&#234;ncias fixada no C&#243;digo Eleitoral. O artigo 158 continua vigente. As Juntas Eleitorais continuam existindo no organograma da Justi&#231;a Eleitoral. Os Tribunais Regionais continuam legalmente respons&#225;veis pela consolida&#231;&#227;o dos resultados em seus estados.</p><p>E, no entanto, a pr&#225;tica conta outra hist&#243;ria.</p><p>Hoje, a totaliza&#231;&#227;o eleitoral ocorre num sistema nacional centralizado, operado diretamente pelo Tribunal Superior Eleitoral. Os dados das urnas seguem transmitidos e consolidados numa infraestrutura &#250;nica, que produz os resultados finais de todas as elei&#231;&#245;es, municipais, estaduais e federais.</p><blockquote><p><strong>A quest&#227;o central n&#227;o &#233; tecnol&#243;gica. &#201; jur&#237;dica: em que lei exatamente o Congresso autorizou que a apura&#231;&#227;o eleitoral do Brasil fosse centralizada?</strong></p></blockquote><p>A arquitetura atual de totaliza&#231;&#227;o foi definida por resolu&#231;&#245;es administrativas do TSE, sem altera&#231;&#227;o legislativa correspondente.</p><h3><strong>Apura&#231;&#227;o e totaliza&#231;&#227;o n&#227;o significam a mesma coisa</strong></h3><p>Para entender o alcance do problema, conv&#233;m distinguir dois conceitos que o debate p&#250;blico insiste em confundir.</p><p><strong>Apurar</strong> significa determinar quantos votos cada candidato recebeu, o ato jur&#237;dico que produz o resultado.</p><p><strong>Totalizar</strong> significa somar resultados j&#225; apurados, uma opera&#231;&#227;o aritm&#233;tica.</p><p>Mesmo admitindo que a totaliza&#231;&#227;o difira tecnicamente da apura&#231;&#227;o, permanece a quest&#227;o institucional: quando a soma nacional dos resultados passa a ocorrer sob controle direto da inst&#226;ncia superior da Justi&#231;a Eleitoral, o equil&#237;brio de compet&#234;ncias originalmente previsto na lei merece reexame.</p><p>No modelo do C&#243;digo Eleitoral, a apura&#231;&#227;o ocorre nas zonas e nos tribunais regionais. O TSE s&#243; exerce papel final na elei&#231;&#227;o presidencial. Quando a soma de todos os votos do pa&#237;s, para todos os cargos, corre por um sistema &#250;nico sob controle direto da inst&#226;ncia m&#225;xima da Justi&#231;a Eleitoral, o resultado ultrapassa uma moderniza&#231;&#227;o operacional.</p><blockquote><p><strong>Realizou-se uma reorganiza&#231;&#227;o da arquitetura institucional do processo eleitoral que nunca ganhou forma de lei aprovada pelo Congresso Nacional.</strong></p></blockquote><p>A quest&#227;o n&#227;o recai sobre a seguran&#231;a das urnas. Recai sobre a correspond&#234;ncia entre o procedimento adotado e o procedimento previsto na legisla&#231;&#227;o vigente.</p><h3><strong>Regulamentar n&#227;o significa redefinir</strong></h3><p>A Constitui&#231;&#227;o prev&#234; a organiza&#231;&#227;o e compet&#234;ncia da Justi&#231;a Eleitoral (art. 121)<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-6" href="#footnote-6" target="_self">6</a>, mas isso n&#227;o autoriza que normas infralegais redesenhem compet&#234;ncias que a lei atribuiu a &#243;rg&#227;os espec&#237;ficos. Algu&#233;m poderia argumentar que resolu&#231;&#245;es do TSE j&#225; regulamentam o processo eletr&#244;nico e, portanto, cobrem essa lacuna. Mas aqui incide um princ&#237;pio constitucional elementar: uma norma infralegal n&#227;o pode alterar o que a lei define.</p><p>A Constitui&#231;&#227;o Federal, no artigo 5&#186;, inciso II <a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-7" href="#footnote-7" target="_self">7</a>, estabelece que ningu&#233;m pode ver-se obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa sen&#227;o em virtude de lei. O artigo 84, inciso IV<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-8" href="#footnote-8" target="_self">8</a>, limita o poder regulamentar &#224; fiel execu&#231;&#227;o das leis. Sem extrapol&#225;-las, sem contrari&#225;-las, sem reescrev&#234;-las.</p><p>A jurisprud&#234;ncia do STF aponta com firmeza: atos regulamentares servem &#224; fiel execu&#231;&#227;o da lei e n&#227;o podem inovar na ordem jur&#237;dica, criando arranjos institucionais ou obriga&#231;&#245;es n&#227;o previstos no texto legal. Uma resolu&#231;&#227;o do TSE pode disciplinar como a totaliza&#231;&#227;o eletr&#244;nica deve funcionar. O que ela n&#227;o pode fazer &#233; redistribuir compet&#234;ncias que o C&#243;digo Eleitoral atribuiu a &#243;rg&#227;os espec&#237;ficos da Justi&#231;a Eleitoral.</p><blockquote><p><strong>Regulamentar significa detalhar a execu&#231;&#227;o da lei. Redefinir a estrutura de compet&#234;ncias prevista em lei equivale a legislar, prerrogativa exclusiva do Congresso Nacional.</strong></p></blockquote><p>A apura&#231;&#227;o distribu&#237;da, como demonstrado, re&#250;ne vantagens que a centraliza&#231;&#227;o por defini&#231;&#227;o elimina. Se ainda assim o Legislativo considerar que o modelo centralizado atende melhor ao interesse p&#250;blico, ent&#227;o cabe a ele aprov&#225;-lo formalmente, com debate p&#250;blico, vota&#231;&#227;o e san&#231;&#227;o presidencial. N&#227;o cabe a um ato administrativo, por mais tecnicamente sofisticado que pare&#231;a, assumir esse papel.</p><h3><strong>O sil&#234;ncio do Congresso</strong></h3><p>O Congresso Nacional discute h&#225; anos a aprova&#231;&#227;o de um novo C&#243;digo Eleitoral. Propostas surgiram, comiss&#245;es se formaram, relat&#243;rios ganharam corpo. Mas a revis&#227;o completa da legisla&#231;&#227;o eleitoral ainda n&#227;o chegou a termo.</p><p>Enquanto isso, permanece um v&#225;cuo normativo entre o que a lei prescreve e o que a administra&#231;&#227;o eleitoral executa.</p><blockquote><p><strong>Em democracias maduras, mudan&#231;as estruturais no processo eleitoral n&#227;o acontecem por evolu&#231;&#227;o tecnol&#243;gica silenciosa. Acontecem por delibera&#231;&#227;o legislativa expl&#237;cita.</strong></p></blockquote><p>A integridade de um sistema eleitoral repousa sobre pilares insepar&#225;veis: seguran&#231;a tecnol&#243;gica, publicidade dos atos administrativos, conforme exige o artigo 37 da Constitui&#231;&#227;o Federal<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-9" href="#footnote-9" target="_self">9</a>, e ader&#234;ncia rigorosa ao marco legal. Quando qualquer um desses pilares vacila, o sistema inteiro perde coer&#234;ncia. N&#227;o porque funcione mal, mas porque funciona fora do enquadramento jur&#237;dico que lhe d&#225; legitimidade.</p><h3><strong>Este debate precisa acontecer. Agora.</strong></h3><p>Nada aqui diz respeito a partido. Nada aqui se confunde com teoria conspirat&#243;ria. Trata-se de uma quest&#227;o de direito constitucional e de coer&#234;ncia legislativa que deveria incomodar qualquer democrata, independentemente de espectro pol&#237;tico.</p><p>Juristas e constitucionalistas: examinem a dist&#226;ncia entre o artigo 158 do C&#243;digo Eleitoral e o modelo de totaliza&#231;&#227;o efetivamente praticado. Publiquem pareceres. Provoquem o debate nas faculdades de direito, nos institutos de pesquisa, nas barras de advocacia.</p><p>Imprensa: fa&#231;am a pergunta que ningu&#233;m ainda formulou: por qual instrumento normativo o Congresso transferiu ao TSE a compet&#234;ncia de totalizar todas as elei&#231;&#245;es do pa&#237;s? Cobrem respostas. N&#227;o aceitem o sil&#234;ncio.</p><p>Parlamentares: se a resposta for &#8220;nunca autorizamos explicitamente&#8221;, ent&#227;o o Legislativo tem uma obriga&#231;&#227;o inadi&#225;vel: atualizar a lei para refletir a realidade, ou exigir que a realidade volte a refletir a lei.</p><p>A pergunta n&#227;o se dirige ao Tribunal Superior Eleitoral, que opera dentro da l&#243;gica que a tecnologia permitiu. Dirige-se ao Congresso Nacional, que tem o dever constitucional de legislar sobre o processo eleitoral.</p><p>Num Estado de Direito, lacunas entre lei e pr&#225;tica n&#227;o podem permanecer indefinidas.</p><p><strong>Cabe agora ao Congresso Nacional decidir se o sistema eleitoral pode continuar praticando um modelo que nunca foi aprovado por lei.</strong></p><div><hr></div><p><em>Na <a href="https://voto.legal/p/a-apuracao-eleitoral-no-brasil-deveria">Parte 2</a>, examinaremos o rito p&#250;blico de apura&#231;&#227;o previsto no C&#243;digo Eleitoral e por que o princ&#237;pio constitucional da publicidade exige que a contagem dos votos permane&#231;a verific&#225;vel, mesmo na era digital.</em></p><p><strong>S&#233;rie: Integridade da Apura&#231;&#227;o Eleitoral</strong></p><ul><li><p>Parte 1:  <a href="https://voto.legal/p/quem-autorizou-a-centralizacao-da">Quem autorizou a centraliza&#231;&#227;o da apura&#231;&#227;o eleitoral no Brasil?</a></p></li><li><p>Parte 2:  <a href="https://voto.legal/p/a-apuracao-eleitoral-no-brasil-deveria">A apura&#231;&#227;o eleitoral deveria ocorrer em ato p&#250;blico?</a></p></li><li><p>Parte 3:  <a href="https://voto.legal/p/a-descentralizacao-da-apuracao-constitui">A descentraliza&#231;&#227;o da apura&#231;&#227;o: um princ&#237;pio universal</a></p></li></ul><div><hr></div><h3><strong>Refer&#234;ncias</strong></h3><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-1" href="#footnote-anchor-1" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">1</a><div class="footnote-content"><p>TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL. C&#243;digo Eleitoral, Lei n&#186; 4.737/1965. <a href="https://www.tse.jus.br/legislacao/codigo-eleitoral/codigo-eleitoral-1/codigo-eleitoral-lei-nb0-4.737-de-15-de-julho-de-1965">https://www.tse.jus.br/legislacao/codigo-eleitoral/codigo-eleitoral-1/codigo-eleitoral-lei-nb0-4.737-de-15-de-julho-de-1965</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-2" href="#footnote-anchor-2" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">2</a><div class="footnote-content"><p>BRASIL. Lei n&#186; 4.737, de 15 de julho de 1965. C&#243;digo Eleitoral. Art. 158: define a compet&#234;ncia para apura&#231;&#227;o das elei&#231;&#245;es em tr&#234;s n&#237;veis institucionais: Juntas Eleitorais (elei&#231;&#245;es na zona sob sua jurisdi&#231;&#227;o), Tribunais Regionais Eleitorais (governador, vice-governador, senador, deputado federal e deputado estadual) e Tribunal Superior Eleitoral (presidente e vice-presidente da Rep&#250;blica). <br>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10594513/artigo-158-da-lei-n-4737-de-15-de-julho-de-1965</p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-3" href="#footnote-anchor-3" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">3</a><div class="footnote-content"><p>BRASIL. Lei n&#186; 4.737, de 15 de julho de 1965. C&#243;digo Eleitoral. Arts. 159 a 196 (Cap&#237;tulo II, T&#237;tulo V): regulamentam o procedimento de apura&#231;&#227;o nas Juntas Eleitorais, abrangendo disposi&#231;&#245;es preliminares (arts. 159-164), abertura da urna (arts. 165-168), impugna&#231;&#245;es e recursos (arts. 169-172), contagem dos votos (arts. 173-187) e contagem dos votos pela mesa receptora (arts. 188-196). <a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l4737compilado.htm">https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l4737compilado.htm</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-4" href="#footnote-anchor-4" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">4</a><div class="footnote-content"><p>BRASIL. Lei n&#186; 4.737, de 15 de julho de 1965. C&#243;digo Eleitoral. Art. 174. As c&#233;dulas oficiais, &#224; medida em que forem sendo abertas, ser&#227;o examinadas e lidas em voz alta por um dos componentes da Junta.  <a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l4737compilado.htm">https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l4737compilado.htm</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-5" href="#footnote-anchor-5" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">5</a><div class="footnote-content"><p>BRASIL. Lei n&#186; 9.504, de 30 de setembro de 1997. Lei das Elei&#231;&#245;es. Art. 59: autoriza vota&#231;&#227;o e totaliza&#231;&#227;o eletr&#244;nica. <a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9504.htm">https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9504.htm</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-6" href="#footnote-anchor-6" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">6</a><div class="footnote-content"><p>BRASIL. Constitui&#231;&#227;o da Rep&#250;blica Federativa do Brasil de 1988. Art. 121: organiza&#231;&#227;o e compet&#234;ncias da Justi&#231;a Eleitoral, remetendo &#224; lei complementar a defini&#231;&#227;o de sua estrutura. <a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm">https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-7" href="#footnote-anchor-7" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">7</a><div class="footnote-content"><p>BRASIL. Constitui&#231;&#227;o da Rep&#250;blica Federativa do Brasil de 1988. Art. 5&#186;, inciso II: princ&#237;pio da legalidade, segundo o qual ningu&#233;m pode ver-se obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa sen&#227;o em virtude de lei. <br>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10731003/inciso-ii-do-artigo-5-da-constituicao-federal-de-1988</p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-8" href="#footnote-anchor-8" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">8</a><div class="footnote-content"><p>BRASIL. Constitui&#231;&#227;o da Rep&#250;blica Federativa do Brasil de 1988. Art. 84, inciso IV: compet&#234;ncia privativa do Presidente da Rep&#250;blica para sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execu&#231;&#227;o. <a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm">https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-9" href="#footnote-anchor-9" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">9</a><div class="footnote-content"><p>BRASIL. Constitui&#231;&#227;o da Rep&#250;blica Federativa do Brasil de 1988. Art. 37, caput: princ&#237;pio da publicidade, que exige que todo ato da administra&#231;&#227;o p&#250;blica observe a publicidade como requisito de validade. <a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm">https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm</a></p></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Integridade eleitoral exige separação institucional]]></title><description><![CDATA[Quem administra e opera elei&#231;&#245;es n&#227;o pode ser juiz dos pr&#243;prios atos.]]></description><link>https://voto.legal/p/integridade-eleitoral-exige-separacao</link><guid isPermaLink="false">https://voto.legal/p/integridade-eleitoral-exige-separacao</guid><dc:creator><![CDATA[Voto Legal]]></dc:creator><pubDate>Mon, 02 Mar 2026 22:07:04 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!zL6u!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6a0d9292-489f-4481-8df2-6d681e3296d4_600x600.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p><em>&#8220;Um sistema de vota&#231;&#227;o cuja integridade dos resultados da elei&#231;&#227;o dependa intrinsecamente da corre&#231;&#227;o de seu software ser&#225; sempre, em alguma medida, suspeito.&#8221;</em> (Ronald L. Rivest e Madars Virza, <em>Independ&#234;ncia de Software Revisitada</em>, 2016). A formula&#231;&#227;o apresenta natureza estritamente t&#233;cnica e descreve uma caracter&#237;stica estrutural da arquitetura de sistemas eleitorais. Na defini&#231;&#227;o dos autores, um sistema &#233; independente de software quando um erro n&#227;o detectado em seu software n&#227;o pode provocar uma altera&#231;&#227;o indetect&#225;vel no resultado, isto &#233;, quando a verifica&#231;&#227;o do resultado n&#227;o depende de confiar no pr&#243;prio software.</p><p>A urna eletr&#244;nica brasileira adota o modelo DRE (Registro Eletr&#244;nico Direto do Voto), no qual o voto se grava exclusivamente em meio eletr&#244;nico. N&#227;o ocorre gera&#231;&#227;o de evid&#234;ncia independente do pr&#243;prio software capaz de demonstrar que os registros refletem a vontade do eleitor. Nessas condi&#231;&#245;es, o resultado passa a depender da corre&#231;&#227;o do c&#243;digo executado. A aus&#234;ncia de instrumentos concretos de auditoria p&#250;blica baseada em evid&#234;ncia impede a valida&#231;&#227;o externa dos resultados, tornando o sistema dependente de confian&#231;a institucional, sem instrumentos de comprova&#231;&#227;o t&#233;cnica.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://voto.legal/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Integridade Eleitoral &#233; uma publica&#231;&#227;o apoiada pelos leitores. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se uma assinatura gratuita ou uma assinatura paga.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p>Nas palavras dos pr&#243;prios autores: <em>&#8220;No modelo DRE, &#233; necess&#225;rio confiar (ou presumir) que o software est&#225; correto.&#8221;</em> Essa premissa tem consequ&#234;ncia jur&#237;dica direta. A Constitui&#231;&#227;o Federal n&#227;o exige apenas que elei&#231;&#245;es ocorram: exige que o servi&#231;o p&#250;blico eleitoral seja prestado com efici&#234;ncia demonstr&#225;vel (art. 37) e qualidade adequada (art. 175). No caso das elei&#231;&#245;es, isso n&#227;o significa apenas organizar o pleito com regularidade log&#237;stica. Significa garantir que o resultado proclamado possa ser tecnicamente demonstrado como correto.</p><p>H&#225; outra exig&#234;ncia constitucional frequentemente negligenciada nesse debate: o princ&#237;pio da publicidade, tamb&#233;m previsto no art. 37. Publicidade, em mat&#233;ria eleitoral, n&#227;o se resume a divulgar boletins de urna ap&#243;s a apura&#231;&#227;o. Significa que todas as etapas essenciais do processo, como a verifica&#231;&#227;o do voto pelo eleitor, a contagem p&#250;blica dos votos e a recontagem para auditoria dos resultados, devem ser verific&#225;veis por qualquer cidad&#227;o.</p><p>No modelo DRE adotado no Brasil, a apura&#231;&#227;o ocorre inteiramente dentro do software, sem registro f&#237;sico confer&#237;vel pelo eleitor. O cidad&#227;o comum n&#227;o tem como verificar, com os pr&#243;prios olhos, se o voto dado foi o voto registrado e contado. Essa opacidade estrutural contraria o princ&#237;pio da publicidade. Em 2009, o Tribunal Constitucional Federal da Alemanha declarou inconstitucionais as urnas do tipo DRE precisamente por esse motivo: elas impedem a fiscaliza&#231;&#227;o cidad&#227; do processo de apura&#231;&#227;o, violando o princ&#237;pio da publicidade das elei&#231;&#245;es previsto na Lei Fundamental alem&#227;.</p><p>Efici&#234;ncia, em mat&#233;ria eleitoral, &#233; sin&#244;nimo de integridade verific&#225;vel. Isso exige:</p><ul><li><p>metodologia de auditoria p&#243;s-eleitoral (<em>post-election audit</em>) definida previamente e aderente &#224;s melhores pr&#225;ticas internacionais;</p></li><li><p>exist&#234;ncia de evid&#234;ncias independentes do software;</p></li><li><p>cadeia de cust&#243;dia homologada pela ICP-Brasil;</p></li><li><p>possibilidade de reprocessamento t&#233;cnico externo;</p></li><li><p>contradit&#243;rio t&#233;cnico em caso de questionamentos.</p></li></ul><p>Sem esses elementos, o sistema n&#227;o oferece verifica&#231;&#227;o p&#250;blica aut&#244;noma. Em democracias consolidadas, esse padr&#227;o costuma materializar-se por meio de auditorias de risco limitado (<em>risk-limiting audits</em>), desenhadas para, com base em amostragens estatisticamente robustas e em evid&#234;ncia f&#237;sica independente, confirmar ou corrigir o resultado oficial.</p><p>O pr&#243;prio TSE reconhece essa centraliza&#231;&#227;o. Em artigo publicado na <em>Revista Eletr&#244;nica da Escola Judici&#225;ria Eleitoral</em> (n&#186; 6, ano 4), o analista judici&#225;rio Rodrigo Coimbra, lotado na Se&#231;&#227;o de Voto Informatizado do Tribunal, afirma que <em>&#8220;Somente um grupo restrito de servidores e colaboradores do TSE tem acesso ao reposit&#243;rio de c&#243;digo-fonte e est&#225; autorizado a fazer modifica&#231;&#245;es no software. Uma consequ&#234;ncia disso &#233; que o software utilizado nas elei&#231;&#245;es &#233; o mesmo em todo o Brasil e est&#225; sob o controle estrito do TSE.&#8221;</em></p><p>Contudo, na aus&#234;ncia de auditoria externa robusta, surge uma consequ&#234;ncia adicional: sem independ&#234;ncia de software, uma eventual quebra de seguran&#231;a ou erro interno poderia produzir mudan&#231;a indetect&#225;vel no resultado da elei&#231;&#227;o.</p><p>N&#227;o se trata de acusa&#231;&#227;o, mas de an&#225;lise estrutural. O princ&#237;pio &#233; reconhecido em todas as &#225;reas de infraestrutura cr&#237;tica. Em sistemas financeiros, aeron&#225;uticos ou nucleares, a governan&#231;a moderna exige segrega&#231;&#227;o de fun&#231;&#245;es. Quem desenvolve n&#227;o audita. Quem opera n&#227;o certifica. Quem administra n&#227;o julga.</p><p>No Brasil, a Justi&#231;a Eleitoral acumula fun&#231;&#245;es operacionais, como desenvolvimento tecnol&#243;gico, execu&#231;&#227;o do processo e totaliza&#231;&#227;o, e fun&#231;&#245;es jurisdicionais, como julgamento de recursos e controv&#233;rsias. Esse ac&#250;mulo cria um conflito de interesses intr&#237;nseco: a mesma organiza&#231;&#227;o que administra o processo tamb&#233;m decide sobre disputas relativas &#224; sua pr&#243;pria atua&#231;&#227;o.</p><p>Organismos multilaterais e c&#243;digos de boa conduta em administra&#231;&#227;o eleitoral recomendam a separa&#231;&#227;o funcional entre o &#243;rg&#227;o respons&#225;vel pela gest&#227;o do processo e as inst&#226;ncias encarregadas de julgar impugna&#231;&#245;es. Recomendam, igualmente, a ado&#231;&#227;o de auditorias p&#243;s-eleitorais baseadas em evid&#234;ncia f&#237;sica, aptas a comprovar ou refutar tecnicamente o resultado proclamado.</p><p>Integridade eleitoral n&#227;o &#233; atributo autom&#225;tico de um sistema. &#201; produto de desenho institucional adequado e de arquitetura t&#233;cnica audit&#225;vel. Se o sistema n&#227;o produz evid&#234;ncia suficiente para comprovar seus resultados, a promessa constitucional de efici&#234;ncia e qualidade permanece incompleta. A confian&#231;a p&#250;blica deve ser sustentada por verificabilidade t&#233;cnica.</p><p>Separar fun&#231;&#245;es operacionais das jurisdicionais e adotar independ&#234;ncia de software n&#227;o enfraquece a autoridade eleitoral. Ao contr&#225;rio, fortalece sua legitimidade democr&#225;tica.</p><p>Em um Estado de Direito, confian&#231;a institucional deve caminhar junto com prova t&#233;cnica. Separar quem opera de quem julga n&#227;o &#233; desconfian&#231;a: &#233; o padr&#227;o m&#237;nimo que qualquer democracia exige de seus sistemas cr&#237;ticos.</p><div><hr></div><h2><strong>Refer&#234;ncias</strong></h2><ul><li><p>Rivest, Ronald L.; Virza, Madars. <em>Software Independence Revisited</em>. Em: <em>Real-World Electronic Voting: Design, Analysis and Deployment</em>. Auerbach Publications, 2016.<br><a href="https://people.csail.mit.edu/rivest/pubs/RV16.pdf">https://people.csail.mit.edu/rivest/pubs/RV16.pdf</a></p></li><li><p>Constitui&#231;&#227;o da Rep&#250;blica Federativa do Brasil de 1988, arts. 37 e 175.<br><a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm">https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm</a></p></li><li><p>Coimbra, Rodrigo Carneiro Munhoz. <em>Por que a urna eletr&#244;nica &#233; segura.</em> Em: <em>Revista Eletr&#244;nica EJE, n&#186; 6, ano 4. </em>Escola Judici&#225;ria Eleitoral, Tribunal Superior Eleitoral.<br><a href="https://www.tse.jus.br/institucional/escola-judiciaria-eleitoral/publicacoes/revistas-da-eje/artigos/revista-eletronica-eje-n.-6-ano-4/por-que-a-urna-eletronica-e-segura">https://www.tse.jus.br/institucional/escola-judiciaria-eleitoral/publicacoes/revistas-da-eje/artigos/revista-eletronica-eje-n.-6-ano-4/por-que-a-urna-eletronica-e-segura</a></p></li><li><p>Instituto Voto Legal. <em>Oportunidades de Melhoria para as Elei&#231;&#245;es Brasileiras: Governan&#231;a, Seguran&#231;a, Certifica&#231;&#227;o, Fiscaliza&#231;&#227;o, Apura&#231;&#227;o, Totaliza&#231;&#227;o e Auditorias Independentes.</em> Apresenta&#231;&#227;o ao Senado Federal, 12 de dezembro de 2023.<br><a href="https://legis.senado.leg.br/sdleg-getter/documento/download/507ca7c7-013d-4037-b3c3-30df14ed7810">https://legis.senado.leg.br/sdleg-getter/documento/download/507ca7c7-013d-4037-b3c3-30df14ed7810</a></p></li><li><p>International IDEA. <em>Electoral Management Design: Revised Edition</em>. Estocolmo: International IDEA, 2014.<br><a href="https://www.idea.int/publications/catalogue/electoral-management-design-revised-edition">https://www.idea.int/publications/catalogue/electoral-management-design-revised-edition</a></p></li><li><p>Comiss&#227;o de Veneza. <em>Code of Good Practice in Electoral Matters: Guidelines and Explanatory Report</em>. CDL-AD(2002)023rev2-cor. Conselho da Europa, 2002.<br><a href="https://www.venice.coe.int/webforms/documents/default.aspx?pdffile=CDL-AD(2002)023rev2-cor-e">https://www.venice.coe.int/webforms/documents/default.aspx?pdffile=CDL-AD(2002)023rev2-cor-e</a></p></li><li><p>MIT Election Data + Science Lab. <em>Post-Election Audits</em>. Massachusetts Institute of Technology.<br><a href="https://electionlab.mit.edu/research/post-election-audits">https://electionlab.mit.edu/research/post-election-audits</a></p></li><li><p>Verified Voting. <em>Risk-Limiting Audits</em>. Verified Voting Foundation.<br><a href="https://verifiedvoting.org/audits/">https://verifiedvoting.org/audits/</a></p></li><li><p>The Carter Center. <em>Election Obligations and Standards Handbook</em>. 2&#170; edi&#231;&#227;o, 2023.<br><a href="https://www.cartercenter.org/publication/election-obligations-and-standards-handbook/">https://www.cartercenter.org/publication/election-obligations-and-standards-handbook/</a></p></li><li><p>Brennan Center for Justice. <em>Post-Election Audits: Restoring Trust in Elections</em>. New York University School of Law.<br><a href="https://www.brennancenter.org/our-work/research-reports/post-election-audits-restoring-trust-elections">https://www.brennancenter.org/our-work/research-reports/post-election-audits-restoring-trust-elections</a></p></li><li><p>Tribunal Constitucional Federal da Alemanha. Decis&#227;o BVerfG 2 BvC 3/07, 3 de mar&#231;o de 2009.<br><a href="https://www.bundesverfassungsgericht.de/SharedDocs/Entscheidungen/EN/2009/03/cs20090303_2bvc000307en.html">https://www.bundesverfassungsgericht.de/SharedDocs/Entscheidungen/EN/2009/03/cs20090303_2bvc000307en.html</a></p></li><li><p>Instituto Voto Legal. <em>Por que a urna eletr&#244;nica brasileira &#233; considerada inconstitucional na Alemanha?</em>. Integridade Eleitoral, 11 de maio de 2025.<br><a href="https://voto.legal/p/por-que-a-urna-eletronica-brasileira">https://voto.legal/p/por-que-a-urna-eletronica-brasileira</a></p></li></ul><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://voto.legal/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Integridade Eleitoral &#233; uma publica&#231;&#227;o apoiada pelos leitores. 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O debate p&#250;blico brasileiro oscila, com frequ&#234;ncia, entre dois extremos igualmente improdutivos: de um lado, a desconfian&#231;a ret&#243;rica, e de outro, a confian&#231;a institucional irrestrita. Nenhum dos dois substitui o que sistemas cr&#237;ticos exigem: m&#233;todo, segrega&#231;&#227;o de fun&#231;&#245;es e auditoria independente fim a fim. O ponto de partida n&#227;o se encontra no campo pol&#237;tico. Pertence ao jur&#237;dico e ao t&#233;cnico.</p><h5>Tabela 1 - Evid&#234;ncia F&#237;sica do Voto nos 30 Pa&#237;ses Mais Populosos do Mundo (Popula&#231;&#227;o 2022)</h5><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!995H!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3cce5428-9046-48b1-b83d-9e19ca443590_653x960.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!995H!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3cce5428-9046-48b1-b83d-9e19ca443590_653x960.jpeg 424w, 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><h3><strong>O Direito Legal de Fiscalizar N&#227;o &#233; Decorativo</strong></h3><p>A Lei n&#186; 9.504/1997 mostra-se inequ&#237;voca: os partidos podem fiscalizar todas as fases do processo de vota&#231;&#227;o e apura&#231;&#227;o, inclusive o processamento eletr&#244;nico da totaliza&#231;&#227;o (<a href="https://www.jusbrasil.com.br/topicos/11271100/artigo-66-da-lei-n-9504-de-30-de-setembro-de-1997">art. 66</a>). Mais do que isso, podem constituir sistema pr&#243;prio de fiscaliza&#231;&#227;o e totaliza&#231;&#227;o, inclusive mediante contrata&#231;&#227;o de empresas especializadas em auditoria de sistemas. Esse direito n&#227;o carrega car&#225;ter simb&#243;lico. Reveste-se de prerrogativa operacional.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://voto.legal/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Integridade Eleitoral &#233; uma publica&#231;&#227;o apoiada pelos leitores. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se uma assinatura gratuita ou uma assinatura paga.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p>A legisla&#231;&#227;o autoriza n&#227;o apenas acompanhar, mas estruturar fiscaliza&#231;&#227;o t&#233;cnica independente, com produ&#231;&#227;o de evid&#234;ncia preserv&#225;vel e utiliz&#225;vel juridicamente. Fiscalizar n&#227;o equivale a assistir. Requer:</p><ul><li><p>acessar dados</p></li><li><p>reprocessar informa&#231;&#245;es</p></li><li><p>validar resultados</p></li><li><p>documentar diverg&#234;ncias</p></li><li><p>preservar a cadeia de cust&#243;dia.</p></li></ul><p>Sem esses elementos, o direito legal existe apenas no papel.</p><h3><strong>Sistema Cr&#237;tico N&#227;o Pode Depender de Autocontrole</strong></h3><p>Em engenharia de sistemas cr&#237;ticos, vigora uma regra elementar: quem desenvolve n&#227;o audita, quem opera n&#227;o certifica, quem administra n&#227;o valida o pr&#243;prio resultado. Essa regra atende pelo nome de segrega&#231;&#227;o de fun&#231;&#245;es. Sistemas eleitorais figuram entre os sistemas cr&#237;ticos de mais elevada sensibilidade institucional. Funcionam sob press&#227;o pol&#237;tica, alta exposi&#231;&#227;o p&#250;blica, risco reputacional sist&#234;mico e impacto direto na legitimidade democr&#225;tica.</p><p>A literatura internacional em seguran&#231;a da informa&#231;&#227;o aponta que amea&#231;as internas (<em>insider threats</em>) respondem por quase 70% dos incidentes de seguran&#231;a em grandes organiza&#231;&#245;es. O risco n&#227;o pressup&#245;e necessariamente m&#225;-f&#233;, pode ter origem em falha humana, conflito de interesse, erro de processo ou abuso de credencial. Quando o modelo depende exclusivamente de controles internos e testes organizados pelo pr&#243;prio respons&#225;vel pelo sistema, torna-se insuficiente, de acordo com o conhecimento consolidado. Autocontrole n&#227;o substitui a auditoria independente, em nenhum pa&#237;s.</p><h3><strong>Testes P&#250;blicos N&#227;o Substituem Auditoria Fim a Fim</strong></h3><p>Eventos como os Testes P&#250;blicos de Seguran&#231;a (TPS) do TSE mostram-se relevantes, mas apresentam escopo delimitado: avaliam cen&#225;rios de ataque sob regras predefinidas e n&#227;o substituem uma auditoria estruturada, que requer:</p><ul><li><p>matriz de riscos</p></li><li><p>plano de evid&#234;ncias</p></li><li><p>cadeia de cust&#243;dia documental e independente</p></li><li><p>reprocessamento externo</p></li><li><p>contradit&#243;rio t&#233;cnico pleno.</p></li></ul><p>A elei&#231;&#227;o configura um processo em camadas: desenvolvimento e <em>build </em>dos sistemas, gera&#231;&#227;o de m&#237;dias e carga, vota&#231;&#227;o, transmiss&#227;o, totaliza&#231;&#227;o, publica&#231;&#227;o, e consolida&#231;&#227;o p&#243;s-eleitoral. A auditoria controlada pela entidade auditada revela-se insuficiente para um sistema cr&#237;tico. A pergunta correta n&#227;o indaga se &#8220;houve ataque&#8221;. Interroga se existem mecanismos externos que permitam demonstrar, com evid&#234;ncia independente, que o resultado anunciado corresponde exatamente ao que ocorreu.</p><h3><strong>Congelamento e Certifica&#231;&#227;o Pr&#233;via: A Primeira Linha de Controle</strong></h3><p>Antes de qualquer teste ou auditoria de resultado, imp&#245;e-se uma condi&#231;&#227;o l&#243;gica anterior: saber qual programa funcionou efetivamente nas urnas no dia da elei&#231;&#227;o. Isso exige dois mecanismos encadeados. Primeiro, o congelamento do c&#243;digo, que &#233; o fechamento formal e irrevog&#225;vel da vers&#227;o dos programas que entrar&#227;o em opera&#231;&#227;o, com registro de hash criptogr&#225;fico verific&#225;vel por terceiros, com anteced&#234;ncia ao in&#237;cio da carga das m&#237;dias nas urnas. Segundo, a certifica&#231;&#227;o pr&#233;via independente, a valida&#231;&#227;o, por entidade externa ao TSE, de que o programa congelado corresponde ao que se auditou, ao que se carregou nas urnas e ao que operou no dia do pleito.</p><p>Sem congelamento formal e certifica&#231;&#227;o pr&#233;via independente, toda auditoria posterior opera sobre uma premissa n&#227;o verificada: a de que o sistema executado correspondia ao sistema declarado. Em engenharia de software, essa premissa n&#227;o se assume, demonstra-se. A cadeia de cust&#243;dia do software eleitoral configura, portanto, condi&#231;&#227;o de validade de qualquer auditoria subsequente. N&#227;o ocupa posi&#231;&#227;o de etapa opcional. Apresenta-se como pr&#233;-requisito l&#243;gico e t&#233;cnico de todo o processo de verifica&#231;&#227;o.</p><h3><strong>Risco Sist&#234;mico Reconhecido por &#211;rg&#227;o de Controle</strong></h3><p>O Tribunal de Contas da Uni&#227;o, no Relat&#243;rio TC 014.328/2021-6, identificou riscos estruturais relevantes, incluindo fragilidades de governan&#231;a e auditabilidade no sistema eleitoral. Independentemente de interpreta&#231;&#227;o pol&#237;tica, a identifica&#231;&#227;o formal de riscos sist&#234;micos por &#243;rg&#227;o de controle externo imp&#245;e uma conclus&#227;o metodol&#243;gica direta: sistemas cr&#237;ticos com risco identificado exigem controle independente proporcional ao risco. N&#227;o se trata de atacar o sistema eleitoral. Mostra-se necess&#225;rio mitigar vulnerabilidades conhecidas.</p><h3><strong>O Isolamento Internacional do Modelo Brasileiro</strong></h3><p>Persiste uma pergunta emp&#237;rica que raramente ingressa no debate dom&#233;stico: entre as maiores democracias do mundo, quantas adotam sistema de vota&#231;&#227;o eletr&#244;nica sem qualquer comprovante f&#237;sico verific&#225;vel pelo eleitor? A resposta, com base nos dados do <em>ICTs in Elections Database</em> do International IDEA, apresenta-se direta e pouco confort&#225;vel. Dos 30 pa&#237;ses mais populosos do mundo, que somam aproximadamente 6,1 bilh&#245;es de pessoas, representando cerca de 76% da popula&#231;&#227;o global, <strong>93,7% habitam pa&#237;ses que utilizam c&#233;dula em papel ou alguma forma de VVPAT</strong> (<em>Voter-Verified Paper Audit Trail</em>): registro f&#237;sico do voto, impresso pela m&#225;quina, verific&#225;vel pelo eleitor e preservado para auditoria independente. Apenas dois pa&#237;ses nesse grupo operam exclusivamente com urna eletr&#244;nica sem comprovante impresso: <strong>Brasil (7&#186; lugar) e Bangladesh (8&#186; lugar)</strong>. Juntos, respondem por 6,3% da popula&#231;&#227;o total do grupo.</p><p>Entre os dez pa&#237;ses mais populosos do mundo, o Brasil ocupa posi&#231;&#227;o singular nessa condi&#231;&#227;o. &#205;ndia, China, Estados Unidos, Indon&#233;sia, Paquist&#227;o, Nig&#233;ria, R&#250;ssia e M&#233;xico, todos adotaram alguma forma de evid&#234;ncia f&#237;sica verific&#225;vel pelo eleitor e por auditores independentes. A distin&#231;&#227;o n&#227;o remete a tecnologia mais ou menos avan&#231;ada. Reside numa quest&#227;o de metodologia de verifica&#231;&#227;o. Pa&#237;ses com sistemas eleitorais reconhecidos internacionalmente como robustos, Alemanha, Jap&#227;o, Reino Unido, Coreia do Sul,Taiwan recorrem &#224; c&#233;dula em papel precisamente porque ela produz evid&#234;ncia f&#237;sica independente do sistema eletr&#244;nico que a processa.</p><p>O consenso t&#233;cnico internacional n&#227;o admite ambiguidade: a rastreabilidade f&#237;sica do voto configura componente de integridade, n&#227;o res&#237;duo de atraso tecnol&#243;gico.</p><h3><strong>Auditoria P&#243;s-Eleitoral: A Pergunta Cient&#237;fica</strong></h3><p>Ap&#243;s a proclama&#231;&#227;o do resultado, existe uma &#250;nica pergunta t&#233;cnica relevante:</p><blockquote><p><strong>O n&#250;mero anunciado corresponde aos votos efetivamente registrados?</strong></p></blockquote><p>Diversas democracias respondem a essa pergunta por meio de auditorias p&#243;s-eleitorais baseadas em crit&#233;rios estat&#237;sticos mensur&#225;veis, como as <em>Risk-Limiting Audits</em> (RLAs). Institui&#231;&#245;es de refer&#234;ncia como o MIT Election Data and Science Lab, a National Academies of Sciences, a Verified Voting Foundation e o International IDEA reconhecem tais auditorias como componente essencial de sistemas eleitorais robustos.</p><p><strong>Auditar n&#227;o representa ataque ao sistema eleitoral. Representa garantia de integridade dos resultados.</strong></p><p>Sem material verific&#225;vel independente, como trilhas audit&#225;veis externas ou o comprovante f&#237;sico de cada voto, a auditoria de resultado torna-se dependente do pr&#243;prio sistema auditado, o que compromete sua efic&#225;cia.</p><h3><strong>Confian&#231;a Institucional se Constr&#243;i com Prova, N&#227;o com Declara&#231;&#227;o</strong></h3><p>Confian&#231;a p&#250;blica n&#227;o nasce de comunicados oficiais. Nasce de mecanismos verific&#225;veis. Quando partidos estruturam auditoria independente, produzem tr&#234;s efeitos concretos: exercem direito legal expressamente previsto em lei, reduzem a assimetria informacional entre a Administra&#231;&#227;o Eleitoral e os eleitores, candidatos e partidos, e elevam o padr&#227;o t&#233;cnico do debate institucional.</p><p>Quando omitem essa iniciativa, abrem m&#227;o de produzir evid&#234;ncia pr&#243;pria e passam a depender exclusivamente da narrativa do administrador do sistema. Em ambiente polarizado, essa omiss&#227;o n&#227;o fortalece a confian&#231;a, ao contr&#225;rio, fragiliza-a.</p><h3><strong>2026: M&#233;todo ou Narrativa</strong></h3><p>As elei&#231;&#245;es de 2026 ocorrer&#227;o sob intenso escrut&#237;nio pol&#237;tico e institucional. O debate n&#227;o se resolver&#225; por ret&#243;rica. Ser&#225; decidido pela presen&#231;a, ou aus&#234;ncia, de governan&#231;a formal, segrega&#231;&#227;o clara de fun&#231;&#245;es, congelamento e certifica&#231;&#227;o pr&#233;via dos programas, auditoria independente fim a fim, evid&#234;ncia preservada com cadeia de cust&#243;dia e capacidade t&#233;cnica de reprocessamento externo.</p><p>O conhecimento t&#233;cnico consolidado confirma que a auditoria independente n&#227;o configura opini&#227;o, decorre logicamente de direito legal expresso e risco formalmente reconhecido. Ou o processo produz prova t&#233;cnica independente, ou depender&#225; de confian&#231;a em um grupo restrito de servidores p&#250;blicos, de modo unilateral. Os dados demonstram que a quase totalidade das maiores democracias do mundo adotaram o caminho t&#233;cnicamente correto. O Brasil surge como exce&#231;&#227;o fora das melhores pr&#225;ticas.</p><h3><strong>Conclus&#227;o</strong></h3><p>Integridade eleitoral n&#227;o se defende com f&#233; institucional, nem se questiona com suspeita gen&#233;rica. Defende-se com m&#233;todo, evid&#234;ncia, auditoria independente e governan&#231;a transparente. O debate brasileiro precisa evoluir da narrativa para a t&#233;cnica. E a t&#233;cnica, em sistemas cr&#237;ticos, deve come&#231;ar meses antes do dia da elei&#231;&#227;o, no momento em que os programas se congelam, se certificam e se entregam &#224; fiscaliza&#231;&#227;o independente. Quando 93,7% da popula&#231;&#227;o dos 30 maiores pa&#237;ses do mundo vivem sob sistemas com evid&#234;ncia f&#237;sica verific&#225;vel, a pergunta relevante n&#227;o indaga se o Brasil deveria convergir para esse padr&#227;o. Interroga-se por que ainda insiste no caminho errado.</p><h3><strong>Refer&#234;ncias</strong></h3><p><strong>Requisitos Essenciais para Garantir a Integridade dos Resultados Eleitorais</strong></p><p>Esta bibliografia consolida fundamentos t&#233;cnicos, estat&#237;sticos e normativos amplamente reconhecidos na literatura internacional sobre auditabilidade, verificabilidade e integridade eleitoral.</p><h4><strong>1. Comprovante em Papel do Voto (C&#233;dula ou VVPAT)</strong></h4><ul><li><p>National Academies of Sciences, Engineering, and Medicine (2018). <em>Securing the Vote: Protecting American Democracy</em>. Washington, DC: The National Academies Press.</p></li><li><p>Rivest, R. L., &amp; Wack, J. (2006). <em>On the Notion of Software Independence in Voting Systems</em>. MIT &amp; NIST.</p></li><li><p>U.S. Election Assistance Commission (2021). <em>Voluntary Voting System Guidelines (VVSG) 2.0</em>.</p></li><li><p>NIST (Auditability Working Group). <em>Report of the Auditability Working Group</em>.</p></li><li><p>Mercuri, R. (2001). Testimony on electronic voting systems and voter-verifiable paper audit trails.</p></li></ul><h4><strong>2. Verifica&#231;&#227;o do Voto pelo Eleitor</strong></h4><ul><li><p>Lindeman, M., &amp; Stark, P. B. (2012). <em>A Gentle Introduction to Risk-Limiting Audits</em>. IEEE Security &amp; Privacy.</p></li><li><p>Appel, A. W., &amp; Stark, P. B. (2018). <em>Evidence-Based Elections: Create a Meaningful Paper Trail, Then Audit</em>. Georgetown Law Technology Review.</p></li><li><p>Council of Europe (2017). <em>Recommendation CM/Rec(2017)5 on standards for e-voting</em>.</p></li></ul><h4><strong>3. Contagem P&#250;blica dos Votos</strong></h4><ul><li><p>International IDEA. <em>ICTs in Elections Database</em>.</p></li><li><p>International IDEA (2023). <em>Use of E-Voting Around the World</em>.</p></li></ul><h4><strong>4. Auditoria P&#243;s-Elei&#231;&#227;o (Recontagem de Papel / RLAs)</strong></h4><ul><li><p>MIT Election Data and Science Lab. (s.d.). <a href="https://electionlab-mit-edu.translate.goog/research/post-election-audits?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt-BR&amp;_x_tr_pto=wapp">Post-Election Audits</a>. Este artigo/guia aborda em profundidade a teoria, os tipos e a pr&#225;tica de auditorias p&#243;s-eleitorais, incluindo RLAs, como complemento direto &#224;s refer&#234;ncias de Stark, Lindeman, Goodman, e outros.</p></li><li><p>Lindeman, M., &amp; Stark, P. B. (2012). <em>Risk-Limiting Audits: Theory and Practice</em>.</p></li><li><p>Goodman, S., et al. (2012). <em>Risk-Limiting Post-Election Audits: Why and How</em>.</p></li><li><p>Stark, P. B. (2010). <em>Super-Simple Simultaneous Single-Ballot Risk-Limiting Audits</em>.</p></li><li><p>National Academies (2018). <em>Securing the Vote</em>.</p></li></ul><p></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://voto.legal/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Integridade Eleitoral &#233; uma publica&#231;&#227;o apoiada pelos leitores. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se uma assinatura gratuita ou uma assinatura paga.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Plebiscito: Como você quer o voto direto?]]></title><description><![CDATA[A Constitui&#231;&#227;o &#233; clara: a soberania popular ser&#225; exercida pelo voto direto e secreto mediante plebiscito.]]></description><link>https://voto.legal/p/plebiscito-como-voce-quer-o-voto</link><guid isPermaLink="false">https://voto.legal/p/plebiscito-como-voce-quer-o-voto</guid><dc:creator><![CDATA[Voto Legal]]></dc:creator><pubDate>Tue, 08 Jul 2025 14:58:42 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!cXCp!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc6ac4ab3-3c7c-4808-af80-8424fa0a46c1_1536x1024.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<h3>Resumo</h3><p>O voto direto &#233; um direito fundamental seu, cidad&#227;o soberano. A Constitui&#231;&#227;o<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-1" href="#footnote-1" target="_self">1</a> garante isso. Mas uma quest&#227;o importante surge com a urna eletr&#244;nica: como voc&#234; pode saber se seu voto foi registrado corretamente? Hoje, voc&#234; n&#227;o consegue verificar se sua escolha foi contada da forma que votou. Isso &#233; realmente voto direto? A solu&#231;&#227;o &#233; simples: perguntar a voc&#234; e a todos os brasileiros. Proponho um plebiscito nacional com tr&#234;s op&#231;&#245;es. Primeira: voto em papel, contado publicamente. Segunda: voto eletr&#244;nico que imprime um comprovante para voc&#234; conferir. Terceira: voto eletr&#244;nico com verifica&#231;&#227;o digital segura. Cada brasileira e brasileiro escolheria como quer votar. A democracia n&#227;o pode depender s&#243; da confian&#231;a. Precisa ser transparente. Precisa ser verific&#225;vel. A decis&#227;o deve ser sua.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!cXCp!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc6ac4ab3-3c7c-4808-af80-8424fa0a46c1_1536x1024.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!cXCp!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc6ac4ab3-3c7c-4808-af80-8424fa0a46c1_1536x1024.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!cXCp!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc6ac4ab3-3c7c-4808-af80-8424fa0a46c1_1536x1024.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!cXCp!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc6ac4ab3-3c7c-4808-af80-8424fa0a46c1_1536x1024.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!cXCp!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc6ac4ab3-3c7c-4808-af80-8424fa0a46c1_1536x1024.png 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!cXCp!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc6ac4ab3-3c7c-4808-af80-8424fa0a46c1_1536x1024.png" width="1456" height="971" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/c6ac4ab3-3c7c-4808-af80-8424fa0a46c1_1536x1024.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:971,&quot;width&quot;:1456,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:1651216,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:false,&quot;topImage&quot;:true,&quot;internalRedirect&quot;:&quot;https://voto.legal/i/167768269?img=https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc6ac4ab3-3c7c-4808-af80-8424fa0a46c1_1536x1024.png&quot;,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!cXCp!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc6ac4ab3-3c7c-4808-af80-8424fa0a46c1_1536x1024.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!cXCp!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc6ac4ab3-3c7c-4808-af80-8424fa0a46c1_1536x1024.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!cXCp!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc6ac4ab3-3c7c-4808-af80-8424fa0a46c1_1536x1024.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!cXCp!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc6ac4ab3-3c7c-4808-af80-8424fa0a46c1_1536x1024.png 1456w" sizes="100vw" fetchpriority="high"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><h3>Sua soberania popular e o direito ao voto verific&#225;vel</h3><p>Voc&#234; &#233; soberano. A Constitui&#231;&#227;o Federal de 1988 estabelece, no artigo 1&#186;, par&#225;grafo &#250;nico, que "todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente"<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-2" href="#footnote-2" target="_self">2</a>. A sua soberania popular n&#227;o &#233; apenas um conceito abstrato: ela exige meios concretos para que voc&#234; exer&#231;a o poder de forma consciente e verific&#225;vel. O processo eleitoral deve garantir que voc&#234; possa compreender, verificar e confirmar a forma como sua vontade &#233; expressa e contabilizada.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://voto.legal/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Integridade Eleitoral &#233; uma publica&#231;&#227;o apoiada pelos leitores. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se uma assinatura gratuita ou uma assinatura paga.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p>Quando falamos de "voto direto", tradicionalmente nos referimos &#224; sua escolha de representantes sem intermedi&#225;rios pol&#237;ticos. No entanto, em sistemas eletr&#244;nicos sem verifica&#231;&#227;o sensorial, surge uma intermedia&#231;&#227;o t&#233;cnica invis&#237;vel entre voc&#234; e o resultado da elei&#231;&#227;o. Seu voto &#233; processado por software que voc&#234; n&#227;o pode auditar, e o resultado depende da sua confian&#231;a no sistema e nos servidores p&#250;blicos que desenvolvem e operam o sistema, sem controle externo independente, n&#227;o de uma comprova&#231;&#227;o concreta que voc&#234; pode verificar.</p><p>Importantes precedentes internacionais reconhecem essa limita&#231;&#227;o. O Tribunal Constitucional Federal da Alemanha, em decis&#227;o de 2009, considerou que sistemas eletr&#244;nicos de vota&#231;&#227;o sem verifica&#231;&#227;o violam o princ&#237;pio do voto direto garantido na Constitui&#231;&#227;o<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-3" href="#footnote-3" target="_self">3</a>. Decis&#245;es similares foram tomadas por tribunais da Holanda (2007)<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-4" href="#footnote-4" target="_self">4</a>, Irlanda (2012) e outros pa&#237;ses. Esses precedentes demonstram que a quest&#227;o da verificabilidade n&#227;o &#233; meramente t&#233;cnica, mas constitucional.</p><h3>Seu direito ao plebiscito e &#224; legitimidade democr&#225;tica</h3><p>O plebiscito &#233; uma ferramenta constitucional<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-5" href="#footnote-5" target="_self">5</a> que permite a voc&#234; e ao povo brasileiro deliberar diretamente sobre temas de alta relev&#226;ncia. A Lei 9.709/1998<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-6" href="#footnote-6" target="_self">6</a> regula sua convoca&#231;&#227;o, que deve ser feita pelo Congresso Nacional<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-7" href="#footnote-7" target="_self">7</a>. Permitir que voc&#234; e todos os brasileiros decidam, por voto direto e soberano, como querem que seu pr&#243;prio voto seja registrado e contado representa a ess&#234;ncia da democracia participativa.</p><p>Pesquisas indicam que a confian&#231;a nas institui&#231;&#245;es eleitorais varia significativamente entre pa&#237;ses que adotam diferentes sistemas de vota&#231;&#227;o<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-8" href="#footnote-8" target="_self">8</a>. No Brasil, dados do Informe Latinobar&#243;metro 2024 revelam preocupa&#231;&#245;es significativas sobre a sa&#250;de democr&#225;tica, com 64% dos brasileiros considerando que a liberdade de express&#227;o n&#227;o &#233; adequadamente garantida e 62% relatando que n&#227;o expressam livremente suas opini&#245;es sobre problemas do pa&#237;s<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-9" href="#footnote-9" target="_self">9</a>.</p><h3>An&#225;lise comparativa dos sistemas: suas op&#231;&#245;es de voto</h3><h3>Primeira op&#231;&#227;o: seu voto em c&#233;dula de papel</h3><p>O modelo tradicional que voc&#234; pode escolher utiliza c&#233;dulas de papel. Voc&#234; preencheria manualmente sua escolha, depositaria em urna transparente, e os votos seriam contados publicamente. Este modelo oferece m&#225;xima verificabilidade e controle social, permitindo que voc&#234; acompanhe todas as etapas do processo.</p><p><strong>Vantagens para voc&#234;</strong>: Transpar&#234;ncia total, auditabilidade completa que voc&#234; pode verificar, resist&#234;ncia a ataques cibern&#233;ticos, baixo custo tecnol&#243;gico. Apura&#231;&#227;o distribu&#237;da gera m&#225;xima robustez estat&#237;stica.</p><p><strong>Desafios para o pa&#237;s</strong>: Demanda log&#237;stica robusta, maior tempo de apura&#231;&#227;o, vulnerabilidade a fraudes f&#237;sicas, custos operacionais elevados em pa&#237;ses continentais<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-10" href="#footnote-10" target="_self">10</a>.</p><h3>Segunda op&#231;&#227;o: seu voto eletr&#244;nico com comprovante impresso</h3><p>O modelo h&#237;brido que voc&#234; pode escolher combina tecnologia e transpar&#234;ncia. Voc&#234; faria sua escolha na urna eletr&#244;nica, que imprimiria um registro vis&#237;vel e an&#244;nimo do seu voto. Voc&#234; conferiria esse comprovante antes de ele ser depositado automaticamente em urna lacrada. Em caso de d&#250;vida, seria poss&#237;vel recontar os votos f&#237;sicos.</p><p>Este sistema foi aprovado cinco vezes no Congresso Nacional, mas sua implementa&#231;&#227;o foi suspensa duas vezes pelo Supremo<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-11" href="#footnote-11" target="_self">11</a>. Pa&#237;ses como &#205;ndia<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-12" href="#footnote-12" target="_self">12</a>, Filipinas<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-13" href="#footnote-13" target="_self">13</a>, Venezuela<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-14" href="#footnote-14" target="_self">14</a> alguns estados norte-americanos adotaram vers&#245;es deste modelo com resultados positivos.</p><p><strong>Vantagens para voc&#234;</strong>: Equilibra efici&#234;ncia e transpar&#234;ncia, permite auditoria f&#237;sica que voc&#234; pode acompanhar, mant&#233;m rapidez na apura&#231;&#227;o preliminar.</p><p><strong>Desafios para implementa&#231;&#227;o</strong>: Custos de implementa&#231;&#227;o, complexidade t&#233;cnica adicional, necessidade de treinamento dos mes&#225;rios.</p><h3>Terceira op&#231;&#227;o: seu voto eletr&#244;nico com verifica&#231;&#227;o digital</h3><p>O modelo atualmente utilizado no Brasil, baseado em urnas DRE (Direct Recording Electronic), oferece rapidez e efici&#234;ncia operacional<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-15" href="#footnote-15" target="_self">15</a>. Ap&#243;s d&#233;cadas de uso, demonstrou resist&#234;ncia a fraudes f&#237;sicas e contribuiu para a redu&#231;&#227;o significativa de votos nulos e brancos.</p><p><strong>Vantagens para voc&#234;</strong>: Rapidez na apura&#231;&#227;o, economia de papel, redu&#231;&#227;o de erros de preenchimento, facilidade para pessoas com defici&#234;ncia visual.</p><p><strong>Limita&#231;&#245;es para sua verifica&#231;&#227;o</strong>: Voc&#234; n&#227;o pode verificar o seu voto, nem a contagem p&#250;blica, voc&#234; tem que confiar no sistema e nos servidores p&#250;blicos do TSE, riscos e vulnerabilidades identificados pelo TCU<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-16" href="#footnote-16" target="_self">16</a>.</p><h3>Experi&#234;ncias internacionais: o que outros povos escolheram</h3><p>A an&#225;lise de diferentes pa&#237;ses revela que n&#227;o existe um modelo &#250;nico ideal. Os Estados Unidos combinam diversos sistemas conforme a legisla&#231;&#227;o estadual<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-17" href="#footnote-17" target="_self">17</a>. A Est&#244;nia &#233; pioneira no voto eletr&#244;nico com assinatura digital, mas mant&#233;m a op&#231;&#227;o de voto presencial<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-18" href="#footnote-18" target="_self">18</a>. A &#205;ndia utiliza urnas eletr&#244;nicas com trilha de auditoria impressa para verifica&#231;&#227;o do voto (VVPAT) ap&#243;s press&#245;es da sociedade<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-19" href="#footnote-19" target="_self">19</a>.</p><p>Estudos comparativos mostram que a confian&#231;a p&#250;blica no sistema eleitoral resulta mais da transpar&#234;ncia do processo do que da tecnologia espec&#237;fica utilizada<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-20" href="#footnote-20" target="_self">20</a>.</p><h3>O novo C&#243;digo Eleitoral: por que voc&#234; precisa dizer como quer o seu voto direto</h3><p>O Projeto de Lei Complementar n.&#186; 112/2021<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-21" href="#footnote-21" target="_self">21</a>, que prop&#245;e o novo C&#243;digo Eleitoral, apresenta lacunas quanto &#224; exig&#234;ncia de voto verific&#225;vel. Caso aprovado sem modifica&#231;&#245;es, poder&#225; consolidar, sem que voc&#234; tenha voz no debate, um modelo de vota&#231;&#227;o que n&#227;o permite recontagem f&#237;sica nem controle social direto.</p><p>Ademais, o projeto cont&#233;m dispositivos que podem restringir a convoca&#231;&#227;o de plebiscitos sobre quest&#245;es eleitorais<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-22" href="#footnote-22" target="_self">22</a>, violando o princ&#237;pio da soberania popular e reduzindo os instrumentos de democracia direta previstos na Constitui&#231;&#227;o.</p><h3>Minha proposta de plebiscito: suas tr&#234;s op&#231;&#245;es claras</h3><p>Proponho um plebiscito nacional que apresente tr&#234;s op&#231;&#245;es claras para voc&#234;:</p><ol><li><p><strong>Seu voto em c&#233;dula de papel</strong>: Sistema tradicional com contagem p&#250;blica e transparente que voc&#234; pode acompanhar.</p></li><li><p><strong>Seu voto eletr&#244;nico com comprovante impresso</strong>: Sistema h&#237;brido que adota a tecnologia, mas permite a voc&#234; verificar o comprovante impresso do seu voto.</p></li><li><p><strong>Seu voto eletr&#244;nico com verifica&#231;&#227;o digital</strong>: Sistema baseado em assinatura digital ICP-Brasil<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-23" href="#footnote-23" target="_self">23</a>,  que permite a voc&#234; conferir o documento eletr&#244;nico que registra o seu voto.</p></li></ol><h3>Conclus&#227;o: a decis&#227;o &#233; sua</h3><p>A decis&#227;o sobre como voc&#234; vota deve caber a voc&#234;. Esta proposta de plebiscito sobre a forma do seu voto direto n&#227;o &#233; ideol&#243;gica nem partid&#225;ria &#8212; &#233; uma reivindica&#231;&#227;o democr&#225;tica leg&#237;tima, fundamentada na Constitui&#231;&#227;o e em experi&#234;ncias internacionais.</p><p>Voc&#234; tem o direito garantido na Constitui&#231;&#227;o de escolher como quer exercer o seu voto direto, avaliando as vantagens e limita&#231;&#245;es de cada alternativa. Sua soberania popular n&#227;o pode ser decidida por outras pessoas: ela precisa ser exercida, conferida e validada atrav&#233;s de mecanismos transparentes e verific&#225;veis.</p><p>O voto &#233; seu. A decis&#227;o sobre como exerc&#234;-lo tamb&#233;m deve ser sua.</p><h3>Refer&#234;ncias</h3><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-1" href="#footnote-anchor-1" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">1</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://normas.leg.br/?urn=urn:lex:br:federal:constituicao:1988-10-05;1988!art14">Art. 14. da Constitui&#231;&#227;o da Rep&#250;blica Federativa do Brasil</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-2" href="#footnote-anchor-2" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">2</a><div class="footnote-content"><p><a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm">Constitui&#231;&#227;o da Rep&#250;blica Federativa do Brasil de 1988</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-3" href="#footnote-anchor-3" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">3</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://www-bundesverfassungsgericht-de.translate.goog/SharedDocs/Entscheidungen/EN/2009/03/cs20090303_2bvc000307en.html?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt-BR">Lei Fundamental da Alemanha (Grundgesetz), art. 20 e jurisprud&#234;ncia BVerfG 2 BvC 3/07</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-4" href="#footnote-anchor-4" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">4</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://www.electoralintegrityproject.com/s/Panel-6-Netherlands.pdf">Electoral reform in the Netherlands; the case of e-voting</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-5" href="#footnote-anchor-5" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">5</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://normas.leg.br/?urn=urn:lex:br:federal:constituicao:1988-10-05;1988!art14">Art. 14. da Constitui&#231;&#227;o da Rep&#250;blica Federativa do Brasil</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-6" href="#footnote-anchor-6" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">6</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9709.htm">Lei 9.709, de 18 de novembro de 1998</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-7" href="#footnote-anchor-7" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">7</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10705286/inciso-xv-do-artigo-49-da-constituicao-federal-de-1988">Inciso XV, art. 49 da Constitui&#231;&#227;o Federal, de 1988</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-8" href="#footnote-anchor-8" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">8</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://www.cambridge.org/core/books/why-electoral-integrity-matters/3B5036F5F21D99425CE5BB1C54002D82">NORRIS, Pippa. Why Electoral Integrity Matters. Cambridge University Press, 2014</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-9" href="#footnote-anchor-9" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">9</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://www.inep.org/images/2024/TXT/Latinobarometro-Informe_2024.pdf">Informe Latinobar&#243;metro 2024. La Democracia Resiliente. Santiago: Latinobar&#243;metro, 2024</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-10" href="#footnote-anchor-10" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">10</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://www.idea.int/sites/default/files/publications/adoption-of-voting-technology.pdf">Adoption of Voting Technology. A Guide for Electoral Stakeholders in Indonesia.</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-11" href="#footnote-anchor-11" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">11</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/lei/l12034.htm">Lei 12.034, de 29 de setembro de 2009</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-12" href="#footnote-anchor-12" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">12</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://www.eci.gov.in/evm-vvpat">Election Commission of India. VVPAT Implementation.</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-13" href="#footnote-anchor-13" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">13</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://www.rappler.com/newsbreak/iq/91663-philippine-automated-election-sytem-explained/">How the Philippine automated election system works</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-14" href="#footnote-anchor-14" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">14</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://www.smartmatic.com/pt/noticias/carter-declara-que-o-processo-eleitoral-na-venezuela-e-o-melhor-do-mundo/">Carter declara que o processo eleitoral na Venezuela &#233; &#8220;o melhor do mundo&#8221;</a></p><p></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-15" href="#footnote-anchor-15" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">15</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://www.tse.jus.br/comunicacao/noticias/2025/Janeiro/conheca-a-evolucao-da-urna-eletronica-de-1996-a-2024">Conhe&#231;a a evolu&#231;&#227;o da urna eletr&#244;nica: de 1996 a 2024</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-16" href="#footnote-anchor-16" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">16</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://www.kas.de/documents/265553/265602/7_file_storage_file_13775_5.pdf/9074b969-5185-31c9-27e5-f1dd245618c4">ARANHA, Diego et al. (In)Seguran&#231;a do voto eletr&#244;nico no Brasil</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-17" href="#footnote-anchor-17" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">17</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://verifiedvoting.org/verifier/">The Verifier &#8211; Polling Place Equipment</a> </p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-18" href="#footnote-anchor-18" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">18</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://www.valimised.ee/en/estonian-elections-nutshell/right-vote">Estonian elections in a nutshell</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-19" href="#footnote-anchor-19" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">19</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://www.eci.gov.in/evm-vvpat">Election Commission of India. VVPAT Implementation.</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-20" href="#footnote-anchor-20" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">20</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://www.jstor.org/stable/j.ctt7ss68">Electronic Elections: The Perils and Promises of Digital Democracy</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-21" href="#footnote-anchor-21" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">21</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/149849">Projeto de Lei Complementar n&#176; 112, de 2021</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-22" href="#footnote-anchor-22" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">22</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://legis.senado.leg.br/sdleg-getter/documento?dm=9971401&amp;ts=1750797059477&amp;disposition=inline">Emenda do Senador Mecias de Jesus ao PLP n&#176; 112, de 2021</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-23" href="#footnote-anchor-23" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">23</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://www.gov.br/iti/pt-br/assuntos/icp-brasil">Infraestrutura de Chaves P&#250;blicas Brasileira - ICP-Brasil</a></p></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Por que o TSE emite certificados digitais ilegais fora da ICP-Brasil?]]></title><description><![CDATA[Documentos oficiais revelam que o TSE mant&#233;m um sistema paralelo de certifica&#231;&#227;o digital contrariando a legisla&#231;&#227;o federal que obriga uso exclusivo da ICP-Brasil]]></description><link>https://voto.legal/p/por-que-o-tse-emite-certificados</link><guid isPermaLink="false">https://voto.legal/p/por-que-o-tse-emite-certificados</guid><dc:creator><![CDATA[Voto Legal]]></dc:creator><pubDate>Thu, 03 Jul 2025 23:57:42 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!DVpU!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F26abf999-d047-45c7-9ea0-4e417a3a174b_1920x1080.avif" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<h3>Metodologia e Contexto</h3><p>Esta an&#225;lise baseia-se em documetos oficiais e publica&#231;&#245;es do Tribunal Superior Eleitoral (TSE)<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-1" href="#footnote-1" target="_self">1</a>, em um parecer da Procuradoria Federal Especializada da Advocacia-Geral da Uni&#227;o no ITI<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-2" href="#footnote-2" target="_self">2</a> e na legisla&#231;&#227;o federal<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-3" href="#footnote-3" target="_self">3</a>. A quest&#227;o ganha relev&#226;ncia com a iminente vota&#231;&#227;o do novo C&#243;digo Eleitoral no Senado Federal, agendada para 9 de julho de 2025<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-4" href="#footnote-4" target="_self">4</a>, que representa uma oportunidade hist&#243;rica para regularizar uma situa&#231;&#227;o que perdura h&#225; mais de duas d&#233;cadas.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!DVpU!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F26abf999-d047-45c7-9ea0-4e417a3a174b_1920x1080.avif" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" 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src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!DVpU!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F26abf999-d047-45c7-9ea0-4e417a3a174b_1920x1080.avif" width="1456" height="819" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/26abf999-d047-45c7-9ea0-4e417a3a174b_1920x1080.avif&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:819,&quot;width&quot;:1456,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:31343,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/avif&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:false,&quot;topImage&quot;:true,&quot;internalRedirect&quot;:&quot;https://voto.legal/i/167383733?img=https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F26abf999-d047-45c7-9ea0-4e417a3a174b_1920x1080.avif&quot;,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" 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class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><h3>O marco legal sem margem para interpreta&#231;&#227;o</h3><p>Uma an&#225;lise de documentos oficiais e declara&#231;&#245;es p&#250;blicas do Tribunal Superior Eleitoral revela uma contradi&#231;&#227;o fundamental no sistema de certifica&#231;&#227;o digital das urnas eletr&#244;nicas brasileiras. Enquanto a legisla&#231;&#227;o federal determina o uso exclusivo da Infraestrutura de Chaves P&#250;blicas Brasileira (ICP-Brasil)<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-5" href="#footnote-5" target="_self">5</a> para todos os &#243;rg&#227;os da Administra&#231;&#227;o P&#250;blica Federal, o TSE mant&#233;m um sistema paralelo de certifica&#231;&#227;o h&#225; mais de duas d&#233;cadas.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://voto.legal/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Integridade Eleitoral &#233; uma publica&#231;&#227;o apoiada pelos leitores. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se uma assinatura gratuita ou uma assinatura paga.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p>Desde 2001, a Medida Provis&#243;ria n&#186; 2.200-2 estabeleceu a ICP-Brasil como o &#250;nico sistema oficial de certifica&#231;&#227;o digital no pa&#237;s. A norma &#233; expressa: somente documentos eletr&#244;nicos assinados com certificados digitais emitidos no &#226;mbito da ICP-Brasil possuem presun&#231;&#227;o legal de veracidade em atos p&#250;blicos. Diversos &#243;rg&#227;os da Administra&#231;&#227;o P&#250;blica Federal<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-6" href="#footnote-6" target="_self">6</a> seguem rigorosamente essa determina&#231;&#227;o, incluindo Banco do Brasil, Defesa, Inmetro, Presid&#234;ncia da Rep&#250;blica, Receita Federal, Serpro e dezenas de outras entidades que operam suas autoridades certificadoras dentro do framework da ICP-Brasil.</p><p>O Parecer da Procuradoria Federal junto ao ITI/AGU estabelece claramente:</p><p><em>"Tratando-se de certifica&#231;&#227;o digital, os &#243;rg&#227;os e entidades da Administra&#231;&#227;o P&#250;blica Federal devem,obrigat&#243;ria e exclusivamente, se utilizar da certifica&#231;&#227;o digital provida no &#226;mbito da ICP-Brasil. Em consequ&#234;ncia, qualquer outra esp&#233;cie de certifica&#231;&#227;o digital encontra-se, por for&#231;a de expressa determina&#231;&#227;o regulamentar, vedada &#224; Administra&#231;&#227;o P&#250;blica Federal."</em><a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-7" href="#footnote-7" target="_self">7</a></p><p>O texto legal aplic&#225;vel &#233; igualmente claro:</p><p><em>"As declara&#231;&#245;es constantes dos documentos em forma eletr&#244;nica produzidos com a utiliza&#231;&#227;o de processo de certifica&#231;&#227;o disponibilizado pela ICP-Brasil presumem-se verdadeiros em rela&#231;&#227;o aos signat&#225;rios".</em><a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-8" href="#footnote-8" target="_self">8</a></p><h3>O sistema paralelo: uma escolha institucional</h3><p>Apesar do marco legal inequ&#237;voco, o TSE mant&#233;m uma infraestrutura pr&#243;pria de certifica&#231;&#227;o digital &#8212; a Autoridade Certificadora das Urnas Eletr&#244;nicas (AC-Urna)<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-9" href="#footnote-9" target="_self">9</a> &#8212; que opera independentemente da ICP-Brasil. Esta autoridade certificadora emite todos os certificados digitais utilizados nas urnas eletr&#244;nicas para assinar documentos eletr&#244;nicos cr&#237;ticos do processo eleitoral<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-10" href="#footnote-10" target="_self">10</a>:</p><ul><li><p>Zer&#233;sima (comprovante de que a urna estava zerada antes da vota&#231;&#227;o)</p></li><li><p>Boletim de Urna (BU)</p></li><li><p>Registro Digital do Voto (RDV)</p></li><li><p>Log de Urna</p></li></ul><p>O pr&#243;prio TSE reconheceu publicamente essa situa&#231;&#227;o em 2021, quando declarou que "O TSE pretende ainda futuramente adequar sua Autoridade Certificadora das Urnas Eletr&#244;nicas tamb&#233;m aos padr&#245;es ICP-Brasil, para ser subordinada &#224; cadeia v7 (E-521).<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-11" href="#footnote-11" target="_self">11</a>" Esta declara&#231;&#227;o confirma que os t&#233;cnicos da Corte Eleitoral t&#234;m consci&#234;ncia de que operam fora do framework legal estabelecido.</p><h3>A tentativa de regulariza&#231;&#227;o que n&#227;o avan&#231;ou</h3><p>Em 2017, o TSE assinou um Acordo de Coopera&#231;&#227;o T&#233;cnica com o Instituto Nacional de Tecnologia da Informa&#231;&#227;o (ITI)<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-12" href="#footnote-12" target="_self">12</a> para credenciar a AC-Urna dentro dos padr&#245;es da ICP-Brasil. O projeto visava "<strong>o aprimoramento da Autoridade Certificadora das Urnas Eletr&#244;nicas (AC-Urna) e o apoio t&#233;cnico para a eventual implanta&#231;&#227;o de Autoridade Certificadora da Justi&#231;a Eleitoral padr&#227;o ICP-Brasil</strong>".</p><p>Ap&#243;s oito anos, a AC-Urna continua fora da ICP-Brasil, sem explica&#231;&#245;es p&#250;blicas detalhadas sobre os motivos. Esta situa&#231;&#227;o sugere que a manuten&#231;&#227;o do sistema paralelo representa uma escolha institucional consciente, independentemente das exig&#234;ncias legais.</p><h3>Comunica&#231;&#227;o t&#233;cnica e transpar&#234;ncia</h3><p>O TSE frequentemente comunica que suas urnas "contam com certifica&#231;&#227;o da ICP-Brasil&#8221;, referindo-se exclusivamente ao hardware &#8212; chips e algoritmos criptogr&#225;ficos. Esta &#233; uma distin&#231;&#227;o t&#233;cnica importante que pode gerar interpreta&#231;&#245;es amb&#237;guas sobre a real situa&#231;&#227;o jur&#237;dica do sistema de certifica&#231;&#227;o.</p><p>Quando a Corte Eleitoral anuncia que "Novas urnas eletr&#244;nicas contar&#227;o com certifica&#231;&#227;o da ICP-Brasil"<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-13" href="#footnote-13" target="_self">13</a>, a certifica&#231;&#227;o refere-se aos requisitos t&#233;cnicos do hardware, n&#227;o aos certificados digitais emitidos pela AC-Urna<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-14" href="#footnote-14" target="_self">14</a>. Esta distin&#231;&#227;o &#233; fundamental: <strong>certificar hardware &#233; diferente de certificar a autoridade certificadora que emite os certificados digitais das urnas</strong>.</p><h3>Implica&#231;&#245;es pr&#225;ticas da n&#227;o conformidade</h3><p>A opera&#231;&#227;o da AC-Urna fora da ICP-Brasil gera quest&#245;es concretas:</p><p><strong>Validade jur&#237;dica</strong>: Segundo a MP 2.200-2, Art. 10, &#167; 1&#186;<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-15" href="#footnote-15" target="_self">15</a>, apenas documentos eletr&#244;nicos assinados com certificados ICP-Brasil gozam de presun&#231;&#227;o legal de veracidade &#8212; os documentos da urna eletr&#244;nica n&#227;o disp&#245;em dessa presun&#231;&#227;o legal.</p><p><strong>Auditoria independente</strong>: Terceiros interessados n&#227;o conseguem validar os documentos eletr&#244;nicos gerados pela urna pelos mecanismos p&#250;blicos e transparentes da ICP-Brasil<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-16" href="#footnote-16" target="_self">16</a>.</p><p><strong>Controle externo</strong>: A AC-Urna n&#227;o passa por auditorias externas exigidas pelo ITI e n&#227;o publica a Declara&#231;&#227;o de Pr&#225;ticas de Certifica&#231;&#227;o (DPC)<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-17" href="#footnote-17" target="_self">17</a>, documento t&#233;cnico que descreve procedimentos de seguran&#231;a.</p><h3>Solu&#231;&#245;es t&#233;cnicas dispon&#237;veis</h3><p>Existem duas vias principais para regularizar a situa&#231;&#227;o:</p><ol><li><p><strong>Credenciar a AC-Urna na ICP-Brasil</strong><a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-18" href="#footnote-18" target="_self">18</a>, submetendo-se a auditorias externas, publicando o DPC e aderindo &#224;s normas t&#233;cnicas do ITI.</p></li><li><p><strong>Adquirir certificados de autoridades j&#225; credenciadas</strong> na ICP-Brasil<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-19" href="#footnote-19" target="_self">19</a>, garantindo conformidade legal imediata.</p></li></ol><p>Ambas as solu&#231;&#245;es s&#227;o tecnicamente vi&#225;veis e juridicamente necess&#225;rias.</p><h3>Oportunidade hist&#243;rica no Senado Federal</h3><p>Na pr&#243;xima quarta-feira (9 de julho), os senadores da Comiss&#227;o de Constitui&#231;&#227;o e Justi&#231;a (CCJ) votar&#227;o o novo C&#243;digo Eleitoral<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-20" href="#footnote-20" target="_self">20</a>. Esta representa uma oportunidade hist&#243;rica para corrigir uma situa&#231;&#227;o que perdura h&#225; 24 anos.</p><p>O novo C&#243;digo Eleitoral j&#225; prev&#234; regulamenta&#231;&#227;o espec&#237;fica para auditoria das urnas eletr&#244;nicas, assegurando a diversas institui&#231;&#245;es o direito de fiscaliza&#231;&#227;o dos c&#243;digos-fonte, softwares e sistemas eletr&#244;nicos de vota&#231;&#227;o. Este &#233; o momento apropriado para incluir dispositivos que garantam a conformidade com a ICP-Brasil.</p><h3>A quest&#227;o institucional de fundo</h3><p>O caso da AC-Urna ilustra uma quest&#227;o institucional mais ampla: como garantir que o &#243;rg&#227;o respons&#225;vel pela legitimidade do processo eleitoral opere dentro da pr&#243;pria legalidade? A Justi&#231;a Eleitoral n&#227;o pode simultaneamente exigir conformidade legal de candidatos e partidos enquanto mant&#233;m sistemas pr&#243;prios em situa&#231;&#227;o de n&#227;o conformidade.</p><p>A adequa&#231;&#227;o &#224; ICP-Brasil n&#227;o representa interfer&#234;ncia na autonomia da Justi&#231;a Eleitoral, mas sim o cumprimento de obriga&#231;&#245;es legais que se aplicam a todos os &#243;rg&#227;os da Administra&#231;&#227;o P&#250;blica Federal.</p><h3>Recomenda&#231;&#245;es para o novo C&#243;digo Eleitoral</h3><p>Para corrigir definitivamente essa situa&#231;&#227;o, o novo C&#243;digo Eleitoral deveria estabelecer:</p><ul><li><p><strong>Prazo determinado</strong> para credenciamento da AC-Urna na ICP-Brasil</p></li><li><p><strong>Obrigatoriedade</strong> de auditoria externa dos sistemas de certifica&#231;&#227;o</p></li><li><p><strong>Publica&#231;&#227;o obrigat&#243;ria</strong> da Declara&#231;&#227;o de Pr&#225;ticas de Certifica&#231;&#227;o</p></li><li><p><strong>Conformidade legal</strong> de todos os documentos eletr&#244;nicos gerados no processo eleitoral</p></li></ul><h3>Conclus&#227;o: legalidade como fundamento da transpar&#234;ncia</h3><p>Vinte e quatro anos ap&#243;s a cria&#231;&#227;o da ICP-Brasil, a regulariza&#231;&#227;o da situa&#231;&#227;o da AC-Urna permanece pendente. Esta quest&#227;o compromete n&#227;o apenas a seguran&#231;a jur&#237;dica dos atos eleitorais, mas tamb&#233;m a credibilidade institucional da Justi&#231;a Eleitoral.</p><p>Em um momento em que a confian&#231;a nas institui&#231;&#245;es democr&#225;ticas &#233; constantemente testada, manter sistemas paralelos de certifica&#231;&#227;o representa um risco institucional desnecess&#225;rio. A solu&#231;&#227;o existe, &#233; tecnicamente vi&#225;vel e &#233; legalmente obrigat&#243;ria.</p><p>A vota&#231;&#227;o do novo C&#243;digo Eleitoral no Senado Federal oferece uma oportunidade hist&#243;rica para que a legisla&#231;&#227;o estabele&#231;a claramente os par&#226;metros de conformidade legal, garantindo que o sistema eleitoral brasileiro opere dentro dos marcos legais que regem toda a Administra&#231;&#227;o P&#250;blica.</p><p>A transpar&#234;ncia e a confiabilidade do processo eleitoral come&#231;am com o respeito &#224;s pr&#243;prias normas legais. Esta &#233; a oportunidade para que o Congresso Nacional garanta que a Justi&#231;a Eleitoral aplique a si mesma os mesmos padr&#245;es de legalidade que exige de todos os demais atores do processo democr&#225;tico.</p><h3>Refer&#234;ncias</h3><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-1" href="#footnote-anchor-1" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">1</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://www.tse.jus.br/comunicacao/noticias/2017/Novembro/acordo-entre-iti-e-justica-eleitoral-garante-mais-seguranca-a-urna-eletronica-e-a-emissao-de-certificados-digitais">Acordo entre ITI e Justi&#231;a Eleitoral d&#225; mais seguran&#231;a &#224; urna eletr&#244;nica e aos certificados digitais</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-2" href="#footnote-anchor-2" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">2</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://www.gov.br/iti/pt-br/central-de-conteudo/parecer-agu-pdf">Parecer n&#186; 00378/2019/PROFE/PFE-ITI/PGF/AGU</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-3" href="#footnote-anchor-3" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">3</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/lei/l14063.htm">Lei N&#186; 14.063, de 23 de setembro de 2020</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-4" href="#footnote-anchor-4" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">4</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2025/06/26/na-pauta-da-ccj-novo-codigo-eleitoral-regula-uso-de-ia-em-campanha">Na pauta da CCJ, novo C&#243;digo Eleitoral regula uso de IA em campanha</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-5" href="#footnote-anchor-5" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">5</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://www.gov.br/iti/pt-br/assuntos/icp-brasil">Infraestrutura de Chaves P&#250;blicas Brasileira (ICP-Brasil)</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-6" href="#footnote-anchor-6" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">6</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://www.gov.br/iti/pt-br/assuntos/repositorio/cadeias-da-icp-brasil">Cadeias da ICP-Brasil</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-7" href="#footnote-anchor-7" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">7</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://www.gov.br/iti/pt-br/central-de-conteudo/parecer-agu-pdf">Parecer n&#186; 00378/2019/PROFE/PFE-ITI/PGF/AGU</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-8" href="#footnote-anchor-8" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">8</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://www.jusbrasil.com.br/topicos/11335132/paragrafo-1-artigo-10-da-medida-provisoria-n-2200-2-de-24-de-agosto-de-2001">Artigo 10, &#167; 1&#186; da Medida Provis&#243;ria 2.200-2 de 2001</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-9" href="#footnote-anchor-9" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">9</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://www.tse.jus.br/comunicacao/noticias/2017/Novembro/acordo-entre-iti-e-justica-eleitoral-garante-mais-seguranca-a-urna-eletronica-e-a-emissao-de-certificados-digitais">Autoridade Certificadora das Urnas Eletr&#244;nicas (AC-Urna)</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-10" href="#footnote-anchor-10" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">10</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://g1.globo.com/politica/noticia/2022/11/23/urnas-eletronicas-tem-certificados-digitais-individuais-e-codigos-unicos-para-identificar-cada-equipamento-veja-detalhes.ghtml#02">Urnas eletr&#244;nicas t&#234;m certificados digitais individuais e c&#243;digos &#250;nicos para identificar cada equipamento</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-11" href="#footnote-anchor-11" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">11</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://www.tse.jus.br/comunicacao/noticias/2021/Julho/novas-urnas-eletronicas-contarao-com-certificacao-da-icp-brasil">Novas urnas eletr&#244;nicas contar&#227;o com certifica&#231;&#227;o da ICP-Brasil</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-12" href="#footnote-anchor-12" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">12</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://www.gov.br/casacivil/pt-br/assuntos/noticias/2017/novembro/casa-civil-iti-e-tse-firmam-acordo-para-aprimorar-seguranca-da-certificacao-digital">Casa Civil, ITI e TSE firmam acordo para aprimorar seguran&#231;a da certifica&#231;&#227;o digital</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-13" href="#footnote-anchor-13" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">13</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://www.tse.jus.br/comunicacao/noticias/2021/Julho/novas-urnas-eletronicas-contarao-com-certificacao-da-icp-brasil">Novas urnas eletr&#244;nicas contar&#227;o com certifica&#231;&#227;o da ICP-Brasil</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-14" href="#footnote-anchor-14" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">14</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://www.tse.jus.br/transparencia-e-prestacao-de-contas/licitacoes-e-contratos/arquivos-edital-1-2021/1-22-anexo-iv-especificacoes-tecnicas-seguranca/%40%40download/file/Anexo_IV___Especificacoes_Tecnicas___Seguranca.pdf?utm_source=chatgpt.com">Urna Eletr&#244;nica UE2022. Anexo IV &#8211; Especifica&#231;&#245;es T&#233;cnicas - Seguran&#231;a</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-15" href="#footnote-anchor-15" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">15</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://www.jusbrasil.com.br/topicos/11335132/paragrafo-1-artigo-10-da-medida-provisoria-n-2200-2-de-24-de-agosto-de-2001">Artigo 10, &#167; 1&#186; da Medida Provis&#243;ria 2.200-2 de 2001</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-16" href="#footnote-anchor-16" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">16</a><div class="footnote-content"><p><a href="http://www.brunazo.eng.br/voto-e/textos/WTE15_AuditoriaEleicao2014.pdf">Auditoria Especial no Sistema Eleitoral 2014 - PSDB</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-17" href="#footnote-anchor-17" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">17</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://www.gov.br/iti/pt-br/centrais-de-conteudo/artigos/dpc-um-guia-pratico-na-emissao-de-certificados-icp-brasil">DPC &#8211; Um Guia Pr&#225;tico na Emiss&#227;o de Certificados ICP-Brasil</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-18" href="#footnote-anchor-18" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">18</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://www.gov.br/iti/pt-br/assuntos/legislacao/documentos-principais/resolucao177_doc-icp-05_compilada.pdf">Requisitos M&#237;nimos para as Declara&#231;&#245;es de Pr&#225;ticas de Certifica&#231;&#227;o das Autoridades Certificadoras da ICP-Brasil</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-19" href="#footnote-anchor-19" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">19</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://ancd.org.br/icp-brasil/">Associa&#231;&#227;o Nacional de Certifica&#231;&#227;o Digital (ANCD)</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-20" href="#footnote-anchor-20" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">20</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://www12.senado.leg.br/radio/1/noticia/2025/06/11/ccj-marca-para-julho-votacao-de-novo-codigo-eleitoral">CCJ marca para julho vota&#231;&#227;o de novo C&#243;digo Eleitoral</a></p></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Como resolver o impasse da urna eletrônica no Brasil]]></title><description><![CDATA[Por que n&#227;o conseguimos ter voto audit&#225;vel no Brasil? Uma escolha t&#233;cnica cria um dilema constitucional: a urna eletr&#244;nica armazena dados do eleitor no mesmo equipamento que coleta seus votos.]]></description><link>https://voto.legal/p/como-resolver-o-impasse-da-urna-eletronica</link><guid isPermaLink="false">https://voto.legal/p/como-resolver-o-impasse-da-urna-eletronica</guid><dc:creator><![CDATA[Voto Legal]]></dc:creator><pubDate>Tue, 01 Jul 2025 18:42:24 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!x-c-!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F77b53215-565e-4a40-90e9-c76c2fed5c40_1024x1024.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!x-c-!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F77b53215-565e-4a40-90e9-c76c2fed5c40_1024x1024.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!x-c-!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F77b53215-565e-4a40-90e9-c76c2fed5c40_1024x1024.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!x-c-!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F77b53215-565e-4a40-90e9-c76c2fed5c40_1024x1024.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!x-c-!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F77b53215-565e-4a40-90e9-c76c2fed5c40_1024x1024.png 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class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" 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O Supremo Tribunal Federal j&#225; decidiu duas vezes que a impress&#227;o do voto &#233; inconstitucional neste modelo atual.</p><p>O argumento do STF foi claro: caso ocorra uma falha no equipamento, a identidade do eleitor seria exposta ao lado do conte&#250;do do seu voto. Uma viola&#231;&#227;o constitucional que inviabiliza qualquer forma de auditoria com papel.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://voto.legal/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Integridade Eleitoral &#233; uma publica&#231;&#227;o apoiada pelos leitores. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se uma assinatura gratuita ou uma assinatura paga.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p>Especialistas como Diego Aranha (ex-UNICAMP) j&#225; demonstraram que os arquivos atuais da urna cont&#234;m informa&#231;&#245;es que permitiriam tra&#231;ar perfis e, em certas circunst&#226;ncias, reconstruir sequ&#234;ncias de vota&#231;&#227;o. O risco n&#227;o &#233; te&#243;rico, &#233; real e operacional.</p><h3>A solu&#231;&#227;o: urnas sem dados pessoais</h3><p>Para resolver esse impasse, &#233; necess&#225;rio remover da urna os dados dos eleitores e realizar a identifica&#231;&#227;o e autentica&#231;&#227;o de outra forma. A proposta &#233; revolucion&#225;ria em sua simplicidade.</p><p><strong>Como funcionaria</strong>: identifica-se o eleitor em um sistema separado, que emite uma autoriza&#231;&#227;o an&#244;nima para ele votar. Com essa autoriza&#231;&#227;o, ele acessa uma urna qualquer, entre v&#225;rias dispon&#237;veis no local de vota&#231;&#227;o.</p><p><strong>O resultado</strong>: todas as urnas seriam iguais em cada estado, realizando uma vota&#231;&#227;o completamente an&#244;nima, mesmo em caso de problemas no equipamento. Sem dados pessoais na urna, n&#227;o h&#225; como associar um eleitor ao seu voto.</p><h3>Benef&#237;cios al&#233;m da auditoria</h3><p>Essa mudan&#231;a n&#227;o resolve apenas o problema constitucional. Traz efici&#234;ncia pr&#225;tica:</p><ul><li><p><strong>Menos equipamentos</strong>: sem personaliza&#231;&#227;o por se&#231;&#227;o, &#233; poss&#237;vel reduzir o n&#250;mero de urnas, gerando uma economia importante.</p></li><li><p><strong>Log&#237;stica simplificada</strong>: prepara&#231;&#227;o e transporte mais f&#225;ceis.</p></li><li><p><strong>Atendimento mais r&#225;pido</strong>, com uma fila &#250;nica, para a identifica&#231;a&#245; do eleitor, e outra, para a vota&#231;&#227;o an&#244;nima.</p></li><li><p><strong>O eleitor pode votar em qualquer urna</strong>, entre v&#225;rias dispon&#237;veis.</p></li></ul><p>Mais importante: permite a auditoria independente. Como defendem especialistas internacionais, como Ronald Rivest (MIT), sistemas de vota&#231;&#227;o s&#243; s&#227;o seguros se for poss&#237;vel verificar resultados independentemente do software. Para isso, os votos precisam ser p&#250;blicos e audit&#225;veis, mas desvinculados da identidade do eleitor.</p><h3>Exemplos internacionais</h3><p>A separa&#231;&#227;o entre identifica&#231;&#227;o e vota&#231;&#227;o &#233; comum em democracias desenvolvidas. Alemanha e Canad&#225; exigem c&#233;dulas de papel contadas publicamente por autoridades locais, processo que reduz substancialmente disputas sobre resultados. Na Fran&#231;a, eleitores recebem c&#233;dulas pr&#233;-impressas, votam em cabines isoladas e depositam votos em urnas fiscalizadas por autoridades locais. Na Alemanha, o processo &#233; secreto e direto, com verifica&#231;&#227;o de identidade separada do ato de votar. Esses pa&#237;ses mant&#234;m sigilo absoluto enquanto permitem verifica&#231;&#227;o p&#250;blica dos resultados.</p><p>A implanta&#231;&#227;o do voto audit&#225;vel permitiria a todo eleitor verificar o seu voto, e viabilizaria a contagem p&#250;blica, para assegurar a publicidade dos atos eleitorais.</p><h3>Como o eleitor confere o seu voto?</h3><p>Com a separa&#231;&#227;o dos dados pessoais, a urna pode imprimir um comprovante f&#237;sico do voto sem risco constitucional. O eleitor veria seu voto impresso atrav&#233;s de um visor transparente, confirmaria se est&#225; correto e autorizaria o dep&#243;sito do comprovante em uma urna lacrada. Em caso de erro, poderia cancelar e votar novamente.</p><p>O comprovante seria leg&#237;vel pelo eleitor, mas depositado automaticamente - sem manuseio que comprometesse o sigilo. Cada voto teria um n&#250;mero sequencial aleat&#243;rio, impossibilitando qualquer rastreamento posterior &#224; identidade.</p><h3>Como se far&#225; a auditoria quando necess&#225;ria?</h3><p>A auditoria se tornaria simples e transparente. Os comprovantes f&#237;sicos ficariam armazenados em urnas lacradas, permitindo recontagem manual sempre que necess&#225;rio. Partidos, candidatos e cidad&#227;os poderiam acompanhar todo o processo.</p><p>Al&#233;m disso, os dados eletr&#244;nicos dos votos - agora desvinculados de qualquer informa&#231;&#227;o pessoal - poderiam ser publicados integralmente na internet. Qualquer pessoa, institui&#231;&#227;o ou partido pol&#237;tico poderia fazer sua pr&#243;pria contagem independente e verificar se os resultados oficiais est&#227;o corretos.</p><p>A implanta&#231;&#227;o do voto audit&#225;vel permitiria a todo eleitor verificar o seu voto, e viabilizaria a contagem p&#250;blica, para assegurar a integridade dos resultados.</p><h3>O caminho &#224; frente</h3><p>N&#227;o se trata apenas de uma quest&#227;o t&#233;cnica. &#201; um imperativo constitucional e condi&#231;&#227;o para reconquistar a confian&#231;a popular no sistema eleitoral.</p><p>O Congresso Nacional tem agora a oportunidade de corrigir esse desequil&#237;brio entre dois princ&#237;pios constitucionais: o sigilo da identidade do eleitor e a publicidade do voto e da contagem p&#250;blica. A solu&#231;&#227;o existe, &#233; usada em democracias maduras e devolve ao eleitor seus direitos fundamentais: sigilo inviol&#225;vel e possibilidade de verificar a contagem com os pr&#243;prios olhos.</p><p>O caminho est&#225; tra&#231;ado. Cabe ao Parlamento percorr&#234;-lo.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://voto.legal/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Integridade Eleitoral &#233; uma publica&#231;&#227;o apoiada pelos leitores. 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Esta ser&#225; a terceira decis&#227;o da Corte nesse sentido, e o argumento usado pelos ministros ser&#225; exatamente o mesmo das vezes anteriores: o voto impresso colocaria em risco o sigilo do voto previsto no artigo 14 da Constitui&#231;&#227;o Federal [1]. Para eliminar a raz&#227;o que tornou inconstitucional o voto audit&#225;vel, &#233; indispens&#225;vel remover da urna eletr&#244;nica qualquer dado do eleitor que possa vincular a sua identidade ao seu voto. Sem essa melhoria, o voto audit&#225;vel ser&#225; inevitavelmente considerado inconstitucional pelo Supremo, pela terceira vez [2][3].</p><p>A proposta de emenda representa o avan&#231;o necess&#225;rio para atender aos requisitos de auditabilidade e de publicidade constitucional[4] das elei&#231;&#245;es brasileiras, fortalecendo a confian&#231;a democr&#225;tica atrav&#233;s de um sistema tecnicamente robusto e juridicamente inquestion&#225;vel. Contudo, sua efetiva implementa&#231;&#227;o requer ajustes t&#233;cnico-jur&#237;dicos fundamentais para assegurar sua validade legal, constitucionalidade e viabilidade operacional.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://voto.legal/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Integridade Eleitoral &#233; uma publica&#231;&#227;o apoiada pelos leitores. 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class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><h3>Melhorias indispens&#225;veis</h3><h4>Registro digital de cada voto com validade jur&#237;dica</h4><p>A urna eletr&#244;nica deve gerar um documento eletr&#244;nico com validade jur&#237;dica para registrar cada voto individualmente, como determina o art. 59, &#167;4&#186; da Lei n&#186; 9.504/1997[5]. </p><p>Esse registro n&#227;o pode ser consolidado em um arquivo coletivo sem individualiza&#231;&#227;o jur&#237;dica &#8212; como ocorre atualmente com o RDV &#8212; mas sim emitido separadamente, com assinatura eletr&#244;nica qualificada baseada em certificado digital ICP-Brasil[6]. A simples impress&#227;o de um comprovante n&#227;o d&#225; validade jur&#237;dica ao registro do voto. A lei exige a gera&#231;&#227;o de um documento eletr&#244;nico assinado com um certificado digital ICP-Brasil, para assegurar a presun&#231;&#227;o legal de veracidade[7].</p><h4>Implementa&#231;&#227;o de baixo custo no curto prazo</h4><p>A implanta&#231;&#227;o do Registro Digital de Cada Voto (RDCV)[8] n&#227;o implica custos adicionais relevantes e pode ser feita no curto prazo, eliminando o principal argumento contr&#225;rio ao comprovante impresso: a complexidade log&#237;stica de construir e distribuir cerca de 500 mil impressoras adicionais para as elei&#231;&#245;es de 2026.</p><h4>Remo&#231;&#227;o de dados de eleitores das urnas</h4><p>Os dados dos eleitores devem ser removidos das urnas, de forma a eliminar o fundamento que levou o Supremo Tribunal Federal a declarar inconstitucional o voto impresso [2][3] nas decis&#245;es anteriores. A separa&#231;&#227;o entre a identifica&#231;&#227;o do eleitor e a vota&#231;&#227;o, em si, &#233; condi&#231;&#227;o indispens&#225;vel para preservar simultaneamente o sigilo constitucional [1] e permitir a auditabilidade p&#250;blica [4], sem deixar qualquer margem para discuss&#227;o jur&#237;dica. A vota&#231;&#227;o deve se tornar completamente an&#244;nima.</p><h4>Divis&#227;o do processo de vota&#231;&#227;o em duas etapas</h4><p>O processo de vota&#231;&#227;o deve ser dividido em duas atividades independentes, realizadas em espa&#231;os distintos:</p><ul><li><p><strong>Identifica&#231;&#227;o e autentica&#231;&#227;o do eleitor online</strong> - com a entrega de uma senha de uso &#250;nico (OTP) para cada vota&#231;&#227;o, por mes&#225;rios na entrada do local de vota&#231;&#227;o.</p></li><li><p><strong>Vota&#231;&#227;o an&#244;nima</strong> - feita em uma de v&#225;rias urnas iguais dispon&#237;veis, em outra &#225;rea do local de vota&#231;&#227;o separada por cord&#245;es de seguran&#231;a.</p></li><li><p><strong>Todas as urnas ser&#227;o iguais</strong> - sem dados do eleitor, todas as urnas passam a ser iguais, assegurando o sigilo do voto, com a vota&#231;&#227;o aleat&#243;ria em qualquer urna. Esta padroniza&#231;&#227;o tamb&#233;m facilita significativamente a manuten&#231;&#227;o, o treinamento de mes&#225;rios e reduz custos operacionais de forma substancial.</p></li></ul><p>A vota&#231;&#227;o an&#244;nima, separada da identifica&#231;&#227;o do eleitor, traz grandes vantagens log&#237;sticas, com a redu&#231;&#227;o de custos: na diminui&#231;&#227;o do n&#250;mero de urnas necess&#225;rias, e na simplifica&#231;&#227;o operacional e log&#237;stica com todas as urnas iguais em cada unidade da federa&#231;&#227;o. Ser&#225; eliminado o custoso processo de personalizar cada urna eletr&#244;nica a uma sess&#227;o eleitoral espec&#237;fica, gerando economia estimada de milh&#245;es de reais em log&#237;stica e configura&#231;&#227;o.</p><p>Essa separa&#231;&#227;o pode ser comparada ao processo vivido por um passageiro em um aeroporto. Primeiro, o passageiro realiza o check-in no balc&#227;o ou usando o aplicativo da companhia a&#233;rea, onde se identifica e autentica sua viagem, recebendo um c&#243;digo &#250;nico para prosseguir. Em seguida, passa de forma an&#244;nima por um dos v&#225;rios equipamentos de raio-x no controle de seguran&#231;a &#8212; todos id&#234;nticos e sem conex&#227;o direta com o check-in realizado. Da mesma forma, no processo eleitoral proposto, a identifica&#231;&#227;o do eleitor ocorreria fora da urna, com o recebimento de uma OTP (senha &#250;nica), enquanto a vota&#231;&#227;o &#233; feita de forma an&#244;nima e aleat&#243;ria em qualquer urna dispon&#237;vel, sem qualquer v&#237;nculo com sua identidade.</p><h4>Certifica&#231;&#227;o independente obrigat&#243;ria com 6 meses de anteced&#234;ncia</h4><p>A urna eletr&#244;nica deve ser submetida a uma certifica&#231;&#227;o t&#233;cnica completa, abrangendo hardware, software e o processo de vota&#231;&#227;o eletr&#244;nica, por laborat&#243;rio independente credenciado no Inmetro. Este processo deve seguir padr&#245;es internacionais de auditoria eleitoral e ser finalizado com anteced&#234;ncia m&#237;nima de seis meses antes das elei&#231;&#245;es, garantindo tempo h&#225;bil para corre&#231;&#245;es, auditoria independente dos resultados e assegurando que o equipamento atenda &#224;s especifica&#231;&#245;es t&#233;cnicas exigidas [10].</p><h4>Congelamento e certifica&#231;&#227;o do c&#243;digo-fonte</h4><p>O c&#243;digo-fonte de todos os programas utilizados no sistema eletr&#244;nico de vota&#231;&#227;o deve ser congelado com anteced&#234;ncia e submetido &#224; certifica&#231;&#227;o independente, garantindo que nenhuma altera&#231;&#227;o ocorra ap&#243;s a certifica&#231;&#227;o, assegurando integridade e transpar&#234;ncia.[10]</p><h4>Um certificado digital ICP-Brasil em cada urna</h4><p>Cada urna deve conter um certificado digital ICP-Brasil individual e &#250;nico, necess&#225;rio para gerar a assinatura eletr&#244;nica qualificada de todos os documentos oficiais emitidos pela urna: Zer&#233;sima, Registro Digital de Cada Voto (RDCV), Log de Urna e Boletim de Urna. Isso garante autenticidade, integridade e presun&#231;&#227;o legal de veracidade[7].</p><h4>Auditoria independente com vota&#231;&#227;o paralela</h4><p>A auditoria do funcionamento da urna eletr&#244;nica deve ser conduzida por entidades independentes, com vota&#231;&#227;o paralela em condi&#231;&#245;es reais de uso, conforme previsto na Lei Eleitoral 9.504/1997[9]. A amostragem deve ser estatisticamente significativa para garantir validade dos resultados e identificar eventuais inconsist&#234;ncias.</p><p>Estas melhorias viabilizam a implanta&#231;&#227;o gradual do comprovante impresso do voto, e eliminam argumentos contra a sua aprova&#231;&#227;o.</p><h3>Cronograma de Implementa&#231;&#227;o para 2026</h3><ul><li><p><strong>At&#233; setembro de 2025</strong>: Aprova&#231;&#227;o das mudan&#231;as legislativas</p></li><li><p><strong>outubro de 2025 a mar&#231;o de 2026</strong>: Desenvolvimento e adapta&#231;&#227;o dos sistemas</p></li><li><p><strong>abril a junho de 2026</strong>: Certifica&#231;&#227;o independente e testes</p></li><li><p><strong>julho a setembro de 2026</strong>: Treinamento e prepara&#231;&#227;o log&#237;stica</p></li><li><p><strong>outubro de 2026</strong>: Implementa&#231;&#227;o nas elei&#231;&#245;es</p></li></ul><h3>Conclus&#227;o</h3><p>Esses ajustes s&#227;o indispens&#225;veis para transformar a necess&#225;ria proposta do voto audit&#225;vel em um modelo seguro, vi&#225;vel e juridicamente inquestion&#225;vel perante o Supremo Tribunal Federal. Al&#233;m de resolver as quest&#245;es t&#233;cnicas e jur&#237;dicas, essas mudan&#231;as representam um avan&#231;o significativo para o fortalecimento da democracia brasileira, aumentando a transpar&#234;ncia e a confian&#231;a p&#250;blica no processo eleitoral. A urg&#234;ncia &#233; clara: sem essas mudan&#231;as, a proposta ser&#225; novamente declarada inconstitucional, e o Brasil perder&#225; mais uma oportunidade de aperfei&#231;oar seu sistema eleitoral com base em crit&#233;rios t&#233;cnicos e jur&#237;dicos s&#243;lidos, alinhados &#224;s melhores pr&#225;ticas internacionais.</p><h3>Refer&#234;ncias</h3><p>[1] <a href="https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10639858/artigo-14-da-constituicao-federal-de-1988">Art. 14 da Constitui&#231;&#227;o da Rep&#250;blica Federativa do Brasil</a><br>[2] <a href="https://portal.stf.jus.br/noticias/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=252858">STF - A&#231;&#227;o Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4543</a><br>[3] <a href="https://portal.stf.jus.br/noticias/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=451785">STF - A&#231;&#227;o Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5889</a><br>[4] <a href="https://www.jusbrasil.com.br/topicos/2186546/artigo-37-da-constituicao-federal-de-1988">Art. 37 da Constitui&#231;&#227;o da Rep&#250;blica Federativa do Brasil</a><br>[5] <a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9504.htm">Lei n&#186; 9.504/1997 (art. 59, &#167;4&#186;)</a><br>[6] <a href="https://voto.legal/i/165663358/por-que-o-rdv-atual-e-um-problema">Artigo: Por que o RDV atual &#233; um problema?</a><br>[7] <a href="https://www.gov.br/iti/pt-br/central-de-conteudo/parecer-agu-pdf">Parecer n&#186; 00378/2019/PROFE/PFE-ITI/PGF/AGU</a><br>[8] <a href="https://voto.legal/i/165663358/o-que-e-o-rdcv-e-como-ele-resolve-esses-problemas">Artigo: O que &#233; o RDCV e como ele resolve esses problemas?</a><br>[9] <a href="https://www.jusbrasil.com.br/topicos/11271100/artigo-66-da-lei-n-9504-de-30-de-setembro-de-1997">Lei n&#186; 9.504/1997 (art. 66, &#167;6&#186;)</a><br>[10] <a href="https://sites.tcu.gov.br/trabalhos-pos-graduacao/pdfs/Auditoria%20da%20vota%C3%A7%C3%A3o%20eletr%C3%B4nica_%20possibilidades%20de%20atua%C3%A7%C3%A3o%20do%20controle%20externo.pdf">TCU - Auditoria da vota&#231;&#227;o eletr&#244;nica: possibilidades de atua&#231;&#227;o do controle externo</a><br>[11] <a href="https://pesquisa.apps.tcu.gov.br/documento/acordao-completo/*/NUMACORDAO%253A2522%2520ANOACORDAO%253A2021%2520COLEGIADO%253A%2522Plen%25C3%25A1rio%2522/DTRELEVANCIA%2520desc%252C%2520NUMACORDAOINT%2520desc/0">Ac&#243;rd&#227;o n&#186; 2522/2021 &#8211; Plen&#225;rio do TCU</a></p><p></p><p></p><p></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://voto.legal/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Integridade Eleitoral &#233; uma publica&#231;&#227;o apoiada pelos leitores. 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Este artigo explica, de forma simples, por que o Registro Digital do Voto (RDV)<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-1" href="#footnote-1" target="_self">1</a>, usado nas urnas eletr&#244;nicas, n&#227;o atende &#224;s exig&#234;ncias legais e por que o Registro Digital de Cada Voto (RDCV), assinado com um certificado digital da Infraestrutura de Chaves P&#250;blicas Brasileira (ICP-Brasil)<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-2" href="#footnote-2" target="_self">2</a>, &#233; a solu&#231;&#227;o necess&#225;ria.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!5Wh4!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcd3f17be-e02d-43ae-9354-d6340dc25348_1600x900.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!5Wh4!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcd3f17be-e02d-43ae-9354-d6340dc25348_1600x900.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!5Wh4!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcd3f17be-e02d-43ae-9354-d6340dc25348_1600x900.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!5Wh4!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcd3f17be-e02d-43ae-9354-d6340dc25348_1600x900.jpeg 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!5Wh4!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcd3f17be-e02d-43ae-9354-d6340dc25348_1600x900.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!5Wh4!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcd3f17be-e02d-43ae-9354-d6340dc25348_1600x900.jpeg" width="1456" height="819" 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class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><h3>O que &#233; o Registro Digital do Voto (RDV)?</h3><p>O RDV &#233; um arquivo digital gerado pelas urnas eletr&#244;nicas que armazena todos os votos de uma elei&#231;&#227;o, misturados em um &#250;nico documento. Ele &#233; assinado eletronicamente com certificados emitidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas fora do sistema da ICP-Brasil, que &#233; o padr&#227;o oficial do Brasil para documentos eletr&#244;nicos. Al&#233;m disso, o RDV &#233; alterado a cada voto e s&#243; &#233; assinado ap&#243;s o t&#233;rmino da vota&#231;&#227;o. N&#227;o existe, portanto, um registro digital de cada voto, como estabelece a Lei Eleitoral<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-3" href="#footnote-3" target="_self">3</a>.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://voto.legal/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Integridade Eleitoral &#233; uma publica&#231;&#227;o apoiada pelos leitores. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se uma assinatura gratuita ou uma assinatura paga.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><h3>Por que o RDV atual &#233; um problema?</h3><p>As leis brasileiras, como a Lei n&#186; 14.063/2020<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-4" href="#footnote-4" target="_self">4</a> e a Medida Provis&#243;ria n&#186; 2.200-2/2001<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-5" href="#footnote-5" target="_self">5</a>, exigem que documentos eletr&#244;nicos oficiais, como os registros de voto, usem <strong>assinaturas eletr&#244;nicas qualificadas</strong>, feitas com certificados digitais da ICP-Brasil. Esses certificados garantem que o documento &#233; aut&#234;ntico, n&#227;o foi alterado e tem valor legal, como uma assinatura escrita &#224; m&#227;o.</p><p>O RDV, por&#233;m, usa um formato que n&#227;o &#233; reconhecido pela ICP-Brasil, e &#233; assinado com certificados emitidos pelo TSE<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-6" href="#footnote-6" target="_self">6</a>, que n&#227;o t&#234;m validade jur&#237;dica para atos oficiais. Isso significa que os registros de voto atuais podem ser questionados legalmente, j&#225; que n&#227;o seguem as normas exigidas. Al&#233;m disso, o Tribunal de Contas da Uni&#227;o (TCU), em 2021, apontou fragilidades no sistema eleitoral, como riscos de manipula&#231;&#227;o de dados e dificuldades de auditoria<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-7" href="#footnote-7" target="_self">7</a>, que poderiam ser resolvidos com uma solu&#231;&#227;o que atende &#224;s leis.</p><h3>O que &#233; o RDCV e como ele resolve esses problemas?</h3><p>O Registro Digital de Cada Voto (RDCV) &#233; uma proposta para substituir o RDV. Ele registra cada voto em um documento eletr&#244;nico individual, assinado com um certificado digital ICP-Brasil instalado em cada urna. Os benef&#237;cios incluem:</p><ul><li><p><strong>Conformidade com a lei</strong>: Atende &#224;s exig&#234;ncias da Lei n&#186; 14.063/2020, garantindo validade jur&#237;dica aos registros de voto.</p></li><li><p><strong>Publicidade</strong>: Permite que o eleitor possa verificar o registro do seu voto, assegurando, no processo eleitoral, a publicidade exigida pelo Art. 37 da Constitui&#231;&#227;o Federal<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-8" href="#footnote-8" target="_self">8</a>.</p></li><li><p><strong>Transpar&#234;ncia</strong>: Permite que peritos independentes verifiquem os registros, respeitando o sigilo do eleitor, conforme exigido pela Constitui&#231;&#227;o.</p></li><li><p><strong>Seguran&#231;a</strong>: Cada voto &#233; protegido por uma assinatura digital verific&#225;vel por ferramentas p&#250;blicas, como as fornecidas pelo Instituto Nacional de Tecnologia da Informa&#231;&#227;o (ITI).</p></li><li><p><strong>Padr&#245;es internacionais</strong>: Organiza&#231;&#245;es especializadas, como o International IDEA, o MIT Elections Data Sciense Lab e o The Election Integrity Project, recomendam sistemas que permitam a verifica&#231;&#227;o pelo eleitor, rastreabilidade e auditoria, como o RDCV.</p></li></ul><p>Por exemplo, imagine cada urna como um cart&#243;rio digital: ao registrar um voto, ela "carimba" o arquivo com um selo oficial da ICP-Brasil, garantindo que ele &#233; verdadeiro e n&#227;o foi alterado. Isso facilita auditorias e aumenta a confian&#231;a no processo.</p><h3>Por que certificados fora da ICP-Brasil s&#227;o ilegais?</h3><p>O Parecer n&#186; 00378/2019/PROFE/PFE-ITI/PGF/<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-9" href="#footnote-9" target="_self">9</a>, da Advocacia-Geral da Uni&#227;o (AGU), esclarece que Administra&#231;&#227;o P&#250;blica n&#227;o pode emitir certificados digitais fora da ICP-Brasil e que esta atividade &#233; ilegal. A Lei n&#186; 14.063/202 refor&#231;a que apenas assinaturas eletr&#244;nicas qualificadas, baseadas na ICP-Brasil, s&#227;o aceitas para documentos que exigem alta confiabilidade, como o registro digital de cada voto. Outros tipos de assinaturas (simples ou avan&#231;adas) podem ser usados em cadastros ou consultas, mas n&#227;o em elei&#231;&#245;es.</p><h3>O que o novo C&#243;digo Eleitoral pode fazer?</h3><p>O novo C&#243;digo Eleitoral, em discuss&#227;o no Congresso, &#233; uma oportunidade para corrigir esses problemas. Ele pode incluir um artigo exigindo que cada urna eletr&#244;nica use o RDCV com certificados ICP-Brasil, garantindo que os votos sejam registrados de forma segura, legal e audit&#225;vel. Isso alinharia o Brasil &#224;s melhores pr&#225;ticas internacionais e responderia &#224;s preocupa&#231;&#245;es do TCU sobre a seguran&#231;a do sistema eleitoral.</p><h3>Conclus&#227;o</h3><p>O atual RDV, usado nas urnas eletr&#244;nicas, n&#227;o atende &#224;s leis brasileiras, n&#227;o assegura a publicidade exigida pela Constitui&#231;&#227;o e apresenta riscos &#224; seguran&#231;a e &#224; integridade das elei&#231;&#245;es. A ado&#231;&#227;o do RDCV com certificados ICP-Brasil &#233; uma solu&#231;&#227;o pr&#225;tica e legal para garantir que cada voto seja registrado com autenticidade, integridade e presun&#231;&#227;o legal de veracidade. Esta mudan&#231;a fortalece a democracia, aumenta a confian&#231;a da popula&#231;&#227;o e alinha o Brasil aos padr&#245;es globais de elei&#231;&#245;es seguras.</p><h3>Anexo T&#233;cnico-Jur&#237;dico: Detalhamento sobre o RDCV e a Conformidade com a ICP-Brasil</h3><h3>1. Base Legal e Normativa</h3><p>A obrigatoriedade de certificados digitais da ICP-Brasil para atos da Administra&#231;&#227;o P&#250;blica &#233; fundamentada na <strong>Medida Provis&#243;ria n&#186; 2.200-2/2001</strong>, que institui a ICP-Brasil como o sistema oficial para garantir autenticidade, integridade e validade jur&#237;dica de documentos eletr&#244;nicos. A <strong>Lei n&#186; 14.063/2020</strong> complementa essa norma, definindo tr&#234;s tipos de assinaturas eletr&#244;nicas:</p><ul><li><p><strong>Simples</strong>: Para intera&#231;&#245;es de baixa criticidade, como cadastros (art. 4&#186;, inciso I).</p></li><li><p><strong>Avan&#231;ada</strong>: Vinculada ao signat&#225;rio, mas sem exig&#234;ncia de certificado ICP-Brasil (art. 4&#186;, inciso II).</p></li><li><p><strong>Qualificada</strong>: Baseada em certificados ICP-Brasil, obrigat&#243;ria para atos que exigem presun&#231;&#227;o de validade jur&#237;dica, como registros eleitorais (art. 4&#186;, inciso III).</p></li></ul><p>A <strong>Lei n&#186; 9.504/1997</strong> (art. 59, &#167;4&#186;, alterado pela Lei n&#186; 10.740/2003) determina que as urnas eletr&#244;nicas devem registrar cada voto com assinatura digital, garantindo anonimato e identifica&#231;&#227;o da urna. Com a Lei n&#186; 14.063/2020, a "assinatura digital" &#233; interpretada como assinatura eletr&#244;nica qualificada, exigindo certificados ICP-Brasil.</p><h3>2. Incompatibilidade do RDV com a ICP-Brasil</h3><p>O Registro Digital do Voto (RDV), gerado pelas urnas eletr&#244;nicas, &#233; assinado em formato bin&#225;rio <strong>ASN.1</strong> com certificados digitais emitidos internamente pelo TSE, fora da ICP-Brasil. Contudo, o <strong>DOC-ICP-15.01</strong> do Instituto Nacional de Tecnologia da Informa&#231;&#227;o (ITI) estabelece que assinaturas eletr&#244;nicas qualificadas devem:</p><ul><li><p>Utilizar certificados digitais v&#225;lidos da ICP-Brasil.</p></li><li><p>Estar em formatos padronizados (CAdES, XAdES ou PAdES).</p></li><li><p>Ser verific&#225;veis por ferramentas p&#250;blicas e interoper&#225;veis.</p></li></ul><p>O formato ASN.1 n&#227;o est&#225; entre os padr&#245;es reconhecidos, e os certificados da urna eletr&#244;nica, emitidos fora da ICP-Brasil, n&#227;o conferem presun&#231;&#227;o de validade jur&#237;dica, conforme o <strong>Parecer 00378/2019/PROFE/PFE-ITI/PGF/AGU</strong> de 2019. Esse parecer conclui que certificados fora da ICP-Brasil s&#227;o ilegais para atos oficiais, devido a riscos de inseguran&#231;a jur&#237;dica e falta de interoperabilidade.</p><p><strong>3. Fragilidades do Sistema Atual</strong></p><p>O <strong>Ac&#243;rd&#227;o n&#186; 2522/2021</strong> do Tribunal de Contas da Uni&#227;o (TCU) aponta vulnerabilidades no sistema eleitoral, incluindo:</p><ul><li><p>Baixa governan&#231;a no desenvolvimento e manuten&#231;&#227;o de sistemas.</p></li><li><p>Fragilidades na auditabilidade, dificultando a verifica&#231;&#227;o independente.</p></li><li><p>Riscos de quebra de sigilo do voto e manipula&#231;&#227;o de dados.</p></li><li><p>Possibilidade de acesso indevido ou vazamento de informa&#231;&#245;es.</p></li></ul><p>Esses problemas poderiam ser mitigados com a ado&#231;&#227;o do RDCV, que utiliza certificados ICP-Brasil e formatos padronizados, permitindo auditoria por peritos independentes.</p><h3>4. Benef&#237;cios do RDCV</h3><p>O Registro Digital de Cada Voto (RDCV) prop&#245;e que cada urna eletr&#244;nica registre os votos com uma assinatura eletr&#244;nica qualificada, usando um certificado digital individual emitido pela ICP-Brasil. Os benef&#237;cios incluem:</p><ul><li><p><strong>Conformidade legal</strong>: Atende &#224; Lei n&#186; 14.063/2020 e &#224; MP n&#186; 2.200-2/2001.</p></li><li><p><strong>Auditabilidade</strong>: Permite verifica&#231;&#227;o por ferramentas p&#250;blicas, como o Verificador de Assinaturas do ITI.</p></li><li><p><strong>Interoperabilidade</strong>: Usa formatos (CAdES, XAdES, PAdES) compat&#237;veis com sistemas nacionais e internacionais.</p></li><li><p><strong>Seguran&#231;a</strong>: Garante autenticidade e integridade, preservando o anonimato do eleitor.</p></li><li><p><strong>Alinhamento internacional</strong>: Segue recomenda&#231;&#245;es de organiza&#231;&#245;es como o <strong>International IDEA</strong> (2020, <em>Adoption of Voting Technology</em>, se&#231;&#227;o 3.2) e o <strong>MIT Election Data and Science Lab</strong> para rastreabilidade e publicidade.</p></li></ul><h3>5. Proposta para o C&#243;digo Eleitoral</h3><p>O novo C&#243;digo Eleitoral deve atualizar o art. 59, &#167;4&#186;, da Lei n&#186; 9.504/1997, para exigir o RDCV com certificados ICP-Brasil. Sugest&#227;o de reda&#231;&#227;o:</p><blockquote><p><em><strong>Art. 59, &#167;4&#186;</strong>: A urna eletr&#244;nica deve registrar digitalmente cada voto em um documento eletr&#244;nico com assinatura eletr&#244;nica qualificada, conforme padr&#245;es da ICP-Brasil, garantindo autenticidade, integridade, anonimato do eleitor, presun&#231;&#227;o legal de veracidade e auditabilidade por ferramentas p&#250;blicas, em conformidade com a Lei n&#186; 14.063/2020.</em></p></blockquote><h3>6. Compara&#231;&#227;o RDV vs. RDCV</h3><p>O Registro Digital do Voto (RDV), atualmente utilizado nas urnas eletr&#244;nicas, apresenta limita&#231;&#245;es cr&#237;ticas em rela&#231;&#227;o ao Registro Digital de Cada Voto (RDCV) proposto. O RDV utiliza certificados digitais emitidos pela Autoridade Certificadora Urnas (AC Urnas), que opera fora da Infraestrutura de Chaves P&#250;blicas Brasileira (ICP-Brasil), e &#233; estruturado em formato bin&#225;rio ASN.1, n&#227;o reconhecido pelos padr&#245;es da ICP-Brasil. Conforme o Parecer n&#186; 00378/2019/PROFE/PFE-ITI/PGF/AGU de 2019, da Procuradoria Federal Especializada junto ao Instituto Nacional de Tecnologia da Informa&#231;&#227;o (ITI), a emiss&#227;o de certificados fora da ICP-Brasil &#233; ilegal para atos da Administra&#231;&#227;o P&#250;blica que exigem validade jur&#237;dica plena, como os registros eleitorais. Esse parecer, fundamentado na Medida Provis&#243;ria n&#186; 2.200-2/2001, destaca que apenas certificados ICP-Brasil conferem presun&#231;&#227;o de autenticidade e integridade a documentos eletr&#244;nicos oficiais. Assim, o RDV n&#227;o possui validade jur&#237;dica garantida e tem auditabilidade limitada, dependendo exclusivamente de ferramentas controladas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).</p><p>Em contraste, o RDCV prop&#245;e que cada urna eletr&#244;nica registre os votos com assinaturas eletr&#244;nicas qualificadas, utilizando certificados digitais emitidos pela ICP-Brasil. Esses certificados, instalados individualmente em cada urna, geram assinaturas nos formatos padronizados CAdES, XAdES ou PAdES, conforme exigido pelo DOC-ICP-15.01<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-10" href="#footnote-10" target="_self">10</a> do ITI e pela Lei n&#186; 14.063/2020<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-11" href="#footnote-11" target="_self">11</a>. O RDCV assegura validade jur&#237;dica plena, permitindo que os registros sejam verificados por ferramentas p&#250;blicas e interoper&#225;veis, facilitando auditorias por peritos independentes. Al&#233;m disso, atende &#224;s normas nacionais e &#224;s recomenda&#231;&#245;es internacionais de integridade eleitoral, como as do International IDEA<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-12" href="#footnote-12" target="_self">12</a> e do MIT Election Data and Science Lab<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-13" href="#footnote-13" target="_self">13</a>, promovendo maior seguran&#231;a, transpar&#234;ncia e confian&#231;a no processo eleitoral.</p><h3>7. Conclus&#227;o T&#233;cnica</h3><p>A substitui&#231;&#227;o do RDV pelo RDCV &#233; essencial para alinhar o processo eleitoral &#224;s normas da ICP-Brasil, garantindo validade jur&#237;dica, publicidade e seguran&#231;a. O uso de certificados fora da ICP-Brasil, como os da AC Urnas, &#233; ilegal para atos oficiais, conforme o Parecer n&#186; 00378/2019/PROFE/PFE-ITI/PGF/AGU<a class="footnote-anchor" data-component-name="FootnoteAnchorToDOM" id="footnote-anchor-14" href="#footnote-14" target="_self">14</a>. O RDCV atende &#224;s exig&#234;ncias legais, responde &#224;s preocupa&#231;&#245;es do TCU e alinha o Brasil aos padr&#245;es internacionais de integridade eleitoral.</p><h3>Refer&#234;ncias</h3><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-1" href="#footnote-anchor-1" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">1</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://www.tse.jus.br/comunicacao/noticias/2021/Julho/registro-digital-do-voto-permite-recontagem-e-amplia-transparencia-do-processo-eleitoral">Registro Digital do Voto (RDV)</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-2" href="#footnote-anchor-2" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">2</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://www.gov.br/iti/pt-br/assuntos/icp-brasil">Infraestrutura de Chaves P&#250;blicas Brasileira (ICP-Brasil)</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-3" href="#footnote-anchor-3" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">3</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9504.htm">Lei n&#186; 9.504/1997 (art. 59, &#167;4&#186;)</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-4" href="#footnote-anchor-4" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">4</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/lei/l14063.htm">Lei n&#186; 14.063/2020</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-5" href="#footnote-anchor-5" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">5</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/mpv/antigas_2001/2200-2.htm">Medida Provis&#243;ria n&#186; 2.200-2/2001</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-6" href="#footnote-anchor-6" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">6</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://g1.globo.com/politica/noticia/2022/11/23/urnas-eletronicas-tem-certificados-digitais-individuais-e-codigos-unicos-para-identificar-cada-equipamento-veja-detalhes.ghtml">Urnas eletr&#244;nicas t&#234;m certificados digitais individuais e c&#243;digos &#250;nicos para identificar cada equipamento; veja detalhes</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-7" href="#footnote-anchor-7" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">7</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://pesquisa.apps.tcu.gov.br/documento/acordao-completo/*/NUMACORDAO%253A2522%2520ANOACORDAO%253A2021%2520COLEGIADO%253A%2522Plen%25C3%25A1rio%2522/DTRELEVANCIA%2520desc%252C%2520NUMACORDAOINT%2520desc/0">Ac&#243;rd&#227;o n&#186; 2522/2021 &#8211; Plen&#225;rio do TCU</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-8" href="#footnote-anchor-8" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">8</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://www.jusbrasil.com.br/topicos/2186546/artigo-37-da-constituicao-federal-de-1988">Art. 37 da Constitui&#231;&#227;o Federal</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-9" href="#footnote-anchor-9" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">9</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://www.gov.br/iti/pt-br/central-de-conteudo/parecer-agu-pdf">Parecer n&#186; 00378/2019/PROFE/PFE-ITI/PGF/AGU</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-10" href="#footnote-anchor-10" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">10</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://www.gov.br/iti/pt-br/central-de-conteudo/doc-icp-15-v-1-0-pdf">ICP-Brasil: DOC-ICP-15 Vers&#227;o 1.0</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-11" href="#footnote-anchor-11" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">11</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/lei/l14063.htm">Lei n&#186; 14.063/2020</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-12" href="#footnote-anchor-12" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">12</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://www.idea.int/publications/catalogue/adoption-voting-technology-guide-electoral-stakeholders-indonesia">International IDEA - &#8220;Adoption of Voting Technology: A Guide for Electoral Stakeholders in Indonesia&#8221;</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-13" href="#footnote-anchor-13" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">13</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://electionlab.mit.edu/">MIT Election Data and Science Lab, Election Security Standards, 2021</a></p></div></div><div class="footnote" data-component-name="FootnoteToDOM"><a id="footnote-14" href="#footnote-anchor-14" class="footnote-number" contenteditable="false" target="_self">14</a><div class="footnote-content"><p><a href="https://www.gov.br/iti/pt-br/central-de-conteudo/parecer-agu-pdf">Parecer n&#186; 00378/2019/PROFE/PFE-ITI/PGF/AGU</a></p></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Novo Código Eleitoral: Seis Pontos que Precisam de Solução]]></title><description><![CDATA[A proposta de um novo C&#243;digo Eleitoral est&#225; prestes a ser votada no Senado Federal. Mas o que est&#225; em jogo vai muito al&#233;m do aperfei&#231;oamento de regras.]]></description><link>https://voto.legal/p/novo-codigo-eleitoral-seis-pontos</link><guid isPermaLink="false">https://voto.legal/p/novo-codigo-eleitoral-seis-pontos</guid><dc:creator><![CDATA[Voto Legal]]></dc:creator><pubDate>Mon, 09 Jun 2025 10:49:08 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/7c28bbe5-2230-4bcb-991e-d47a0a070ba8_1536x1024.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!f33L!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff181cbcf-5274-47f5-99ff-29afcf133b36_1536x1024.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!f33L!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff181cbcf-5274-47f5-99ff-29afcf133b36_1536x1024.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!f33L!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff181cbcf-5274-47f5-99ff-29afcf133b36_1536x1024.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!f33L!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff181cbcf-5274-47f5-99ff-29afcf133b36_1536x1024.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!f33L!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff181cbcf-5274-47f5-99ff-29afcf133b36_1536x1024.png 1456w" sizes="100vw"><img 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data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/f181cbcf-5274-47f5-99ff-29afcf133b36_1536x1024.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:971,&quot;width&quot;:1456,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:3224573,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:false,&quot;topImage&quot;:true,&quot;internalRedirect&quot;:&quot;https://voto.legal/i/165532997?img=https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff181cbcf-5274-47f5-99ff-29afcf133b36_1536x1024.png&quot;,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" 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class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p>A vota&#231;&#227;o do novo C&#243;digo Eleitoral no Senado Federal ocorrer&#225; <strong>nesta semana</strong>. O projeto busca unificar e modernizar a legisla&#231;&#227;o eleitoral brasileira, mas carrega riscos concretos de retrocessos institucionais. Para assegurar que a nova legisla&#231;&#227;o fortale&#231;a &#8212; e n&#227;o fragilize &#8212; a confian&#231;a p&#250;blica nas elei&#231;&#245;es, &#233; urgente corrigir seis pontos cr&#237;ticos:</p><h3>Garantia do direito de fiscaliza&#231;&#227;o plena pelos partidos pol&#237;ticos</h3><p>Os partidos pol&#237;ticos devem manter o direito absoluto de fiscalizar todas as etapas do processo eleitoral &#8212; da gera&#231;&#227;o dos sistemas &#224; totaliza&#231;&#227;o dos votos. Esse direito, assegurado pela Lei Eleitoral n&#186;&#8239;9.504/1997, &#233; essencial para o controle institucional, a transpar&#234;ncia p&#250;blica e a confian&#231;a no resultado das elei&#231;&#245;es. A sua exclus&#227;o, prevista no novo texto, representa um grave retrocesso e reduz a capacidade da sociedade de verificar a integridade do processo eleitoral.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://voto.legal/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Integridade Eleitoral &#233; uma publica&#231;&#227;o apoiada pelos leitores. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se uma assinatura gratuita ou uma assinatura paga.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><h3>Remo&#231;&#227;o de dispositivos que criminalizam a cr&#237;tica leg&#237;tima ao sistema eleitoral</h3><p>O novo C&#243;digo n&#227;o deve incluir normas penais que possam ser usadas para punir a cr&#237;tica t&#233;cnica, pol&#237;tica ou institucional ao sistema eleitoral. Criminalizar opini&#245;es ou questionamentos p&#250;blicos amea&#231;a a liberdade de express&#227;o, enfraquece o debate democr&#225;tico e abre espa&#231;o para abusos de autoridade e censura. O combate &#224; desinforma&#231;&#227;o n&#227;o pode ser instrumento de repress&#227;o ao dissenso leg&#237;timo.</p><h3>Registro digital de cada voto com certifica&#231;&#227;o ICP-Brasil e comprovante impresso audit&#225;vel</h3><p>Cada voto deve gerar um documento eletr&#244;nico individual &#8212; o <strong>Registro Digital de Cada Voto (RDCV)</strong> &#8212; assinado com um <strong>certificado digital da ICP-Brasil</strong>, instalado individualmente em cada urna eletr&#244;nica. S&#243; a assinatura eletr&#244;nica qualificada confere autenticidade, integridade e validade jur&#237;dica ao voto. Ap&#243;s a assinatura, o conte&#250;do deve ser exibido ao eleitor para confer&#234;ncia visual e, em seguida, impresso como comprovante para auditoria p&#250;blica, sem conter qualquer dado de identifica&#231;&#227;o pessoal.</p><h3>Ado&#231;&#227;o de padr&#245;es rigorosos de seguran&#231;a da informa&#231;&#227;o</h3><p>Todos os sistemas utilizados no processo eleitoral &#8212; do cadastro &#224; totaliza&#231;&#227;o dos votos &#8212; devem operar sob um <strong>Sistema de Gest&#227;o de Seguran&#231;a da Informa&#231;&#227;o (SGSI)</strong> certificado na norma internacional <strong>ABNT NBR ISO/IEC 27001</strong>. Cada urna eletr&#244;nica deve possuir um certificado digital exclusivo, garantindo rastreabilidade e prote&#231;&#227;o contra fraudes internas. Sem esses requisitos, n&#227;o h&#225; como assegurar a confian&#231;a t&#233;cnica e jur&#237;dica no sistema.</p><h3>Vota&#231;&#227;o em duas etapas independentes</h3><p>A identifica&#231;&#227;o do eleitor e a vota&#231;&#227;o devem ocorrer em sistemas tecnicamente separados, garantindo o sigilo absoluto do voto e impedindo qualquer associa&#231;&#227;o entre identidade e escolha. Essa separa&#231;&#227;o fortalece a privacidade do eleitor, possibilita auditoria independente dos resultados e reduz significativamente os custos operacionais e log&#237;sticos do processo eleitoral.</p><h3>Separa&#231;&#227;o entre fun&#231;&#245;es administrativas e jurisdicionais</h3><p>O processo eleitoral deve ser conduzido por uma autoridade t&#233;cnica e aut&#244;noma, desvinculada do &#243;rg&#227;o que exerce fun&#231;&#227;o jurisdicional. Hoje, o TSE acumula fun&#231;&#245;es normativas, administrativas e judiciais, gerando conflitos de interesse e comprometendo a imparcialidade institucional. Separar quem organiza da inst&#226;ncia que julga &#233; essencial para restaurar o equil&#237;brio entre os Poderes e a legitimidade do sistema.</p><h3>Conclus&#227;o</h3><p>O novo C&#243;digo Eleitoral pode ser um marco de moderniza&#231;&#227;o democr&#225;tica &#8212; ou um instrumento de fragiliza&#231;&#227;o institucional. A diferen&#231;a est&#225; nas decis&#245;es que ser&#227;o tomadas agora. Que o Senado tenha a coragem de corrigir o curso e garantir um sistema eleitoral verdadeiramente &#237;ntegro, seguro e audit&#225;vel.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://voto.legal/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Integridade Eleitoral &#233; uma publica&#231;&#227;o apoiada pelos leitores. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se uma assinatura gratuita ou uma assinatura paga.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Código Eleitoral: Por que os partidos querem abrir mão do superpoder de fiscalizar a nossa democracia?]]></title><description><![CDATA[Por que os partidos est&#227;o abrindo m&#227;o de um direito que garante governan&#231;a, integridade e seguran&#231;a das elei&#231;&#245;es?]]></description><link>https://voto.legal/p/codigo-eleitoral-por-que-os-partidos</link><guid isPermaLink="false">https://voto.legal/p/codigo-eleitoral-por-que-os-partidos</guid><dc:creator><![CDATA[Voto Legal]]></dc:creator><pubDate>Thu, 29 May 2025 14:28:02 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!bCEN!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fa8f90337-516c-4cfb-be1e-077b9982a2fb_1536x1024.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!bCEN!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fa8f90337-516c-4cfb-be1e-077b9982a2fb_1536x1024.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!bCEN!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fa8f90337-516c-4cfb-be1e-077b9982a2fb_1536x1024.png 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class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" 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Pior: agora que sabe, decide abrir m&#227;o desse direito sem explica&#231;&#227;o. Absurdo? &#201; exatamente o que os partidos brasileiros est&#227;o fazendo com o poder de fiscalizar as elei&#231;&#245;es.</p><p>Enquanto o debate p&#250;blico sobre seguran&#231;a eleitoral segue aquecido, um dispositivo legal pouco conhecido passa despercebido: desde 1997, os partidos t&#234;m o poder de auditar cada detalhe do processo eleitoral. Mas n&#227;o usam esse direito.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://voto.legal/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Integridade Eleitoral &#233; uma publica&#231;&#227;o apoiada pelos leitores. Para receber novos posts e apoiar nosso trabalho, considere tornar-se uma assinatura gratuita ou uma assinatura paga.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><h3>O superpoder esquecido e o que ele permite</h3><p>A Lei Eleitoral &#233; cristalina: <em>"Os partidos poder&#227;o fiscalizar todas as fases do processo de vota&#231;&#227;o e apura&#231;&#227;o das elei&#231;&#245;es e o processamento eletr&#244;nico da totaliza&#231;&#227;o dos resultados.&#8221;</em> (<a href="https://www.jusbrasil.com.br/topicos/11271100/artigo-66-da-lei-n-9504-de-30-de-setembro-de-1997">Art. 66</a>) N&#227;o &#233; "quando sobra tempo" ou "algumas etapas". &#201; tudo: do in&#237;cio ao fim, sem exce&#231;&#227;o. O par&#225;grafo 7&#186; entrega o ouro: os partidos podem criar seus pr&#243;prios sistemas de fiscaliza&#231;&#227;o, apura&#231;&#227;o e totaliza&#231;&#227;o dos resultados, com t&#233;cnicos pr&#243;prios, e ter acesso total aos mesmos dados do sistema oficial de apura&#231;&#227;o e totaliza&#231;&#227;o.</p><p>Diferente do Brasil, na Alemanha, o eleitor pode confirmar seu voto, e a contagem de c&#233;dulas &#233; feita publicamente por comit&#234;s com membros de diferentes partidos, tornando tentativas de manipula&#231;&#227;o praticamente imposs&#237;veis. No Brasil, os partidos t&#234;m poderes robustos, que tem sido subutilizados. Cada partido pode:</p><ul><li><p>Exigir a certifica&#231;&#227;o pr&#233;via independente de equipamentos e sistemas usados nas elei&#231;&#245;es.</p></li><li><p>Contratar especialistas para verificar a seguran&#231;a de todas as etapas, processos, sistemas e equipamentos usados nas elei&#231;&#245;es.</p></li><li><p>Realizar uma vota&#231;&#227;o paralela, em condi&#231;&#245;es reais de uso em se&#231;&#245;es eleitorais, para verificar o funcionamento da urna eletr&#244;nica, sem depender de funcion&#225;rios da Justi&#231;a Eleitoral.</p></li><li><p>Exigir que cada urna use um certificado digital ICP-Brasil para assinar os documentos gerados e impressos pela urna.</p></li><li><p>Contratar uma auditoria de seguran&#231;a da informa&#231;&#227;o, com base na norma ABNT NBR ISO/IEC 27001, para o ecossistema eleitoral.</p></li><li><p>Fazer contagens paralelas com base nos mesmos dados do sistema oficial.</p></li><li><p>Auditar sistemas e processos eleitorais sem restri&#231;&#245;es.</p></li></ul><p>Os partidos t&#234;m carta branca para assegurar que a nossa elei&#231;&#227;o seja &#237;ntegra.</p><h3>O problema e a solu&#231;&#227;o que j&#225; existem</h3><p>Uma auditoria do TCU revelou um problema grave: o TSE, que organiza as elei&#231;&#245;es, &#233; o &#250;nico que atesta sua pr&#243;pria lisura. Isso cria uma <em>"assimetria de informa&#231;&#245;es"</em> que deixa a sociedade no escuro. Segundo o MIT Election Lab, auditorias p&#243;s-eleitorais s&#227;o <em>"cr&#237;ticas para a seguran&#231;a eleitoral e a confian&#231;a dos eleitores em elei&#231;&#245;es grandes e pequenas"</em>, pois garantem que as tecnologias eleitorais funcionaram corretamente e que os vencedores foram declarados com precis&#227;o. A solu&#231;&#227;o? Os partidos usarem o poder que j&#225; t&#234;m.</p><p>Pa&#237;ses como Canad&#225; e Noruega usam auditorias independentes para validar elei&#231;&#245;es confi&#225;veis. No Brasil, os partidos poderiam fazer o mesmo com quatro a&#231;&#245;es:</p><ol><li><p><strong>Antes da elei&#231;&#227;o</strong>: Certificar que urnas e sistemas funcionem corretamente, de acordo com especifica&#231;&#245;es p&#250;blicas.</p></li><li><p><strong>Ap&#243;s a elei&#231;&#227;o</strong>: Conferir se a contagem oficial reflete a realidade.</p></li><li><p><strong>Por amostragem</strong>: Verificar urnas aleatoriamente, como uma blitz.</p></li><li><p><strong>Cont&#237;nua</strong>: Fiscalizar 24 horas por dia, do come&#231;o ao fim.</p></li></ol><h3>O paradoxo brasileiro</h3><p>A contradi&#231;&#227;o &#233; evidente: partidos que gritam por transpar&#234;ncia nas redes sociais ignoram os poderes que j&#225; t&#234;m para fiscalizar as elei&#231;&#245;es. &#201; como reclamar da escurid&#227;o, quando bastaria acender a luz. Por qu&#234;? Algumas possibilidades:</p><ul><li><p><strong>Desconhecimento</strong>: Muitos parlamentares n&#227;o sabem como usar seus direitos.</p></li><li><p><strong>Comodismo</strong>: &#201; mais f&#225;cil reclamar nas redes do que auditar de verdade.</p></li><li><p><strong>Complexidade operacional</strong>: Implementar fiscaliza&#231;&#227;o efetiva pode exigir recursos e expertise que nem todos os partidos possuem.</p></li><li><p><strong>Outros interesses</strong>: Alguns preferem a pol&#234;mica &#224; transpar&#234;ncia.</p></li></ul><p>Seja qual for o motivo, o resultado &#233; o mesmo: a democracia perde.</p><p>Segundo o TSE, <em>"o sistema eleitoral brasileiro &#233; audit&#225;vel, seguro e confi&#225;vel, tendo sido testado e aprovado em mais de 20 elei&#231;&#245;es"</em>. A quest&#227;o, por&#233;m, permanece: se os mecanismos de fiscaliza&#231;&#227;o partid&#225;ria existem h&#225; mais de 25 anos, por que n&#227;o s&#227;o utilizados para complementar essa seguran&#231;a?</p><h3>A base legal e a desist&#234;ncia oficial</h3><p>Esse direito n&#227;o &#233; favor, &#233; lei. A Constitui&#231;&#227;o garante que todo poder emana do povo, e a Lei Eleitoral d&#225; aos partidos o poder absoluto de fiscalizar em nome dos eleitores. Mesmo assim, a C&#226;mara j&#225; aprovou, e o Senado agora debate um novo C&#243;digo Eleitoral. A grande quest&#227;o &#233;: <strong>por que os partidos querem abrir m&#227;o do poder de garantir elei&#231;&#245;es transparentes?</strong> Se as ferramentas existem h&#225; 25 anos e especialistas confirmam sua import&#226;ncia, por que desistir agora?</p><p><strong>Se gostou, compartilhe este artigo com o seu parlamentar.</strong></p><p></p><p><strong>Refer&#234;ncias jur&#237;dicas e t&#233;cnicas </strong>(clique no link para acessar)</p><ul><li><p><a href="https://www.jusbrasil.com.br/topicos/11271100/artigo-66-da-lei-n-9504-de-30-de-setembro-de-1997">Art. 66 da Lei Eleitoral 9.504 de 1997</a></p></li><li><p><a href="https://legis.senado.leg.br/sdleg-getter/documento?dm=9965893&amp;ts=1748477438148&amp;rendition_principal=S">Relat&#243;rio com o Substitutivo em 26/05/2025</a></p></li><li><p><a href="https://www.congressonacional.leg.br/materias/materias-bicamerais/-/ver/plp-112-2021#:~:text=Recebido%20o%20relat%C3%B3rio%20do%20Senador,Emendas%20n%C2%BA%201%20a%2024">Projeto de Lei Complementar N&#186; 112/2021</a></p></li><li><p><a href="https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10641860/artigo-1-da-constituicao-federal-de-1988">Par&#225;grafo &#250;nico do Art. 1&#186; da Constitui&#231;&#227;o Federal de 1988</a></p></li><li><p><a href="https://www-bundesverfassungsgericht-de.translate.goog/SharedDocs/Entscheidungen/EN/2009/03/cs20090303_2bvc000307en.html?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt-BR">Lei Fundamental da Alemanha (Grundgesetz), art. 20 e jurisprud&#234;ncia BVerfG 2 BvC 3/07</a></p></li></ul><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://voto.legal/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Integridade Eleitoral &#233; uma publica&#231;&#227;o apoiada pelos leitores. Para receber novos posts e apoiar nosso trabalho, considere tornar-se uma assinatura gratuita ou uma assinatura paga.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[A proposta que pode mudar o jogo eleitoral]]></title><description><![CDATA[A cria&#231;&#227;o da Ag&#234;ncia Nacional Eleitoral prop&#245;e restaurar a separa&#231;&#227;o dos Poderes e reconstruir a confian&#231;a no sistema eleitoral brasileiro.]]></description><link>https://voto.legal/p/a-proposta-que-pode-mudar-o-jogo</link><guid isPermaLink="false">https://voto.legal/p/a-proposta-que-pode-mudar-o-jogo</guid><dc:creator><![CDATA[Voto Legal]]></dc:creator><pubDate>Tue, 27 May 2025 11:41:13 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Ecu-!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F36ac15b3-8427-4c65-9988-fb55536ca451_1536x1024.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Ecu-!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F36ac15b3-8427-4c65-9988-fb55536ca451_1536x1024.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Ecu-!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F36ac15b3-8427-4c65-9988-fb55536ca451_1536x1024.png 424w, 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class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg role="img" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><title></title><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" 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Uma crise institucional corroi os alicerces da democracia, com o Judici&#225;rio assumindo pap&#233;is que v&#227;o al&#233;m de suas fun&#231;&#245;es constitucionais. Decis&#245;es de cunho pol&#237;tico tomadas por tribunais minam a separa&#231;&#227;o dos Poderes, princ&#237;pio consagrado no artigo 2&#186; da Constitui&#231;&#227;o Federal, que exige independ&#234;ncia e harmonia entre Legislativo, Executivo e Judici&#225;rio.</p><p>O <em>Informe Latinobar&#243;metro 2024</em> revela que apenas um ter&#231;o dos brasileiros confia no sistema eleitoral. O Brasil fica atr&#225;s de pa&#237;ses como Chile e Uruguai, onde a confian&#231;a chega a 60%. Dados do IPEC 2024 refor&#231;am esse cen&#225;rio: o sistema eleitoral obteve apenas 54 pontos numa escala de 0 a 100, indicando confian&#231;a moderada. Isso evidencia que a confian&#231;a plena no TSE est&#225; longe de ser majorit&#225;ria.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://voto.legal/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Integridade Eleitoral &#233; uma publica&#231;&#227;o apoiada pelos leitores. Para receber novos posts e apoiar nosso trabalho, considere tornar-se uma assinatura gratuita ou uma assinatura paga.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p>Como alertou Aldo Rebelo, ex-presidente da C&#226;mara dos Deputados, "<em>o pa&#237;s enfrenta uma inseguran&#231;a institucional mais grave que a jur&#237;dica, onde as fun&#231;&#245;es de cada Poder se confundem"</em>. Essa eros&#227;o progressiva compromete a confian&#231;a dos cidad&#227;os no sistema democr&#225;tico.</p><h3>O problema do &#225;rbitro que tamb&#233;m joga</h3><p>No cerne dessa crise est&#225; o sistema eleitoral brasileiro, onde o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) controla tudo. Imagine um jogo de futebol em que o mesmo &#225;rbitro faz as regras, joga em um dos times, fiscaliza o campo e decide quem vence. Assim &#233; o TSE hoje: ele escolhe um lado, elabora normas, desenvolve sistemas, executa elei&#231;&#245;es, fiscaliza sua pr&#243;pria aplica&#231;&#227;o e julga conflitos. Essa concentra&#231;&#227;o de poderes viola o princ&#237;pio da separa&#231;&#227;o dos Poderes e cria conflitos de interesse estruturais.</p><p>Essa situa&#231;&#227;o fragiliza a governan&#231;a democr&#225;tica. A aus&#234;ncia de segrega&#231;&#227;o de fun&#231;&#245;es compromete a imparcialidade percebida do processo eleitoral, minando a confian&#231;a p&#250;blica. Um sistema eleitoral robusto n&#227;o pode depender apenas da boa-f&#233; de seus gestores, mas de mecanismos transparentes e audit&#225;veis que garantam legitimidade.</p><h3>A solu&#231;&#227;o &#233; a Ag&#234;ncia Nacional Eleitoral</h3><p>O caminho para reconstruir a confian&#231;a e pacificar o debate sobre a legitimidade das elei&#231;&#245;es come&#231;a com uma nova arquitetura institucional: a cria&#231;&#227;o da Ag&#234;ncia Nacional Eleitoral (ANE). Trata-se de um &#243;rg&#227;o aut&#244;nomo vinculado ao Congresso Nacional, inspirado na <em>Electoral Commission</em> do Reino Unido. Criada em 2000, a comiss&#227;o brit&#226;nica separou as fun&#231;&#245;es eleitorais, garantindo integridade e transpar&#234;ncia &#224;s elei&#231;&#245;es. No Brasil, a ANE teria uma miss&#227;o clara: organizar e executar elei&#231;&#245;es sob normas p&#250;blicas e audit&#225;veis, sem legislar, julgar ou se autoauditar.</p><p>Essa separa&#231;&#227;o de fun&#231;&#245;es alinha-se aos princ&#237;pios constitucionais da impessoalidade, moralidade, publicidade e efici&#234;ncia (artigo 37 da Constitui&#231;&#227;o). Ao transferir a execu&#231;&#227;o das elei&#231;&#245;es para um &#243;rg&#227;o independente, o Brasil restauraria o equil&#237;brio entre os Poderes e fortaleceria a confian&#231;a no processo democr&#225;tico.</p><h3>Como a ANE funcionaria na pr&#225;tica</h3><p>A ANE seria respons&#225;vel por coordenar as elei&#231;&#245;es com transpar&#234;ncia e rigor t&#233;cnico. Suas principais fun&#231;&#245;es incluiriam:</p><ul><li><p><strong>Certifica&#231;&#227;o de urnas e sistemas digitais</strong>: A tarefa seria delegada a entidades t&#233;cnicas independentes, credenciadas e auditadas, garantindo isen&#231;&#227;o e qualidade.</p></li><li><p><strong>Auditorias transparentes</strong>: Partidos pol&#237;ticos e organiza&#231;&#245;es da sociedade civil teriam acesso ison&#244;mico a dados e controles, permitindo a fiscaliza&#231;&#227;o baseada em evid&#234;ncias.</p></li><li><p><strong>Padr&#245;es internacionais</strong>: A ANE adotaria pr&#225;ticas como o princ&#237;pio da <em>independ&#234;ncia do software</em>, desenvolvido pelo Professor Ronald Rivest, PhD do MIT. Esse conceito garante que qualquer altera&#231;&#227;o ou falha em sistemas eletr&#244;nicos seja detect&#225;vel por auditorias externas, um pilar essencial para a confiabilidade eleitoral.[1]</p></li><li><p><strong>Publicidade e prote&#231;&#227;o do sigilo</strong>: A ANE implantaria o comprovante impresso do voto, permitindo que o eleitor verifique sua escolha, e a contagem p&#250;blica dos votos, al&#233;m de remover dados pessoais do eleitor das urnas eletr&#244;nicas, eliminando qualquer possibilidade de viola&#231;&#227;o do sigilo do voto.</p></li></ul><p>A inspira&#231;&#227;o brit&#226;nica &#233; um exemplo concreto. A <em>Electoral Commission</em> do Reino Unido opera com autonomia, submetendo-se a normas claras e auditorias independentes. No Brasil, a ANE poderia seguir esse modelo, adaptando-o &#224;s particularidades nacionais, como a extens&#227;o territorial e a complexidade do sistema de vota&#231;&#227;o eletr&#244;nica.</p><p>[1] <em>Independ&#234;ncia do software</em> refere-se a um princ&#237;pio t&#233;cnico que assegura que sistemas eletr&#244;nicos, como urnas eletr&#244;nicas, sejam projetados para permitir auditorias externas que detectem qualquer altera&#231;&#227;o ou falha, garantindo a integridade do processo eleitoral.</p><h3>Por que agora? A urg&#234;ncia da reforma</h3><p>A cria&#231;&#227;o da ANE n&#227;o &#233; apenas uma solu&#231;&#227;o t&#233;cnica, mas um imperativo democr&#225;tico. Personalidades do direito e da pol&#237;tica t&#234;m alertado para a urg&#234;ncia da quest&#227;o. O jurista Modesto Carvalhosa cobra que o STF respeite seu papel de tribunal constitucional. O deputado Luiz Philippe de Orl&#233;ans e Bragan&#231;a alerta para os riscos crescentes do ativismo judicial.[2] O professor Luciano de Castro prop&#245;e um novo pacto constitucional para o pa&#237;s.</p><p>Alguns podem questionar como a ANE garantiria sua pr&#243;pria independ&#234;ncia pol&#237;tica ou como seria financiada. A proposta prev&#234; que a ANE seja vinculada ao Congresso, com nomea&#231;&#245;es transparentes e apartid&#225;rias, e que seu or&#231;amento seja definido por lei, com auditorias externas para evitar influ&#234;ncias indevidas. </p><p>O momento para agir &#233; agora. A tramita&#231;&#227;o do novo C&#243;digo Eleitoral no Congresso Nacional oferece uma oportunidade &#250;nica para instituir a ANE. Essa reforma n&#227;o requer rupturas institucionais, mas um aperfei&#231;oamento t&#233;cnico que alinha o Brasil &#224;s melhores pr&#225;ticas internacionais.</p><p>[2] <em>Ativismo judicial</em> ocorre quando ju&#237;zes extrapolam suas fun&#231;&#245;es constitucionais, tomando decis&#245;es que competem a outros Poderes, como o Legislativo ou o Executivo.</p><h3>Uma oportunidade hist&#243;rica</h3><p>A democracia brasileira depende de quatro pilares: regras claras, execu&#231;&#227;o imparcial, fiscaliza&#231;&#227;o independente e publicidade dos atos administrativos. A legitimidade das elei&#231;&#245;es n&#227;o pode repousar apenas na autoridade de quem as conduz, mas em um sistema robusto, p&#250;blico e audit&#225;vel. </p><p>A cria&#231;&#227;o da ANE &#233; mais que uma reforma t&#233;cnica &#8212; &#233; um passo para construir a confian&#231;a dos cidad&#227;os e fortalecer as institui&#231;&#245;es. Com a polariza&#231;&#227;o pol&#237;tica e a falta de total confian&#231;a nas urnas eletr&#244;nicas, a ANE surge como uma solu&#231;&#227;o para unir o pa&#237;s em torno de um processo eleitoral em que todos possam confiar.</p><p>O Congresso Nacional tem em suas m&#227;os uma chance hist&#243;rica de liderar essa transforma&#231;&#227;o. Cabe aos parlamentares agir com coragem e responsabilidade, consolidando a democracia brasileira para as pr&#243;ximas gera&#231;&#245;es. A ANE n&#227;o &#233; apenas uma proposta, &#233; um chamado &#224; a&#231;&#227;o para garantir que o Brasil volte a ser uma democracia vibrante e confi&#225;vel.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://voto.legal/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Integridade Eleitoral &#233; uma publica&#231;&#227;o apoiada pelos leitores. 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Tais conceitos, aplicados rotineiramente a instrumentos como balan&#231;as comerciais, oferecem uma base robusta para compreens&#227;o e fiscaliza&#231;&#227;o do processo de apura&#231;&#227;o do voto eletr&#244;nico. Defende-se que, assim como na metrologia, &#233; indispens&#225;vel uma cadeia de confian&#231;a com certifica&#231;&#227;o, aferi&#231;&#227;o e verifica&#231;&#227;o independente.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://voto.legal/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Integridade Eleitoral &#233; uma publica&#231;&#227;o apoiada pelos leitores. 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A confian&#231;a nesse processo n&#227;o &#233; um adorno: &#233; a base para que os resultados possam ser recebidos como leg&#237;timos e operacionais.</p><p><strong>Precis&#227;o, Exatid&#227;o, Resolu&#231;&#227;o e Incerteza</strong></p><p>Assim como qualquer instrumento de medi&#231;&#227;o, o sistema eleitoral deve seguir crit&#233;rios rigorosos para que seus resultados sejam consistentes e verific&#225;veis. Esses crit&#233;rios envolvem quatro pilares fundamentais: precis&#227;o, exatid&#227;o, resolu&#231;&#227;o e incertezas. A precis&#227;o se refere &#224; capacidade do sistema repetir os mesmos resultados sob as mesmas condi&#231;&#245;es. J&#225; a exatid&#227;o diz respeito &#224; proximidade entre o valor medido &#8211; neste caso, o total de votos atribu&#237;dos &#8211; e o valor verdadeiro da escolha do eleitorado.</p><p>A resolu&#231;&#227;o, por sua vez, trata da menor varia&#231;&#227;o detect&#225;vel pelo sistema. Em pleitos com diferen&#231;as m&#237;nimas de votos entre candidatos, essa capacidade torna-se decisiva. Por fim, as incertezas de medi&#231;&#227;o representam as margens inevit&#225;veis de erro, que podem decorrer de fatores como falhas t&#233;cnicas, ru&#237;dos nos dados ou intera&#231;&#227;o inadequada entre homem e m&#225;quina. Esses conceitos, comuns na metrologia, s&#227;o cruciais para garantir que uma elei&#231;&#227;o possa ser audit&#225;vel e tecnicamente confi&#225;vel, isto &#233;, com baixa probabilidade de erros.</p><p><strong>Par&#226;metros T&#233;cnicos e a Legitimidade da Medi&#231;&#227;o</strong></p><p>Em processos industriais, a confian&#231;a metrol&#243;gica &#233; sustentada por uma cadeia de confian&#231;a: certifica&#231;&#227;o, aferi&#231;&#227;o, manuten&#231;&#227;o e verifica&#231;&#227;o independente. O mesmo princ&#237;pio deve ser aplicado ao sistema eleitoral. A Lei 5.966, de 1973, que instituiu o Sistema Nacional de Metrologia, serve de base para esse racioc&#237;nio. Equipamentos como balan&#231;as comerciais s&#243; podem ser utilizados ap&#243;s aprova&#231;&#227;o de modelo, verifica&#231;&#227;o inicial e inspe&#231;&#245;es peri&#243;dicas. O mesmo deveria valer para os equipamentos de vota&#231;&#227;o. [1]</p><p>Nesse contexto, o papel do &#243;rg&#227;o certificador &#233; essencial. Deve haver verifica&#231;&#227;o t&#233;cnica do hardware, valida&#231;&#227;o independente do software e inspe&#231;&#227;o da integridade do processo como um todo. Esse ciclo cont&#237;nuo de aferi&#231;&#227;o gera uma cadeia de confian&#231;a que precisa estar clara ao eleitor, mesmo que ele n&#227;o tenha forma&#231;&#227;o t&#233;cnica. A clareza dos procedimentos, a transpar&#234;ncia dos testes e a exist&#234;ncia de mecanismos de recontagem s&#227;o partes integrantes desta estrutura.</p><p><strong>A Balan&#231;a da Padaria</strong></p><p>A met&#225;fora da balan&#231;a de padaria &#233; &#250;til aqui. O fregu&#234;s v&#234; o selo do Inmetro, acompanha a pesagem e pode solicitar a confer&#234;ncia do valor pago. De forma an&#225;loga, o eleitor deveria poder verificar que o equipamento est&#225; aferido, que seu voto foi corretamente registrado e que, em caso de d&#250;vida, o processo permite a recontagem p&#250;blica. Esses elementos n&#227;o s&#227;o s&#237;mbolos de perfei&#231;&#227;o, mas de confiabilidade t&#233;cnica &#8211; o que &#233; bem diferente. [2]</p><p><strong>Auditorias P&#243;s-Eleitorais Obrigat&#243;rias</strong></p><p>Nos Estados Unidos, o estado do Colorado adota auditorias p&#243;s-eleitorais obrigat&#243;rias conhecidas como Risk-Limiting Audits (RLAs), que utilizam m&#233;todos estat&#237;sticos para verificar se o resultado eletr&#244;nico de uma elei&#231;&#227;o corresponde ao resultado que seria obtido por uma contagem manual dos votos em papel. Essas auditorias s&#227;o abertas ao p&#250;blico e geram evid&#234;ncias objetivas que aumentam a confian&#231;a no processo [3].</p><p><strong>A Publicidade Constitucional</strong></p><p>A experi&#234;ncia recente da Alemanha oferece um alerta importante. A Corte Constitucional Federal rejeitou o uso de sistemas eletr&#244;nicos de vota&#231;&#227;o ao considerar que o processamento eletr&#244;nico &#233;, por natureza, opaco para o eleitor comum, impedindo a forma&#231;&#227;o de uma cadeia de confian&#231;a baseada em evid&#234;ncias objetivas. Nesse entendimento, o processo deve ser verific&#225;vel por qualquer cidad&#227;o, mesmo sem conhecimentos t&#233;cnicos especializados [4].</p><p><strong>Aplicando ao sistema eleitoral</strong> </p><p>Em processos eleitorais, como em qualquer sistema de medi&#231;&#227;o, &#233; fundamental que existam condi&#231;&#245;es razo&#225;veis de aceitabilidade dos resultados. Isso envolve assegurar que o sistema e seus componentes foram certificados, aferidos, calibrados e operados dentro de par&#226;metros verific&#225;veis.</p><p><strong>Conclus&#227;o</strong>: A confian&#231;a no sistema eleitoral deve ser resultado de sua governan&#231;a t&#233;cnica, e n&#227;o um ato de f&#233;. A aplica&#231;&#227;o de conceitos metrol&#243;gicos refor&#231;a a necessidade de auditabilidade plena, rastreabilidade e certifica&#231;&#227;o independente de todo o ciclo de vida da vota&#231;&#227;o eletr&#244;nica. Transpar&#234;ncia e controle externo s&#227;o os pilares para assegurar a legitimidade e operacionalidade dos resultados eleitorais.</p><p><strong>Refer&#234;ncias jur&#237;dicas e t&#233;cnicas </strong>(clique no link para acessar) </p><p>[1] <a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5966.htm">Lei n&#186; 5.966, de 11 de dezembro de 1973</a>. Institui o Sistema Nacional de Metrologia, Normaliza&#231;&#227;o e Qualidade Industrial (Sinmetro).</p><p>[2] <a href="https://www.gov.br/inmetro/pt-br">Inmetro &#8211; Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia</a>. Metrologia Legal no Brasil.</p><p>[3] <a href="https://translate.google.com/translate?sl=auto&amp;tl=pt-BR&amp;u=https://www.sos.state.co.us/pubs/elections/RLA/faqs.html">Colorado Secretary of State. Risk-Limiting Audit Program.</a></p><p>[4] <a href="https://www-bundesverfassungsgericht-de.translate.goog/SharedDocs/Entscheidungen/EN/2009/03/cs20090303_2bvc000307en.html?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt-BR">Lei Fundamental da Alemanha (Grundgesetz), art. 20 e jurisprud&#234;ncia BVerfG 2 BvC 3/07</a></p><p></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://voto.legal/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Integridade Eleitoral &#233; uma publica&#231;&#227;o apoiada pelos leitores. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se uma assinatura gratuita ou uma assinatura paga.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Por que a urna eletrônica brasileira é considerada inconstitucional na Alemanha?]]></title><description><![CDATA[O modelo de urna eletr&#244;nica adotado no Brasil viola princ&#237;pios constitucionais de publicidade reconhecidos internacionalmente e rejeitados pela jurisprud&#234;ncia alem&#227;.]]></description><link>https://voto.legal/p/por-que-a-urna-eletronica-brasileira</link><guid isPermaLink="false">https://voto.legal/p/por-que-a-urna-eletronica-brasileira</guid><dc:creator><![CDATA[Voto Legal]]></dc:creator><pubDate>Sun, 11 May 2025 10:15:52 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!zL6u!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6a0d9292-489f-4481-8df2-6d681e3296d4_600x600.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p><strong>Resumo</strong>: A urna eletr&#244;nica brasileira adota o modelo DRE (Direct Recording Electronic), que n&#227;o permite recontagem p&#250;blica nem verifica&#231;&#227;o independente do voto. Esse modelo foi declarado inconstitucional na Alemanha por violar o princ&#237;pio da <strong>publicidade</strong> do processo eleitoral, entendido como a possibilidade de qualquer cidad&#227;o verificar todas as etapas essenciais da elei&#231;&#227;o, inclusive a apura&#231;&#227;o dos votos. Especialistas e entidades internacionais s&#227;o un&#226;nimes: sem um comprovante f&#237;sico confer&#237;vel pelo eleitor, n&#227;o h&#225; como garantir a <strong>publicidade</strong>, a auditabilidade e a legitimidade democr&#225;tica do voto.</p><p><strong>Pontes de Miranda e a soberania popular</strong>: Pontes de Miranda, se vivo estivesse, diria com a tranquilidade dos s&#225;bios: a urna eletr&#244;nica brasileira, do jeito que est&#225;, seria inconstitucional &#8212; n&#227;o s&#243; na Alemanha, mas em qualquer pa&#237;s onde o conceito de publicidade dos atos p&#250;blicos seja levado a s&#233;rio. Ningu&#233;m no Brasil compreendeu t&#227;o bem o esp&#237;rito do direito constitucional comparado entre o nosso pa&#237;s e a Alemanha quanto ele. Pontes de Miranda j&#225; afirmava com clareza o que significa a publicidade dos atos administrativos: <em>"sem <strong>publicidade</strong>, n&#227;o h&#225; soberania popular aut&#234;ntica; &#233; necess&#225;rio que o povo veja, compreenda e, se preciso, conteste os atos de quem exerce fun&#231;&#245;es p&#250;blicas em seu nome"</em>.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://voto.legal/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler Integridade Eleitoral! Assine gratuitamente para receber novos posts e apoiar meu trabalho.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p><strong>A decis&#227;o do Tribunal Constitucional da Alemanha</strong>: Na Alemanha, essa ideia virou jurisprud&#234;ncia. Em 2009, o Tribunal Constitucional Federal, a mais alta corte do pa&#237;s, olhou para as urnas do tipo DRE (Direct Recording Electronic), que n&#227;o emitem comprovante f&#237;sico do voto, e deu o veredito: inconstitucionais. Simples assim. O motivo? Elas impedem que qualquer cidad&#227;o, mesmo sem ser especialista em tecnologia, consiga verificar com os pr&#243;prios olhos se o voto dado foi o voto registrado e contado. E isso, disse a corte, viola o princ&#237;pio da publicidade das elei&#231;&#245;es &#8212; um princ&#237;pio que n&#227;o est&#225; apenas impl&#237;cito na Lei Fundamental da Alemanha, mas que &#233; a ess&#234;ncia da legitimidade democr&#225;tica.</p><p><strong>Publicidade no Brasil: entre o texto e a pr&#225;tica</strong>: Por aqui, o artigo 37 da Constitui&#231;&#227;o Federal fala o mesmo, mas o Brasil resolveu fazer de conta que n&#227;o. Publicidade, no Brasil oficial, virou sin&#244;nimo de &#8220;confie em mim&#8221;. Confie no c&#243;digo-fonte que voc&#234; n&#227;o pode ver, nos servidores que voc&#234; n&#227;o pode auditar, no software que voc&#234; n&#227;o pode verificar. Tudo muito moderno &#8212; e rigorosamente inverific&#225;vel.</p><p>Felipe Gimenez, promotor e estudioso do tema, afirma sem meias-palavras: n&#227;o h&#225; publicidade se o povo n&#227;o pode fiscalizar. N&#227;o adianta publicar boletins de urna depois da apura&#231;&#227;o, se o eleitor n&#227;o tem como garantir, fisicamente, que seu voto foi computado corretamente. &#201; o velho problema do m&#225;gico no palco: voc&#234; s&#243; enxerga o que ele quer que voc&#234; enxergue.</p><div><hr></div><div class="native-video-embed" data-component-name="VideoPlaceholder" data-attrs="{&quot;mediaUploadId&quot;:&quot;d1e2a28a-90c0-4a92-8d48-cba2d1c633a3&quot;,&quot;duration&quot;:null}"></div><h5><em>Novo modelo da urna eletr&#244;nica &#233; apresentado pelo TSE, em 2017, com a impress&#227;o do voto</em></h5><div><hr></div><p><strong>A impossibilidade de auditoria nos sistemas DRE</strong>: Diego Aranha, Silvio Meira, Ronald Rivest, o MIT Election Lab, a Verified Voting Foundation, o International IDEA e o Electoral Integrity Project s&#227;o categ&#243;ricos: urnas do tipo DRE, sem comprovante impresso do voto confer&#237;vel pelo eleitor, n&#227;o permitem auditoria independente. N&#227;o se pode auditar o que n&#227;o se v&#234;. E o Registro Digital do Voto (RDV)? Um arquivo eletr&#244;nico gerado pela pr&#243;pria m&#225;quina, sem qualquer comprova&#231;&#227;o externa &#8212; uma esp&#233;cie de planilha sem presun&#231;&#227;o legal de veracidade porque n&#227;o tem assinatura eletr&#244;nica qualificada com certificado digital da ICP-Brasil, exigida por lei.</p><p>O que a Alemanha rejeitou, o Brasil consagrou. Enquanto os alem&#227;es exigem que o processo eleitoral seja inteiramente vis&#237;vel ao cidad&#227;o comum, o Brasil blindou sua elei&#231;&#227;o com termos t&#233;cnicos, jarg&#245;es e barreiras de acesso. N&#227;o h&#225; imprensa que cubra, n&#227;o h&#225; perito que fiscalize, n&#227;o h&#225; eleitor que compreenda. H&#225; apenas a f&#233; na autoridade &#8212; o exato oposto do que prega o constitucionalismo moderno.</p><p>Hoje, chegou-se ao ponto de criminalizar quem ousa sugerir melhorias t&#233;cnicas ao sistema eleitoral; em vez de debate, usa-se o peso do Estado para intimidar a auditoria independente, como se publicidade fosse amea&#231;a, e n&#227;o exig&#234;ncia constitucional.</p><p><strong>Conclus&#227;o</strong> Se a urna eletr&#244;nica brasileira fosse submetida ao mesmo teste que a Alemanha aplicou &#224;s suas, cairia. E cairia feio. N&#227;o por fraude, mas por algo ainda mais grave: por impossibilidade de fiscaliza&#231;&#227;o. &#8220;<em><strong>A democracia vive da luz, da visibilidade, do controle. No escuro, n&#227;o h&#225; rep&#250;blica &#8212; s&#243; confian&#231;a cega."</strong>,</em>afirmou <em>Pontes de Miranda</em>. E isso, em qualquer l&#237;ngua, &#233; <strong>inconstitucional</strong>.</p><p><strong>Refer&#234;ncias jur&#237;dicas e t&#233;cnicas </strong>(clique no link para acessar)</p><ul><li><p><a href="https://www.jusbrasil.com.br/topicos/2186546/artigo-37-da-constituicao-federal-de-1988">Constitui&#231;&#227;o da Rep&#250;blica Federativa do Brasil: art. 37</a></p></li><li><p><a href="https://www-bundesverfassungsgericht-de.translate.goog/SharedDocs/Entscheidungen/EN/2009/03/cs20090303_2bvc000307en.html?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt-BR">Lei Fundamental da Alemanha (Grundgesetz), art. 20 e jurisprud&#234;ncia BVerfG 2 BvC 3/07</a></p></li><li><p><a href="https://archive.org/details/pontes-de-miranda-fundamentos-actuaes-do-direito-constitucional/mode/2up">Pontes de Miranda: &#8220;Os Fundamentos Actuaes do Direito Constitucional&#8221;,1932</a></p></li><li><p><a href="https://www12.senado.leg.br/portalcedoc/pcedoc/2025/20250424/20250424120301_1925279.MP4">Felipe Gimenez, depoimento na Audi&#234;ncia P&#250;blica na CCJ do Senado Federal, 2025</a></p></li><li><p><a href="https://www.welivesecurity.com/br/2018/10/17/diego-aranha-os-testes-de-seguranca-nas-urnas-eletronicas/">Diego Aranha: "Os testes de seguran&#231;a (nas urnas eletr&#244;nicas) s&#227;o importantes e desej&#225;veis, mas continuam insuficientes&#8221;, 2018</a> </p></li><li><p><a href="https://silvio.meira.com/?s=Urna+eletronica">Silvio Meira, artigos sobre urna eletr&#244;nica</a></p></li><li><p><a href="https://people.csail.mit.edu/rivest/pubs/RV16.pdf">Ronald Rivest &amp; Madars Virza, "Software Independence</a></p><p><a href="https://people.csail.mit.edu/rivest/pubs/RV16.pdf">Revisited", 2017</a></p></li><li><p><a href="https://verifiedvoting-org.translate.goog/publication/summary-of-the-problem-with-electronic-voting/?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt-BR">Verified Voting Foundation, &#8220;Resumo do problema com a vota&#231;&#227;o eletr&#244;nica&#8221;, 2005</a></p></li><li><p><a href="https://translate.google.com/translate?sl=en&amp;tl=pt&amp;u=https://electionlab.mit.edu/articles/medsl-explains-voting-technology">MIT Election Lab, "MEDSL Explains: Voting Technology"</a></p></li><li><p><a href="https://www.idea.int/publications/catalogue/adoption-voting-technology">International IDEA, </a><em><a href="https://www.idea.int/sites/default/files/publications/adoption-of-voting-technology.pdf">Adoption of Voting Technology</a></em><a href="https://www.idea.int/publications/catalogue/adoption-voting-technology">, 2020</a></p></li><li><p><a href="https://translate.google.com/translate?sl=en&amp;tl=pt&amp;u=https://www.electoralintegrityproject.com/">The Electoral Integrity Project, relat&#243;rios e rankings sobre integridade eleitoral global</a></p></li><li><p><a href="https://www.facebook.com/TSEJus/videos/1456543424365791/">TSE, &#8220;Novo modelo da urna eletr&#244;nica &#233; apresentado aos ministros do TSE, 2017&#8221;</a></p></li></ul><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://voto.legal/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler Integridade Eleitoral! 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Com base no art. 37, caput, da Constitui&#231;&#227;o Federal de 1988, o texto argumenta que a publicidade representa o dom&#237;nio cognitivo do povo sobre os atos estatais, enquanto a transpar&#234;ncia, por ser filtrada, limita o acesso e pode fragilizar o controle democr&#225;tico.</p><p><strong>Nota de Agradecimento</strong>: Este entendimento foi profundamente influenciado pelas reflex&#245;es do Procurador Felipe Marcelo Gimenez, que destacou a diferen&#231;a sem&#226;ntica entre publicidade e transpar&#234;ncia como fundamento indispens&#225;vel para a prote&#231;&#227;o da soberania popular e a integridade normativa da Constitui&#231;&#227;o.</p><p>A distin&#231;&#227;o conceitual entre os termos "publicidade" e "transpar&#234;ncia" possui relev&#226;ncia fundamental no &#226;mbito do direito administrativo e constitucional, especialmente em rela&#231;&#227;o &#224; gest&#227;o da coisa p&#250;blica. Compreender a diferen&#231;a sem&#226;ntica entre essas palavras &#233; essencial para evitar distor&#231;&#245;es na interpreta&#231;&#227;o legal e na execu&#231;&#227;o de princ&#237;pios constitucionais. No contexto da Constitui&#231;&#227;o Federal de 1988, o princ&#237;pio consagrado &#233; o da publicidade, e n&#227;o o da transpar&#234;ncia.</p><p>O princ&#237;pio da publicidade, previsto no art. 37, caput, da Constitui&#231;&#227;o, imp&#245;e que os atos da administra&#231;&#227;o p&#250;blica estejam acess&#237;veis ao povo, com o objetivo de assegurar a legitimidade dos atos e permitir o controle social. A publicidade n&#227;o &#233; apenas a difus&#227;o de informa&#231;&#227;o, mas a sua apropria&#231;&#227;o pelo povo. Trata-se de uma condi&#231;&#227;o necess&#225;ria para que o cidad&#227;o tenha dom&#237;nio cognitivo sobre os atos administrativos, podendo compreend&#234;-los, critic&#225;-los e reagir &#224; sua pr&#225;tica.</p><p>Em contrapartida, o conceito de transpar&#234;ncia &#233; semanticamente distinto. Transpar&#234;ncia &#233; a qualidade do que permite ver atrav&#233;s. Quando aplicada &#224; gest&#227;o p&#250;blica, ela sup&#245;e um filtro: a informa&#231;&#227;o vis&#237;vel &#233; apenas aquela que se deixa atravessar pelo meio. A transpar&#234;ncia n&#227;o &#233; plena, n&#227;o garante soberania cognitiva ao cidad&#227;o, mas sim um acesso condicionado &#224;quilo que se permite mostrar. Diferentemente da publicidade, ela n&#227;o transfere o dom&#237;nio da informa&#231;&#227;o ao povo.</p><p>Essa diferen&#231;a se reflete tamb&#233;m na escolha de outros conceitos que t&#234;m sido utilizados indevidamente na discuss&#227;o sobre a fiscaliza&#231;&#227;o da administra&#231;&#227;o p&#250;blica, como "confian&#231;a" e "auditoria". A confian&#231;a desloca o poder do cidad&#227;o para o agente, pois exige uma rela&#231;&#227;o de cr&#233;dito que se mostra incompat&#237;vel com a soberania popular. A auditoria, por sua vez, transfere o controle do processo para um terceiro (o auditor), alijando o p&#250;blico da fun&#231;&#227;o de controle direto.</p><p>A substitui&#231;&#227;o da publicidade por transpar&#234;ncia e confian&#231;a no discurso jur&#237;dico pode ter efeitos delet&#233;rios. Ao fragilizar a compreens&#227;o constitucional dos direitos de soberania e de controle popular, abre-se espa&#231;o para interpreta&#231;&#245;es arbitr&#225;rias. Assim, &#233; imperativo que o discurso jur&#237;dico mantenha fidelidade &#224; letra e ao esp&#237;rito da Constitui&#231;&#227;o.</p><p><strong>Aplica&#231;&#227;o ao processo eleitoral</strong>: No contexto das elei&#231;&#245;es, a exig&#234;ncia de publicidade assume papel ainda mais relevante, sendo essencial para garantir a legitimidade do processo democr&#225;tico. A Constitui&#231;&#227;o imp&#245;e que os atos eleitorais sejam p&#250;blicos, assegurando o dom&#237;nio cognitivo do povo sobre cada etapa do processo. Isso inclui a publicidade do voto como direito subjetivo (sigilo da identidade do eleitor, mas escrut&#237;nio p&#250;blico), a contagem p&#250;blica dos votos, a publica&#231;&#227;o imediata dos resultados em cada se&#231;&#227;o eleitoral, e a divulga&#231;&#227;o do c&#243;digo-fonte dos programas utilizados no sistema eletr&#244;nico de vota&#231;&#227;o. A opacidade ou o mero acesso condicionado &#224; informa&#231;&#227;o &#8211; ainda que sob a alcunha de "transpar&#234;ncia" &#8211; n&#227;o supre a exig&#234;ncia de que o povo tenha pleno conhecimento e controle dos mecanismos que registram corretamente a sua vontade soberana nas urnas eletr&#244;nicas e no sistema eletr&#244;nico de vota&#231;&#227;o, como um todo.</p><p><strong>Refer&#234;ncias normativas</strong>:</p><ul><li><p>Gimenez, Felipe Marcelo. Reflex&#245;es sobre a publicidade como express&#227;o da soberania popular. Comunica&#231;&#227;o pessoal, 2025.</p></li><li><p>Constitui&#231;&#227;o Federal de 1988, art. 37, caput &#8211; Princ&#237;pios da administra&#231;&#227;o p&#250;blica.</p></li><li><p>Lei n&#186; 9.784/1999 &#8211; Regula o processo administrativo no &#226;mbito da Administra&#231;&#227;o P&#250;blica Federal.</p></li><li><p>Constitui&#231;&#227;o Federal de 1988, art. 14 &#8211; Sufr&#225;gio universal e voto direto e secreto, com valor igual para todos.</p></li><li><p>Lei n&#186; 9.504/1997, arts. 58 a 66 &#8211; Fiscaliza&#231;&#227;o e transpar&#234;ncia do processo eleitoral.</p></li></ul><p><strong>Conclus&#227;o</strong>: O princ&#237;pio da publicidade assegura o dom&#237;nio cognitivo do povo sobre os atos do Estado, conforme disposto no art. 37 da Constitui&#231;&#227;o Federal. A defesa sem&#226;ntica rigorosa dos conceitos utilizados no direito &#233; condi&#231;&#227;o de possibilidade para a manuten&#231;&#227;o da legalidade, da soberania popular e da democracia material. No processo eleitoral, essa exig&#234;ncia ganha express&#227;o concreta e inadi&#225;vel, pois somente com a total visibilidade e dom&#237;nio p&#250;blico sobre cada fase da elei&#231;&#227;o &#233; que se preserva a integridade do regime democr&#225;tico.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://voto.legal/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler Integridade Eleitoral! Assine gratuitamente para receber novos posts e apoiar meu trabalho.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Integridade Eleitoral em Debate: Um Convite à Transparência]]></title><description><![CDATA[Por que discutir governan&#231;a, publicidade, seguran&#231;a e auditabilidade das urnas &#233; uma defesa &#8212; e n&#227;o um ataque &#8212; &#224; democracia.]]></description><link>https://voto.legal/p/integridade-eleitoral-em-debate-um</link><guid isPermaLink="false">https://voto.legal/p/integridade-eleitoral-em-debate-um</guid><dc:creator><![CDATA[Voto Legal]]></dc:creator><pubDate>Fri, 09 May 2025 09:46:57 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!zL6u!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6a0d9292-489f-4481-8df2-6d681e3296d4_600x600.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>A confian&#231;a p&#250;blica nas elei&#231;&#245;es depende de mais do que a legalidade do voto &#8212; ela exige publicidade, seguran&#231;a verific&#225;vel, governan&#231;a institucional robusta e transpar&#234;ncia. Esta newsletter nasce com um objetivo claro: contribuir de forma construtiva, t&#233;cnica e documentada para o aperfei&#231;oamento do sistema eleitoral brasileiro, com aten&#231;&#227;o aos desafios da vota&#231;&#227;o eletr&#244;nica baseada em urnas do tipo DRE<em> (<a href="https://www.congress.gov/crs-product/RL33190">Direct Recording Electronic</a>)</em>.</p><p>Fruto de um trabalho coordenado por especialistas em engenharia eletr&#244;nica, ci&#234;ncia da computa&#231;&#227;o e direito p&#250;blico, esta iniciativa dialoga com recomenda&#231;&#245;es e diagn&#243;sticos emitidos por institui&#231;&#245;es internacionais de refer&#234;ncia, como o <em><a href="https://electionlab.mit.edu/">MIT Election Lab</a></em>, o <em><a href="https://www.idea.int/">International IDEA</a></em> e o <em><a href="https://www.electoralintegrityproject.com/">The Electoral Integrity Project</a></em>. Longe de promover desinforma&#231;&#227;o, nosso objetivo &#233; exatamente o oposto: oferecer subs&#237;dios t&#233;cnicos qualificados para ampliar a compreens&#227;o p&#250;blica e institucional sobre os riscos e limita&#231;&#245;es do modelo atual e as oportunidades concretas de seu aprimoramento.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://voto.legal/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler Integridade Eleitoral! Assine gratuitamente para receber novos posts e apoiar meu trabalho.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p>Ao longo de anos, estudos de integridade eleitoral t&#234;m apontado fragilidades nos sistemas DRE, que n&#227;o imprimem um comprovante do voto, especialmente em pa&#237;ses onde o voto n&#227;o pode ser verificado de forma independente pelo eleitor. O relat&#243;rio &#8220;<em><a href="https://www.idea.int/publications/catalogue/varieties-electoral-integrity-risk-proptecting-elections-brazil">Varieties of Electoral Integrity Risk: Protecting Elections in Brazil</a></em>&#8221;, publicado pelo <em><a href="https://www.idea.int/">International IDEA</a></em> em 2023, destaca que o modelo brasileiro, embora avan&#231;ado na elimina&#231;&#227;o de fraudes manuais, carece de mecanismos de verifica&#231;&#227;o confi&#225;vel por parte da sociedade. O <em><a href="https://electionlab.mit.edu/">MIT Election Lab</a></em>, por sua vez, enfatiza a import&#226;ncia de auditorias p&#243;s-eleitorais com base em evid&#234;ncias f&#237;sicas, como forma de assegurar a corre&#231;&#227;o dos resultados &#8212; o que n&#227;o &#233; poss&#237;vel no atual sistema sem um comprovante impresso do voto. J&#225; o <em><a href="https://www.electoralintegrityproject.com/">The Electoral Integrity Project</a></em> recomenda a ado&#231;&#227;o de pr&#225;ticas audit&#225;veis e de ampla fiscaliza&#231;&#227;o externa, refor&#231;ando a import&#226;ncia da confian&#231;a p&#250;blica e da supervis&#227;o institucional independente.</p><p>Nos pr&#243;ximos artigos, vamos aprofundar a an&#225;lise sobre diferentes dimens&#245;es cr&#237;ticas da integridade eleitoral, no Brasil:</p><ul><li><p><strong>Governan&#231;a</strong>: controle total da administra&#231;&#227;o eleitoral pelo Judici&#225;rio e assimetria informacional entre gestores e sociedade;</p></li><li><p><strong>Publicidade</strong>: a exig&#234;ncia constitucional de publicidade assume papel essencial para garantir a legitimidade do processo democr&#225;tico; a Constitui&#231;&#227;o imp&#245;e que os atos eleitorais sejam p&#250;blicos, assegurando o dom&#237;nio cognitivo do povo sobre cada etapa do processo;</p></li><li><p><strong>Sigilo da identidade do Eleitor</strong>: o tratamento dos dados do eleitor e do seu voto na urna eletr&#244;nica gera riscos e vulnerabilidades para este sigilo, j&#225; reconhecidos como inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal;</p></li><li><p><strong>Certifica&#231;&#227;o ICP-Brasil</strong>: aus&#234;ncia de certificado digital ICP-Brasil, individual e &#250;nico, instalado em cada urna eletr&#244;nica, para dar a presun&#231;&#227;o legal de veracidada aos documentos eletr&#244;nicos gerados pela urna;</p></li><li><p><strong>Seguran&#231;a da informa&#231;&#227;o</strong>: aus&#234;ncia de um Sistema de Gest&#227;o de Seguran&#231;a da Informa&#231;&#227;o, certificado na norma ABNT NBR ISO 27.001;</p></li><li><p><strong>Software-depend&#234;ncia</strong>: falta de independ&#234;ncia entre resultado eleitoral e funcionamento do software, contrariando princ&#237;pios t&#233;cnicos de seguran&#231;a defendidos por especialistas como Ronald Rivest;</p></li><li><p><strong>Transpar&#234;ncia e auditoria</strong>: limita&#231;&#227;o da fiscaliza&#231;&#227;o por entidades independentes e aus&#234;ncia de recontagem efetiva.</p></li></ul><p>Estes temas n&#227;o s&#227;o novos, nem exclusivos do contexto brasileiro. Ao contr&#225;rio, s&#227;o objeto de consenso t&#233;cnico entre entidades comprometidas com o aprimoramento democr&#225;tico. Nosso papel aqui &#233; sistematizar esse conhecimento e apresent&#225;-lo de forma clara, respons&#225;vel e fundamentada.</p><p>Se voc&#234; se interessa por elei&#231;&#245;es confi&#225;veis, dados verific&#225;veis e governan&#231;a p&#250;blica transparente, esta newsletter &#233; para voc&#234;. Assine, compartilhe e acompanhe as pr&#243;ximas edi&#231;&#245;es. O debate precisa ser t&#233;cnico, p&#250;blico e cont&#237;nuo &#8212; e ele come&#231;a agora.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://voto.legal/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler Integridade Eleitoral! Assine gratuitamente para receber novos posts e apoiar meu trabalho.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item></channel></rss>